Conto de Réis

Minha vida vale mais de um conto e cem...





Explicando o inexplicável
Dádiva: Tudo que é dado com tanto amor e recebido com tanta felicidade que só sendo divino mesmo.
by Adriana Falcão
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"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...

Eu não amo quem não me ama


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Não digo quem é, mas tem gente que
ODEIAALGUÉM
QUEEUTAMBÉM
NÃOPOSSODIZERQUEMÉ
.
Tá bom assim?
Eu já descobri quem eu vou odiar, além do ORIGAMI. Se tem que ser alguém que canta, então vamos lá: EUODEIOAMARIARITA.
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POEMINHA SURREALISTA
Millôr Fernandes

Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.

HAIKU
Millôr Fernandes

Prometer
E não cumprir:
Taí viver.

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Pra não deixar ninguém esquecer!
Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta.
Caio Fernando Abreu
, na última carta de "Cartas".

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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.

Por exemplo, esta semana eu posso fazer a lista das cinco coisas que me fazem fazer o bem sem olhar a quem:
1.Poder ajudar;
2.Ver olhos brilhando;
3.Doar (meu tempo, minha vontade e o que mais eu puder);
4.Ensinar;
5.Crescimento pessoal (de todas as partes).

Todo mundo merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio:
Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não.
Segunda alternativa:
Fui, porém contrariada.
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Cantinho do Leminski

que tudo passe
passe a noite
passe a peste
passe o verão
passe o inverno
passe a guerra
e passe a paz

passe o que nasce
passe o que nem
passe o que faz
passe o que faz-se

que tudo passe
e passe muito bem

incenso fosse música
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.

Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.


epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em desastres

viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte

deus tenha pena
dos seus disfarces

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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida."
Lord Byron






Eu Sozinha Futebol Clube
Professora 24 horas

Dias que passaram

Setembro 2002
Outubro 2002
Novembro 2002
Dezembro 2002
Janeiro 2003
Fevereiro 2003
Março 2003
Abril 2003
Maio 2003
Junho 2003
Julho 2003
Agosto 2003
Setembro 2003
Outubro 2003
Novembro 2003
Dezembro 2003
Janeiro 2004
Fevereiro 2004
Março 2004
Abril 2004


Hoje

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Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Cláudio, o da Ana, o das Amigas, a página do Cláudio e o fotolog do Guto são filhos. Minha família está diminuindo!

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Hoje é dia de quê?

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Saiba o que aconteceu no dia em que você nasceu!!!
Jornal do Aniversário

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O texto também tem uma forma humana, uma figura, um "anagrama do corpo".
Barthes


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Prêmios
Eu mereço!




EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA



Se aproxegue no Dedo do Quevedo!

Venha para il Mondo d'Orwaldo

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Eca 2003
Patifes on line 22F
Fotos da 22G


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Segunda, 31 de maio

15:04 Pensamos juntos: e se escrevessemos juntos? Mas a verdade é que eu não consigo pensar em palavra alguma que possa servir neste momento. Preciso de tradução, do vocábulo exato. Mas ele não existe. Desde que cheguei aqui, em São Paulo, tenho pensado nisso: eu preciso da palavra, eu preciso das palavras. Preciso de todas elas. Sou menina feita de letras. Vejo pelas ruas minha história se multiplicando, se fundindo, se dissolvendo. Descendo a Paulista achei a antena onde perdi meu coração. Em poucas palavras, no primeiro olhar, foi abrir os abraços e se encontrar em algum lugar. E meu lugar era fora do mundo da imaginação. E meu lugar é aqui. Eu queria tanto falar de amor, mas eu não consigo. Só consigo senti-lo. Qualquer coisa que eu escrevesse sobre ele agora pareceria uma audácia. E ele pareceria sempre menor ou pior do que é, mesmo que eu usasse as metáforas mais belas e as rimas mais perfeitas. Sabem o que me embriaga? O amor não precisa ser. O amor foge. O amor se seconde. Mas ele não consegue não existir. E ele é ciclone em Porto Alegre, terromoto em São Francisco, trânsito em São Paulo, chuva em Belo Horizonte. Meu tempo está acabando, e o amor no início. Difícil isso.

Comente: Bilhete só de ida.

Sexta, 28 de maio

18:47 Post de despedida

Meu Deus, quanta coisa da minha vida fica escondida, no meio, dentro, plantada nesse mar de montanhas de Minas. "Eu sou da América do Sul, eu sei vocês não vão saber..."

