"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...
Eu não amo quem não me ama!
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Não digo quem é, mas tem gente que ODEIAALGUÉM QUEEUTAMBÉM NÃOPOSSODIZERQUEMÉ. Tá bom assim? E eu ainda não descobri quem eu vou odiar além do ORIGAMI. É que tem que ser alguém que canta.
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POEMINHA SURREALISTA Millôr Fernandes
Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.
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Pra não deixar ninguém esquecer!
Piada de professora: Um rapaz trabalhava em uma empresa e não compareceu à festa de confraternização realizada no final do ano. No dia seguinte da festa, ele encontrou, por acaso, com um cologa de trabalho. A pergunta foi inevitável:
- Olá! E aí, como foi a festa ontem?
- Foi ótima, você perdeu... Comida, bebida... sabe como é.
- Ah... que bom! Então quer dizer que o pessoal gostaram da festa?
- OH QUÊ? O pessoal GOSTARAM da festa?!? O pessoal ADORARAM a festa!
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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.
Por exemplo, esta semana eu posso fazer a lista das cinco coisas que me fazem fazer o bem sem olhar a quem:
1.Poder ajudar;
2.Ver olhos brilhando;
3.Doar (meu tempo, minha vontade e o que mais eu puder);
4.Ensinar;
5.Crescimento pessoal (de todas as partes).
Todo mundo merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio: Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não. Segunda alternativa: Fui, porém contrariada. __________
Cantinho do Leminski
tarde de vento até as árvores querem vir para dentro
tudo dito, nada feito, fito e deito
temporal fazia tempo que eu não me sentia tão sentimental
rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?
incenso fosse música isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.
Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.
epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em desastres
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida." Lord Byron
Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Cláudio, o da Ana, o das Amigas, a página do Cláudio e o fotolog do Guto são filhos. Minha família está diminuindo!
20:51 A Primavera faz redemoinho dentro de mim. E no gramado da escola faz parecer outono.
Jardim da Fantasia
Paulinho Pedra Azul
Bem te vi Bem te vi Andar por um jardim em flor / Chamando os bichos de amor / Sua boca pingava mel / Bem te quis / Bem te quis / E ainda quero muito mais / Maior que a imensidão da paz / E bem maior que o sol / Onde estás? / Voei por este céu azul / Andei estradas do além / Onde estarás meu bem? / Onde estás? / Nas nuvens ou na insensatez? / Me beije só mais uma vez / Depois volte pra lá
01:44 E quando penso em caleidoscópio penso em um monte de "eus", idiotas, fragmentados, espalhados lá no fundo do túnel da minha vida. E como pano de fundo meu rosto refletido em milhares de palhaços.
Assisti DOM. Estou com tanta preguiça de criticar o filme quanto a tenho de discutir se Capitu traiu ou não traiu Bentinho. Não, não traiu.
10:43 Eu ainda não sei bem o que sou, mas sei o que eu queria ser: escritora. Ops! Acho que acabei de descobrir que sou uma escritora frustrada.
09:00 O ruim - ou o melhor - de ler o Chico é que ele parece estar dentro do seu ouvido, narrando daquele mesmo jeito que ele fala, canta e sorri, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Acho que a Primavera fazia bem a ela; estava corada, usava uma saia curta, e naquela noite, em vez de comida descongelada, serviu um espaguete à bolonhesa preparado na hora. Também me mandou abrir um vinho italiano que apenas degustei (...)
O homem simples no banco do ônibus se ofereceu para carregar minhas coisas. Uma delicadeza. 'Assim fica mais fácil', disse ele. Uma pasta de couro marrom não muito grossa mas bem pesada, cheia de cadernos papéis e anotações, uma agenda e o livro novo do Chico do lado de fora. Acho interessante a intimiadde que todos nós temos com ele: o Chico. 'Que Chico?', haveria de perguntar qualquer pessoa. E isso me irrita: a resposta óbvia a sair de minha boca, 'O Chico'. E assunto encerrado. Budapeste estava virado com a contra-capa para cima. Agora, quem já viu o exemplar entenderá bem o que vou dizer. Com algum mínimo esforço poderá mesmo visualizar a cena. Os olhos dele ali se fixaram. Faziam aquele movimento curioso de ir e vir sobre cada linha. 'Bom livro?' 'É!' 'Em qual língua?' 'Húngaro.' Respondi numa Feliciade quase Clandestina. Talvez Clarice me entendesse. Não menti.
