// Monday, October 12, 2009
Pequeno protesto num blog semi-deixado de lado


Muitas vezes eu olho para o meu celular e me pergunto: por que raios tenho um?
E não vem daí uma crítica ao nosso mundo no melhor estilo "não importa onde vocês estejam, todos estão conectados", realidade líquida, globalização e todo esse blablablá mais que saturado. Isso aí é viadagem.
E a minha viadagem com celular é outra: é que ele é completamente inútil, já que ninguém me liga. Em tese, o primeiro surgiu como um modo de controlar as intensas rebeldias (inexistetes) de uma antarantada de treze anos. Hoje em dia, nem a minha mãe se interessa mais pelo meu paradeiro, de modo que realmente ele é fadado ao fracasso. (O que não justifca, diga-se de passagem, o simpático roubo do meu penúltimo aparelho em pleno ENECS, mês passado =))
Enfim, a parte cômica da situação é que de repente, em grandes momentos de tensão pré-prova, o meu número é descoberto pelos mais diversos cidadãos. Aliás, não só o telefone como scrap no Orkut e abordagens cordiais no corredor.
Sinceramente, esse não é um protesto raivoso - mas é um protesto.
É bacaninha inclusive expor a situação num blog bem remoto. Quem sabe não repercute mais do que o esperado?
O que mais me espanta - podem falar que eu não tenho senso de humor nem de camaradage - é que ninguém pede uma ajuda. Cara, se eu tirei uma nota legal no trabalho tal, é porque aparentemente entendi o tema, não? Então se você, amigo vagabundo, não se deu ao trabalho de ler, de revisar e quer tirar dúvidas, não tem problema.
Agora, o próximo que me pedir uma cópia de qualquer trabalho vai receber. Em confetes. Ou em russo.
Sabe deus o que acham de mim nesse cotidiano carioca que (acho que não é muito difícil de perceber) já me detona bastante, entre sacanagens e desagrados. Daí a ter PROVA escrito na minha testa, eu agradeço a preocupação dos meus colegas universitários e sinto informar que podem apagar o meu telefone dos meus contatos.
Ou vai ver é um número mágico que só ressurge em momentos críticos!
Porque, se a imagem que eu passo é de alguém que adora de paixão sentar e se afundar em compromissos acadêmicos e que só sabe falar disso, aí sim eu não passava mais trabalho nenhum mesmo =) Tanto pela imagem, como resultado de um esforço ferrado. Fica a dica e bom resto de faculdade medíocre pra galera.

(Realmente não me emputeço mais com esse tipo de situação, com todo o silêncio bastante magoante da vida carioca, com essa existência desintegrada. Mas o meu trabalho não vai ser ponte de contato com quem no resto do ano nem percebe se eu ocupo uma cadeira ou não)

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// Tuesday, September 29, 2009
Um Suspiro


Ah! Se ela soubesse
da incoerência de cada mundano
não pedia clemência,
perdia a paciência e não sambava
apenas ao raiar do ano.
Se ela soubesse, pegava suas penas,
fazia retalhos, manchava o assoalho com a sua finesse,
abria sorrisos de puro
verão, e dizia:
a paixão não é de quem a merece,
e despia a inocência e jogava no chão.
Se ela soubesse - porém, e convém frisar -,
talvez não suportasse tanto
desenlace injusto, tanto soluçar é de quem sabe o tutano - mas apenas quem sabe padece.

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// Monday, September 21, 2009
sintéticos, silicatos e alguns rasgos abruptos


Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock’n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim

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// Wednesday, July 1, 2009
Cumulus-nimbus