Se eu começasse agora uma carta para essas pessoas a quem, até então, dediquei minha vida, eu as chamaria não de alunos, mas de companheiros. A eles eu pediria conselhos, não os daria. Com eles aprenderia, não ensinaria. Aliás, hoje vejo que foi exatamente isso o que essa profissão fez de mim: uma aprendiz. Minha vida sempre foi dentro de sala de aula, primeiro, sentada na carteira, no lugar daqueles que hoje me olham, agora de pé aqui na frente, no lugar daqueles que antes eu admirava. Sempre o admirável mundo novo. E é para ele que mais uma vez a vida me impulsiona. Ser professora é nascer assim, com olhos que não se acomodam à idéia de mundo redonda que um dia nos envolve. É querer mais, ser mais, ver mais, saber mais, se dar mais. O que você quer ser quando crescer? Eu, Juliana, 25 anos, professora, formada, pós-graduada, ainda não sei. Acostumei-me à eterna expectativa da nova turma, da sala cheia, do primeiro dia de aula, do momento de estréia. Lembro-me até hoje do rosto incrédulo de minha mãe: "Vai fazer Letras pra quê? Quer ser professora? Vai morrer de fome?" Mas o brilho que emanava daquele olhar adolescente era desafiador. Ninguém com aquela idade precisa de dinheiro para mudar o mundo, e mudar o mundo foi tudo o que eu quis um dia. Mas o mundo é grande, tão grande que não cabe na palma de nossas mãos. Nossos ombros também não suportam o peso do mundo e começamos a nos preocupar com algo menor, mais frágil e infinitamente mais precioso, começamos a nos preocupar com pessoas. Pessoas estão por toda parte, multiplicam-se, incomodam-nos. Pessoas exigem de nós atenção, responsabilidade, tempo, cuidado, conhecimento ou só carinho. Pessoas são complicadas, são diferentes. E alguém, sem tempo e sem corpo, nos ensina nessa jornada de descobrir gente como a gente o que é ser mãe, pai, filho, amigo, namorado, esposo, psicólogo, pesquisador, estudante, administrador e sempre professor. Depois da descoberta, vem a fase do conhecimento, gradual e profundo. É inevitável chegar-se, então, ao amor. E quando se ama tudo fica mais difícil: abrir mão, ousar, procurar, tentar. A vida é um caminho incerto, mas não podemos nos poupar dos passos que um dia daremos em caminhos desconhecidos. Junto com as novas possibilidades, novos medos. Viver é se arriscar. Nessas horas a gente fecha, ou abre, bem os olhos e vai. Rumo àquilo que se quer mesmo que ainda não se conheça. Fica de mim a certeza da missão cumprida em cada etapa vencida, nas noites mal dormidas, na ânsia do que parecia sempre por fazer, em cada matéria lecionada, em cada bom dia, boa tarde e boa noite, em cada confissão incontida, em cada abraço de despedida ou de chegada. Aos meus alunos eu desejo sonhos, tão imensos e belos como os meus. Aos meus colegas eu desejo paixão, aquela que move o mundo, desde à família até a profissão. Aos meus amigos eu desejo amor, e que seja grande o suficiente para liquidar imperceptível e completamente qualquer dor. Aos meus pais eu desejo o conforto da certeza da minha felicidade. Aquilo que muitas vezes não podemos dar com presença, são coisas do coração que só se percebem mesmo na ausência. E vou buscar meus sonhos, nos sonhos que se fazem das palavras dos outros. Tentar me encontrar em outras histórias, tentar acordar em outra cidade, mas carregarei comigo aqui dentro do peito, debaixo de sete chaves, a certeza de que nasci, sou e serei sempre professora, porque realmente acredito que mestre não é aquele que ensina, mas aquele que de repente aprende.


Comente: ...sou do mundo, sou Minas Gerais.

Terça, 25 de maio

19:51 Trecho da crônica do Arnaldo Jabour no Estado de São Paulo do dia 18 de junho, quem me conhece sabe que eu não poderia deixar de publicar.

(...) Muitas mulheres de bonitas bundas chegam a ter ciúmes de si mesmas e têm uma atitude envergonhada de suas formas calipígias. A mulher de bunda bonita caminha como se fossem duas: ela e sua bunda. Uma fala e ninguém ouve; a outra cala e todos olham. A mulher de bunda bonita não tem sossego; está sempre autoconsciente do tesouro que reboca. A mulher de bunda bonita mesmo de frente está sempre de costas. A mulher de bunda bonita vive angustiada - quem é amada? Ela ou sua bunda? Algumas bundas até parecem ter pena de suas donas e quase dizem: "Olhem para ela também, ouçam suas opiniões, sentimentos... Ela também é legal..." Mas, a verdade é econômica. A bunda hoje no Brasil é um ativo. Centenas, milhares de moças bonitas usam-na como um emprego informal, um instrumento de ascensão social. A globalização da economia está nos deixando sem calças. Sobrou-nos a bunda... nosso único capital.