Percebi que Kriska tornara a me querer bem. E provavelmente imaginara que eu lhe viraria as costas, tão logo desvendasse o idioma húngaro por completo. Então cobri sua mão com a minha e lhe disse: serei para sempre teu discipulo humilde e grato. Ainda com uma lágrima e lhe descer na face, ela sorriu e disse: fala mais, por Deus. E eu: as melhores palavras que sei emanam de ti, devem a ti seu rigor e sua beleza. E ela: só mais uma vez, suplico-te. E eu: será somente teu o meu verbo, dedicar-te-ei meus dias e minhas noites.
Sabe o que mais gosto nos meus livros? Do que mais tenho ciúmes? Das minhas dedicatórias. Deliciosas dedicatórias. Não têm sumariamente um K., têm coisas escritas para uma amiga de infãncia que pode ser reconhecida ao primeiro olhar e esquecida no primeiro até logo, têm impossibilidades de desejos para uma amante impossível. Sabedoria ultrapassada e milenar, os livros, todos, centenas, ali naquela e(in)stante olham para mim, ignorantes dos tesouros que alguns deles carregam escondido na estampa das primeras páginas.
Assim como se esquece o nome de pessoas próximas, quando a memória começa a perder água, como uma piscina se esvazia aos poucos, como se esquece o dia de ontem e se retêm as lembranças mais profundas.
Sabe o que é ruim no livro novo do Chico? É que ele acaba. Já se acabou.
Ponha a mão no peito e sinta as batidas do seu coração.
Esse é o relógio da sua vida tiquitaqueando a contagem regressiva do tempo que lhe resta. Um dia ele parará. Isso é cem por cento garantido e não há nada que você possa fazer a respeito. Portanto, não dá para perder um único precioso segundo.
Vá atrás do seu sonho com energia e paixão, ou, então, recue e veja-o escorrer pelo ralo. Se você passar o tempo todo em cima do muro, acabará não indo a lugar algum no pouco tempo que lhe resta (sem falar, claro, no perigo das farpas em lugares inconvenientes). Como dizem: "não se salta uma fenda em dois pulinhos".
É preciso coragem e dedicação para viver o seus sonhos. (Claro, também é preciso lembrar onde acaba a coragem e começa a estupidez). A verdade é que todos nascemos com potencial para a grandeza, abençoados com oportunidades para alcançar novas e estonteantes alturas. Mas, tristemente, muitos de nós são preguiçosos demais, preocupados demais com o que os outros possam pensar, com medo demais de mudanças, para abrir suas asas e usar todos os seus talentos.
É importantíssimo fazer o que deixa feliz - e da melhor maneira possível. Não importa que seja fazer bolas de neve, prender a respiração debaixo d'água, cantar, ou conseguir efeitos dramáticos com um secador de cabelos. Só o que interessa é que você se sinta bem com o que está fazendo.
Tenha sempre em mente que, faça o que você fizer, os enganos são parte da vida e não perca tempo se castigando por erros do passado. Não fique ruminando se está ou não fazendo a coisa certa. Você sempre saberá a resposta no seu coração. Em vez de desanimar-se, lembre-se sempre de que rejeição e resistência são inevitáveis quando se faz algo muito importante ou especial.
Quando você se propõe a realizar seus sonhos, muitos tentarão detê-lo (incluindo os que mais amam você). O que não falta neste mundo são pessimistas lamentáveis, que desistem dos seus sonhos, para lhe dizer: "não perca seu tempo, você nunca conseguirá."
Você pode muito bem se ver cercado por pessoas que, secretamente, querem ver você fazer menos, ou fracassar por completo, para não se sentir diminuídas. "Esqueça isso", dirão. "Não vale a pena." Por isso, é importante compreender que seguir o seu próprio caminho pode ser incrivelmente recompensador, mas não é fácil não. Como todo mundo, você terá alguns dias melhores que outros. De vez em quando, tudo parecerá uma grande zona de perigo.
As pessoas olharão para você com estranheza quando souberem o que você está tentando atingir e você começará a ouvir seus detratores e a ter dúvidas. "Porque não continuei vendendo bananas, meu Deus?"
Mas, aconteça o que acontecer, não desista!
Lembre-se de que todos têm dificuldades.. É incrivelmente cansativo passar dias fazendo coisas que não nos agradam ou sequer nos interessam. Mas, se você perseguir o seu sonho, pelo menos se cansará fazendo o que mais gosta.