"Era uma daquelas épocas estranhas na cidade, à qual correspondia - naturalmente - um céu nublado e abafado. Os dias de sol são absolutamente inconseqüentes; enquanto não caíam os pingos (e, na verdade, nem era possível garantir se ou quando eles cairiam - as nuvens que pairavam eram de um tipo concentrado em si mesmo, que por vezes atinge intacto o litoral, para então, docilmente, se desfazer), eu teimava em querer adivinhar, pressentir sinais de mal-estar naquilo que surgia. Números repetidos ao ver as horas. De cada dez mulheres que passavam, uma estava grávida. Um eterno cheiro de cabelo suado resistia nos bancos de ônibus.
Cismei com um mau presságio. Ao meu lado, Renata fumava. Era cedo ainda, e a maior parte dos prédios não acenderia luz alguma até umas seis horas. Já as igrejas tinham se resignado diante da patente escuridão interna, e os vitrais reluziam, difundiam suas lâmpadas amarelas. Transeuntes, muitos. Era divertido considerá-los também como mau presságio, imaginar exatamente o conjunto de pessoas do momento em: um motim, um incêndio, uma ciranda."

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// Saturday, June 6, 2009
2002-so far


Quando eu vi que o Largo dos Aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha aflição
Eu fui morar na Estação da Luz
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração

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// Monday, May 25, 2009
Pathos


"Quando cresci e senti que cresci porque meus ossos doeram, meu desejo profundo era ser bonita a ponto de assustar os homens. Eu não o era - era um bichinho mirrado e a maior parte dos homens que me envolviam era composta tampouco de homens: nada além de protótipos, protótipos impacientes"

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// Sunday, May 24, 2009
El poeta dice la verdad


Quiero llorar mi pena y te lo digo
para que tú me quieras y me llores
en un anochecer de ruiseñores
con un puñal, con besos y contigo.

Quiero matar al único testigo
para el asesinato de mis flores
y convertir mi llanto y mis sudores
en eterno montón de duro trigo.

Que no se acabe nunca la madeja
del te quiero me quieres, siempre ardida
con día, grito, sal y luna vieja:

Que lo que me des y no te pida
será para la muerte, que no deja
ni sombra por la carne estremecida.

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// Friday, May 15, 2009
Sorrisinho insolente


E nada como um tempo após um contratempo
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando, até quando, não, não, não
E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale um filho na mão Do que dois pais voando
Você não gosta de mim, mas o seu filho gosta
Você não gosta de mim, mas o seu filho gosta
Ele gosta do tango, do dengo, do mengo, domingo e de cócega
Ele pega e me pisca, belisca, petisca, me arrisca e me enrosca

Ai, esses filhos ;D

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// Saturday, May 9, 2009
A outra volta do parafuso


"Oh, era uma armadilha - não designada, porém profunda - para minha imaginação, minha delicadeza, para minha vaidade, talvez; para o que quer que fosse, em mim, o mais excitável."

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// Wednesday, May 6, 2009
Das Marionettentheater


As marionetes no palco rodopiam, e, à distância, um espectador tem a impressão de que são exímias dançarinas. Mal sabe ele - embora seja uma situação evidente ao se aproximar - que essas mesmas marionetes são capazes de se embolar sozinhas em seus fios de náilon.
As teias às quais se agarram pelas extremidades parecem infinitas, e ainda mais encruzilhadas em meio a tantos nós. (Existiria alguém na platéia paciente e determinado o suficiente para desatá-los? Estariam todas conectadas por um único novelo?) Lá estão os braços de madeira polida, as articulações, os grandes olhos penetrantes: que será desses bonecos? Poderiam eles dançar qualquer ritmo? Ou alguma seqüência de passos (coreografada, rebobinada, totalmente aleatória) seria menos embrenhada?
Lá estão, sob os holofotes. É impossível saber, de cima do palco, se estes estão acesos ou não. Mas lá estão. Entre os assentos e os bastidores. Os pés de acaju ribombam sobre as tábuas do assoalho - daí, talvez, decorra o movimento que ribomba no peito e nos ombros angulosos até os fios de suas cabeças de mogno se eriçarem.

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HOJE, NESTA ILHA, ACONTECEU UM MILAGRE
Cecília, CèS, Tchitchilia
19 anos
Rio de Janeiro
"She wants", said Jay Cee wittily, "to be everything."


ENGRENAGENS E ARTICULAÇÕES
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Imagem de fundo: Megaman. Fonte: Visitor. Ao som de: Tom Jones - Sex Bomb.

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