Comente: Bê de Brasil.

Segunda, 24 de maio

20:13 You've got a mail

sobre o meu dia hoje: além de pensar em você eu acordei. acordei às 05:00h, como de costume, tomei banho, um copo de suco de laranja e fui ao colégio. hoje era o dia marcado por mim para contar aos meus alunos que eu iria embora. desde antes, desde o ensaio, eu sabia: isso teria gosto de lágrima agarrada na garganta, teria cara de lágrima escorrendo sobre a pele. me preparei tanto para esse momento e perdi todas as palavras ensaiadas quando ele aconteceu. sentir não é tão fácil quanto imaginar. eu precisava dizer e as letras, soltas, teimavam em ficar ali, perdidas como um balão no céu da boca, feito estrela polar sem norte. eu vou embora. recebi então flores e fotos e carinhos e agradecimentos e declarações rasgadas veladas e pedidos e promessas e confissões e presentes e livros. recebi aquilo que meu salário não paga. tenho algumas centenas de alunos, mas digo que cada um deles é cada um. e no meio desse tanto de cada um, existem alguns tão especiais. seria injustiça dizer nomes, mas talvez mais injusto ainda seria não dizê-los. mariana, bruna, flávia, júlia, fernanda, laura, beatriz, carolina, marina, frederico, rafael, guilherme, gustavo, pedro, sílvia. quantas histórias, quantos sonhos, quantos desejos, quantos dias, quantos planos, quantos deveres, quantos trabalhos. e minha história ficou tão bonita de repente: eu ali, na frente da turma, e o filme da minha vida sendo aplaudido de pé. foram seis anos de sala de aula e agora eu penso se sei viver longe dela. fora daquelas quatro paredes, atrás da vidraça, do outro lado da porta, longe do risco do giz, tem vida. saí do colégio e fui para casa. saí de casa e fui ao dentista. saí do dentista e vim pra casa. cheguei em casa e liguei o computador. cliquei em iniciar e abri o messenger. tudo o que eu queria agora era alguém que não me deixasse sentir sozinha. você.



Comente: Além do que se vê.

Sábado, 22 de maio

11:05 Seus sonhos um dia já se tornaram tão reais que lhe deram medo de acreditar? Medo de acreditar que não eram mais sonhos e você se pôs a pensar por que é que sonhou tudo daquele jeito agora que aquilo passa a ser verdade? E outros sonhos vão surgindo, dando lugar a espaços maiores, sentimentos desconhecidos e há sempre um novo e mais alto degrau a subir. Uma vez lá em cima é bom olhar para baixo: quanto mais alto mais terrível pode parecer porque a subida é longa, é dura, mas a vista é impagável. Torna-se necessário, agora, equilibrio e certeza. Olhar para trás é ver os perigos, é ver os erros, é ver o caminho de um ângulo diferente. Muitas vezes quem está na direção não contempla a paisagem, mas quando se chega o prazer são dois: ter conseguido trilhar o caminho e se deixar admirar pela descoberta da beleza até então negligenciada. As sugestões começam a tomar forma e mesmo que as formas sejam ainda incertas, já vive nelas a certeza do existir. E isso tantas vezes nos basta para continuar. Continuar a trilhar. Continuar a querer. Continuar a subir.



Nada melhor do que o tempo, e As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino.

"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebe-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço".

Comente: A vida de novo.

Quarta, 19 de maio

10:11 No banho, agora, pensei em tantas coisas... acho que Deus nem sempre escreve certo por linhas tortas, muitas vezes ele escreve torto em linhas retas para que nós possamos procurar sozinhos professores de caligrafia.

Minha mãe foi ontem ficar alguns dias com minha avó. Penso que o peso das horas de um século começaram a se tornar insuportáveis demais de se carregar sozinha. Tanta gente, tanto sentimento, tantos lugares, tanta história, tanta luta não cabem assim numa bolsinha de viagem que se proteja da chuva. O tempo agora é quase relavido diante da vida. Um último suspiro pode valer uma existência inteira. Minha vó é parte grande de mim. Cemiquinha, era assim que me chamavam quando criança. Cabelos e gênio, doces heranças dos segredos que carrega com ela, minha avó.