Você pode achar que nada disto significa muito no grande esquema global das coisas. Mas, acredite: significa. Quando você tirar tudo que puder da sua vida, saboreando cada gota, isto mudará tudo à sua volta, de ordinário para extraordinário. Quando estiver fazendo o que ama, você se levantará de manhã cheio de animação para enfrentar o começo de cada dia e estará tomado de uma alegria sincera, altamente contagiante.
Do mesmo modo que, ao dar uma boa risada, faz outro começar a rir, e outro, até que estão todos rindo tanto que começam a lacrimejar, ter dor de estômago e dificuldades em respirar. Mas, melhor do que tudo, fazendo coisas que enroscam os seus bigodes de fazer (presumindo-se, claro que você tenha bigodes), você inspira outros a irem atrás dos seus sonhos, e é assim, meu amigo, que se transforma o mundo!
Sabe de uma coisa? Mesmo que você cometa enganos e esteja errado sobre quase tudo, ainda assim sua vida será uma aventura fantástica e divertida; você dormirá cada noite sabendo que fez o que podia e isso fez diferença e acordará a cada dia antecipando o futuro tão belo e excitante quanto puder imaginar.
E sabe de outra coisa? Se você ouvir seu coração e usar a cabeça, nunca estará errado.
Eu sou a amiga dos que sofrem.
Aproxima-te do meu coração, Amado.
Amado, conta-me teus segredos.
Onde nasceu a tristeza que nos teus olhos mora,
que causa tem a palidez que unge teus lábios
e esse tremor que tuas mãos comunicam às minhas?
Por que não vens, à hora confidencial do crepúsculo
sobre o banco de pedra esquecido entre árvores,
junto à fonte chorosa
e os afagos do vento perfumados de flores,
derramar no meu coração
as palavras reveladoras
que me fariam participar da tua amargura,
do teu desespero,
ou simplesmente do teu cansaço de viver?...
Quando desfalecesse a tua voz em sussurro
e o luar surgisse acariciando o céu em penumbra,
talvez, Amado, talvez sorrisses,
vendo aflorar nos meus olhos noturnos
a lua pequenina da lágrima.
08:19 Jota não aparece na tabela periódica mas em compensação é o nome de uma dança popular espanhola, executada por dois pares de dançarinos que se acompanham com castanholas. Muito melhor! Fez-me bem saber disso, amigo Bala.
- Deus disse: A vingança será minha!
- Eu não acredito em Deus.
- Não importa. Ele acredita em você! O Conde de Monte Cristo
Não viu ainda? Está esperando o quê?
Emblema
Helena Kolody
A fogo imprimiste, Senhor,
Na carne de meu coração
A tua insígnia de dor.
13:27 Lindo sábado de manhã faz hoje. Acabei de chegar do GAVEP. Eis o que escrevi enquanto meus alunos faziam, do forma extremamente compenetrada, exercícios sobre Glaura e o Arcadismo Brasileiro.
Ali, naquela sala, não sei quantos pares de olhos ao certo me devoram. Iam muito além do meu corpo buscar nas palavras soltas no ar conforto e respostas, não para questões de vestibular. Cada um ali, na sua inocência ou malícia, me jogava na cara, trazia à tona, uma história de vida particular, um estigma social encrustrado em um lugar bem mais fundo que a epiderme. Homero, Anacreonte, pouco importavam. A perfeição dos versos saltava à forma das poesias e colocava-se sentada em cada carteira, refletindo-se na perfeição de ser humano. E na noite escura da pele de cada um deles eu fazia acordar estrelas que brilhavam fortes, que brilhavam claras,q ue brilhavam altas. Não, o homem não é um produto do meio, o homem é pedra bruta lapidada por suas próprias mãos. Gente não foi feita para morrer de fome, foi feita para aprender. E é ensinando que se aprende. Aprende que tem muito mais gente que precida da gente do que pode imaginar a nossa vã filosofia. Aprende que o que a gente acha que é pouco é muito para quem tem o nada como base de comparação. Aprende que a gente só continua vivendo porque nosso trabalho de aprender é um ciclo vicioso. Que continua... continua... continua...
Estou há dois dias pensando em como é que a gente agradece a quem nos mandou o livro novo do Chico de presente dentro de uma caixa de jujubas. Vou continuar pensando. Pensando bastante. Pensando bem. Começo pelo obrigado, aliás, já comecei.
Porque minha mão seria sempre minha mão, quem escrevia por outros eram como luvas minhas, da mesma forma que o ator se transveste em mil personagens, para poder ser mil vezes ele mesmo.
Chico, Budapeste
09:49 Por que é que o "J" é a única letra que não aparece na tabela periódica dos elementos?
Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva seu caminho tem vontade.
Seja iluminado, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.
O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, por não estar competindo, ninguém no mundo pode competir com ele. Lao Tsu
Depois do erro existem dois tipos de pessoas: aquelas que te perdoam e aquelas que não te perdoam. Pronto, é só isso. Simples assim.
Se meu amigo Bala recomendou eu tenho certeza de que é bom. Se a Anna Barbara enfatizou, é doce. Acho que descobri o motivo da greve dos carteiros: todos eles resolveram ler o meu livro do Chico antes que ele chegue até mim. Espero que pelo menos paguem as multas por atraso nas contas de telefone.
"... e agora meus ombros se retesavam não pelo que eu
via, mas no afã de captar ao menos uma palavra.
Palavra? Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura,
do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber
onde cada palavra começava ou até onde ia. Era
impossível destacar uma palavra da outra, seria como
pretender cortar um rio a faca. Aos meus ouvidos o
húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não
constituída de palavras, mas que se desse a conhecer
só por inteiro. E o avião reapareceu na pista, numa
imagem distante, escura, estática, que salientava mais
ainda a voz masculina da locução em off. A notícia do
avião já pouco me importava, o mistério do avião era
ofuscado pelo mistério do idioma que dava a notícia." Trecho de Budapeste.
Tudo bem, não foi o suficiente. Você ainda não se convenceu? Então veja e escute o Chico lendo e falando sobre o primeiro capítulo do seu novo livro: Budapeste. Uma classificação? Vacilo entre imperdível e apaixonante.
23:33 Quem me conhece, quem me lê, já está cansado de saber o que agora vou dizer: eu nunca cumpro minhas promessas. Não em ações, que acabo por fazer, mas em tempo, que ainda não aprendi a multiplicar. Foi humanamente impossível ler e conseguir selecionar os textos inscritos no nosso concurso literário do Conto de Réis, sequer comemoramos o aniversário. Mas o faremos em grande estilo. A verdade, verdadeira mesmo, é que a surpresa me atrai. Tanto que parei de fumar há mais de dois meses sem nem perceber, o susto da minha própria descoberta me fez até acender um cigarro. Espero que pensem o mesmo.
Se a vida fosse sempre encarada como uma gangorra vista por uma criança talvez todos pensassem muito mais em chegar ao céu e muito menos em proteger-se do chão.
00:50 Ainda o mesmo assunto, ainda a mesma espera, ainda a mesma busca.
Dom Helena Kolody
Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.
Deus por mim mesma: Meu Deus é muito mais justo comigo do que o seu o é. E continuei...
... nos portões da entrada dos céus, após a travessia na Barca da Glória, Jesus recebe mortificadamente os inocentes pensando: Perdoai-vos, ó Pai, eles não sabem o que deixaram de fazer.
Notas musicais,
Dentre bolas de salão,
Que de nossas serenatas vieram.
Flores que ofertamos
E que nunca morrerão
Em vasos e jarras se bronzeiam.
Os anjos de onde vem sua vida bem-vinda,
Os livros não são sinceros,
Quem tem Deus como império
No mundo não está sozinho
Ouvindo sininhos. Marisa Monte e Carlinhos Brown
17:56 Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Ele fez, vou estragar a Sua reputação... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.
Clarice Lispector, Perdoando Deus
20:25 Tenho fases como a lua. Fases de estar cheia de tudo, fases de ser só sua. Por favor, estou par(odiando)afraseando quem?
O drama alheio Helena Kolody
De início, não me afeta o drama trivial.
Mas, aos poucos, a história enfim me contagia.
Vibro num acorde intenso de alegria,
Quando a hora da ventura é de fazer cantar.
Acre, fere-me em cheio a rajada perversa
Que fustiga os heróis; e sua sorte adversa
É tão real, é tão viva, é tão minha,
Que os vagalhões em fúria desse mar
Se espedaçam nas vergas de meu peito
Com ímpeto tamanho e de tal jeito
Que sinto o coração arrebentar.
E só ao cair do pano é que percebo, arfante,
Que o júbilo e o amargor desse drama empolgante,
Não eram meus, afinal!
O poema acabou por aqui, bem no lugar aonde nossos dramas começam. E nossos dramas terminam em algum lugar? Em lugar algum?