08:38 Vi. Gostei. Copiei.

A idéia eu não se de quem foi, mas o mais próximo de mim começou com o Sérgio, que está de blog novo, e foi copiada no Disco Voador do Antonio:

- Pegue o livro mais próximo de você;
- Abra na página 23;
- Ache a quinta frase;
- Poste o texto no seu blog junto com as instruções.

A um simples toque, uma pressão invisível (assim!) a caneta passa a escrever em vermelho ou azul, roxo ou cor-de-abóbora, conforme a fantasia do seu portador.

Cecília Meireles. Escolha o Seu Sonho. 22ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.

Comente: Escrever é algo que me persegue.

Terça, 18 de maio

16:29 Ahhhh... o amor!

Ahhhh... o amor. Mais dia menos dia ele chega. E quando ele chega não chega só, traz uma mala repleta de medos, alegrias, situações, momentos de profunda esperança, outros apenas de riso fácil. Traz reprise de filme na bagagem, lembrança de livro de colégio. Ele chega e arma a sua barraca no quintal do nosso coração. Com o tempo a gente nem mais percebe que ele já está morando ali: tomou posse da terra. Cultiva, planta, colhe, vende e um dia, quem sabe, vai embora... aí sim o amor mostra as garras. Estava hoje conversando com um amigo, amigo desses muito queridos que a vida lhe dá de presente e você nem sabe se merece tanto, e ele me dizia de seu amor. O amor dele mora nos seus olhos. Sabe que deve ser muito bacana morar nos olhos de alguém? É sinal de que a gente não lhe sai da cabeça. É sinal que a gente lhe enche o corpo e transborda pelos olhos. Pode-se ver os sorrisos nas pupilas. Pode-se ver um coração na íris. O fato é que ele me falava das incertezas de seu amor. Não do que ele sentia, mas do que ele queria. Isso me lembrava outras histórias de outros amigos e, por que não, minhas mesmo. Eu também já amei uma vez. Uma, duas, três. Nossa, e como amei. Amar para mim até então era ver beleza mesmo onde ela não existia. O amor era completamente irracional, por isso mesmo era amor. A mãe de uma amiga de infância sempre me dizia: “o amor é cego, surdo, mudo e tem paralisia cerebral”. Acho que o meu amor estava tão doente que eu demorei anos para entender o que ela queria dizer com aquilo. Acredito que muitas vezes na vida nós amamos. Amamos nossos pais, nossos amigos, nossos filhos, namorados e até nossos bichinhos de estimação. Tem gente que ama coisas. Mas acredito que na maioria das vezes nós só achamos que amamos. E achamos tanto que chegamos a acreditar que é amor aquele sentimento de posse, de dependência, de sofrimento, que dói, incomoda e não cessa. Então a gente pensa que só pode ser amor porque isso nunca aconteceu antes e nem há de acontecer de novo. A gente se esquece de que cada pessoa é uma pessoa e de que nada do que está acontecendo agora já aconteceu antes e nem vai acontecer de novo. Este é o momento. Nenhum sentimento é igual porque ninguém é igual a ninguém. Pois aí está a mágica do amor. A gente ama cada um de um jeito e é certo dizer que cada um tem o amor que merece. Tem gente que precisa sempre de um novo amor para ser feliz e não percebe que a felicidade está no amor próprio primeiro. Tem gente que ama todo mundo e não entende porque é que se sente tão sozinho sem saber que amor é escolha. Tem gente que tem pressa de amar e não percebe que o amor é paciência. Tem gente que simplesmente ama e não consegue, nem precisa, explicar. Nada é fácil nesta vida, mas tudo é escolha. E eu pensava em como dizer ao meu amigo que eu entendia o que ele estava sentindo, entretanto como poderia ousar saber seus sentimentos. Nossa dor sempre é maior e nosso sapato sempre aperta mais. Minha pouca vida me deu experiência de quase uma eternidade, posso dizer que um dia renunciei a mim mesma por pura fraqueza daquilo que eu achava se chamar amor. Hoje eu vejo que não. Minha vida só a mim pertence e se eu não tomar conta dela, alguém fará isso por mim. Só posso amar com ritmo, força e intensidade se eu sei o que estou fazendo e esse amor for escolha minha. O resto, aquilo que me faz sofrer, que me faz deixar de me ser, que pede mais de mim do que eu posso dar, que me faz sentir coisas que eu acho que não posso suportar, não, isso para mim não é amor. Não é o meu amor. Porque amor pra mim é... ahhhh... o amor é quando você quer, deixa e está pronto para amar.