08:54 Quase fizemos um atentado literário! Desejo mais poesia ao mundo.
A PAZ João Donato e Gilberto Gil
A paz
Invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais.
A paz
Fez o mar da revolução
Invadir meu destino; a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz.
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz.
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais".
21:37 Sei que muita gente pode se perguntar e daí, mas faltam apenas três dias para que possamos reviver mais uma das grandes covardias de que o homem é capaz. Ele se supera sempre, de uma forma ou de outra. Três anos se passaram, milhares de vida se perderam, mas as lembranças ficaram. Não foram só pessoas que morreream naquele 11 de setembro há três anos, foi um pouquinho da crença que cada um de nós ainda tem ou tinha no ser humano. É como uma chama vacilante; o vento pode não apagar, mas abala. Abala nossas estruturas mais bem planejadas, trinca o concreto perfeitamente compactado, empurra do décimo primeiro andar alguns dos nossos muitos ou poucos sonhos. E eles ficam ali, estatelados no chão.
Dos lagares da guerra,
escorria por sobre o mapa do mundo
o escuro sumo
da vida esmagada.
Esquálida,
vencida,
no pedestal das máquinas
agonizava
a vida dispensada. Helena Kolody
Escolhi minha arma para lutar contra o terrorismo instalado dentro do próprio homem. Lutamos contra nós mesmos, essa é a premissa básica. Na manhã de 11 setembro de 2003 sairei munida de um livro que seja importante para mim. Um livro que tenha mudado minha maneira de ver o mundo, ou que eu acredite que possa mudar a vida de alguém, de alguma forma. Escreverei nele uma dedicatória para você... e vou liberá-lo! Vou liberá-lo numa via pública, sobre um banco de praça, no ônibus, em um café, no supermercado ou perto da escola. Vou liberá-lo para um leitor desconhecido, para você. E você? Adotará um livro que esteja em seu caminho, caso ele surja. O dia 11 setembro não deve ser mais um aniversário fúnebre nos nossos calendários hisóricos escolares, e sim um dia de troca de energias. Quem sabe juntos não transformaremos essa data em um ato de civilidade, criatividade e generosidade? Recebi um mail dizendo que a mobilização será geral em Bruxelas, Paris, Florença e São Francisco. Não acredito em mensagens assim como também não acredito em bruxas (pero que las hay, las hay), mas acredito no poder da internet e no poder de cada um de nós. Farei isso em minha cidade, Belo Horizonte, aqui no Brasil. Você: escritor, leitor e amante dos livros (e das pessoas) em geral, libere um livro em algum lugar público. Compartilhe dessa idéia e faça circular cultura e solidariedade. A muralha da paz a gente constrói com vários tijolos.
Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...
Ô, abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do serrado
Bota o rei congo no congado
Brasil! Brasil!
Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver a “sá dona” caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...
Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiscreto
O Brasil, verde que dá
Para o mundo se admirá
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...
Ô, esse coqueiro que dá côco
Ôi onde amarro a minha rêde
Nas noites claras de luar
Brasil! Brasil!
Ô, ôi essas fontes murmurantes
Ôi onde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincá
Ôi, esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil! Brasil!
Prá mim... prá mim...
Acho que se hoje, o presidente resolvesse gritar às margens do lago Paranoá: Independência ou morte! Seria atingido, na mesma hora, por uma bala no peito. Em cima da faixa presidencial.
08:37 Acordei hoje bem cedo e aproveitei o tempo da madrugada para colocar em dia minhas leituras atrasadas. Parece que eu precisava fazer isso para encontrar no Batom na Cueca um texto como há muito eu não via:
Por que fazemos certas coisas, hein???... Matar "anjos" por exemplo... Às vezes, o mau humor, a falta de sensibilidade e os erros banais de convivência nos fazem "matar" um pouquinho anjos que só nos fazem bem. Ou, nós mesmos não temos nem um tiquinho de paciência, e não sabemos perdoar. Porque somos anjos também, somos importantes e fazemos o bem para quem está em nossa volta!!! Mas somos "meio" anjos... pois, se ainda ferimos alguns de nossos maiores amigos, anjos "completos" é que não poderíamos ser... e acredito que cada "desculpa" ou cada "eu te desculpo" ganhamos mais luz e força... nos completamos aos poucos... dia a dia... devagarinho....
Pega-se um anjo, amigo desses invisíveis que te fazem companhia, amigo que te oferece ajuda, a mão que se estende aberta de braços abertos. Tome-se o anjo, deixe-o se embriagar com o veneno de suas palavras, destilado com sua inveja e rancor. Conspire e tente sua confiança. Faça-o cansar suas asas, perder seu vôo. Deixe-o em lenta agonia, duvide da missão divina que lhe foi atribuída. Torne seus sonhos desesperança. Durma sem ao menos lhe dar sorriso, ignore seu olhar, faça de sua cantilena tristeza infinita. Deixe-se dilapidar por vícios e equívocos. Amaldiçoe-o, torne-se impassível diante da dor. Dispense toda benevolência que porventura ainda resista. Não ofereça seu amor. Risque para sempre a palavra perdão.
Nunca esqueça. Anjos sempre retornam ao lar.
Hoje ele pousou na minha morada. Leleco
Eu queria que um anjo pousasse de novo no meu ombro. É só mais uma forma de pedir desculpas a você, amiga.
I heard he sang a lullaby I heard he sang it from his heart When I found out I tought I would die Because that lullaby was mine I heard he sealed it with a kiss We gently kissed her cherry lips I found that so hard to believe Because his kiss belonged to me
How could an angel break my heart Why didn't he catch my falling star I wish I didn't wish so hard Maybe I wished our love apart How could an angel break my heart...
I heard her face was white as rain Soft as rose that blooms in May He keeps her picture in a frame And when he sleeps he calls her name I wonder if she makes him smile The way he used to smile at me I hope she doesn't make him laugh Because his laugh belongs to me
How could an angel break my heart Why didn't he catch my falling star I wish I didn't wished so hard Maybe I wished our love apart How could an angel break my heart...
Oh My soul is dying... it's crying... I'm trying to understand! Please help me!! How could an angel brake my heart Why didn't he catch my falling star I wish I didn't wish so hard Maybe I wished our love apart How could an angel break my heart.
20:50 Os dias de céu limpo, sem nuvens, são os mais frios, ou os mais quentes. O céu é sempre o mesmo. O que muda são a estações. Ou as roupas que você usa.
Às vezes eu acho que sou várias. Vareio.
Por motivo de força maior o aniversário do Conto de Réis não será comemorado no dia do aniversário do Conto de Réis, dia 7 de setembro. Eu não esperava estar tão fora de mim estes dias e tão dentro das escolas, por isso não tive tempo de avaliar com o devido cuidado e carinho que meus leitores merecem os inúmeros e maravilhosos textos que recebi para o nosso concurso literário. Adio o resultado e as comemorações para o dia 14 de setembro. Adiar coisas boas só é bom porque adia a certeza da delícia. Se alguém ainda quiser participar, aproveite o intervalo de uma semana, junte os traços e é só mandar.
23:40 Eu acho bonito um mês que começa na segunda-feira.
Com tanto passado, aonde sobra espaço em mim para caber o presente?
Hoje eu escrevi um texto em homenagem à Helena Kolody (tomara que ela nunca fique sabendo disso).
Outra dimensão
E fiquei pensando: quem essas palavras pensam que são?
Arremedo de gente? Me pegam, me falam, tanto bem quanto mal, me usam de instrumento e aprisionam meu sentimento. Com instantes constroem textos, com textos constroem histórias, das histórias tiram-me a vida. Esquartejam-me em letras, sílabas, versos. E lá (aqui) estou eu, toda em pedaços. Nua. Na noite e no dia. Despida no mundo. Despida do mundo. Os olhos que me olham devoram-me a boca, os membros, o cérebro, a vulva. E penetram, mesmo que eu sinta todas as dores, defloram-me puta pura, interpretando-me pelo bel prazer. Junto envergonhada e deliciada meu alfabeto para esconder-me atrás de uma metáfora. Tento conter minha verborragia. Faço então um plágio de mim mesma, no qual meu corpo passa a ser apenas mais um de meus pastiches originais.
Aprender dói na medida em que não nos mostra a vasta extensão (in)exata da nossa própria ignorância.
Um pouco mais de sol... e eu era brasa Um pouco mais de azul... e eu era além Mário de Sá Carneiro
Por que Conto de Réis?
Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?
Eu recomendo! A hora da estrela de Clarice Lispector; Amadora de Ana Ferreira; Afrodite de Isabel Allende; Clube dos anjos de Veríssimo; Nome falso de Roberto Piglia; Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.
Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges
PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR by poetinha
Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.
Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.