Comente: Ahhhh... o amor!

Ainda no domingo, 16 de maio

22:46 Continuando a brincadeira, eu passo a bola.

Em busca das respostas, só encontrei mais perguntas

Quando me deparei com aquela idéia, logo pensei que seria genial. Os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, quadrinistas de primeira, propuseram no seu blog que cada visitante deixasse três perguntas que seriam respondidas por eles. Depois, aqueles que perguntaram repetiriam o mesmo nos seus blogs, levando a onda cada vez mais adiante. Mesmo sabendo o quanto isso vai ser arriscado, estou disposto a entrar na brincadeira. Já que fiz as minhas três perguntas para eles, e elas já foram respondidas. Fica assim lançada a proposta.


Estava lá no blog dos meninos, Memórias do Subsolo, e eu resolvi colocar aqui. Quem quiser me fazer três perguntas, faça nos comentários, eu respondo em seguida. Mas isso me dá o direito de saber três coisas sobre você também...

Comente: A dona da bola.

Domingo, 16 de maio

10:00 Às vezes eu penso que não sei mesmo lidar com gente. Às vezes eu penso que o pior de tudo isso é algumas vezes não saber lidar comigo. Às vezes eu penso que tudo o que eu queria em um relacionamento era alguém disposto a me ensinar isso. A me ajudar. Às vezes eu tenho certeza. Me perdoa?

Comente: Se eu soubesse explicar talvez conseguisse entender o medo que tenho de perder você.

Sábado, 15 de maio de 2004

17:43 A sala de espera é sempre uma sala de espera e guarda, na verdade, o que há de mais precioso nas pessoas: a esperança. Na prateleira os livros empilhados como sonhos guardados colacam em tópicos aquilo que o pensamento não consegue organizar. Cria-se, então, uma hierarquia de valores inexistente para pesos e medidas iguais: troco o meu sonho por família, trabalho, dinheiro. Com ou sem amor? Três torrões, por favor. Coloca antes, com a xícara vazia, depois mexe bem. Muito quente queima a boca. Sopra a fumaça. Morno é pior do que frio. Ninguém sustenta uma coisa morna que é quase morta. Difícil separar coisas solúveis depois que elas se dissolvem. Difícil separar a unidade daquilo que deixa de ser dois... três. Difícil separar o pó do café, o sal do mar, o joio do trigo, o bem do mal, a natureza da tecnologia, o branco do preto, o tesão do amor, a voz do telefone, o carinho da pessoa, o Carlos Moreno da Bom Bril, o Washington Olivetto da W Brasil, o plin plin da Globo, o medo do avião, os raios da tempestade, o doce do açúcar, o sorriso da felicidade, a dúvida do sofrimento, o beijo da boca, a palavra da idéia, o dinheiro da dívida, o banheiro do alívio, a cólica da menstruação, a lágrima da tristeza, a espera do encontro, o meu pensamento do Marcelo.



Acabei de chegar de São Paulo e pressinto que cada vez está mais perto o dia da minha estréia. Agora fico espiando atrás das cortinas enquanto os medos me espiam. No final, toda mudança é um rito de passagem. Ou o pisar firme em um novo, e desta vez grande, palco.

Comente: Eu já errei muitas vezes, mas não desisti de tentar.

Quarta, 12 de maio

20:03 Verdade é algo tão relativo. A intenção é verdadeira. Cada um tem a sua verdade e o que é verdade para mim pode não ser, necessariamente, verdade para você. Eu tenho muitas verdades, formadas pelo conjunto de coisas nas quais acredito que se somam a todas as coisas que eu espero e quero e vejo e sinto e desejo e faço e desfaço ou simplesmente não faço. Para cada verdade existe um motivo maior, ou muito maior do que aquilo que se vê. Eu acredito em Deus e Ele, na minha verdade, traça planos para mim. Traça planos para nós. Coloca pessoas em fios de telefone, páginas de internet, rodovias, ciclovias, mapas aéreos, caminhos, espaços, trilhas e encruzilhadas de verdade para que possamos, na mais rudimentar forma de erro e acerto ou, se quiserem, técnica de tentativa, deixar para trás nossas mentiras e perseguir nossas verdades. A verdade é um caminho. A verdade é o caminho. A sua verdade é a única saída. Ou você faz aquilo em que acredita, ou faz nada, dá na mesma. A verdade da coruja é que o dia é de noite. A verdade do navio é que a vida é navegar. A verdade do piloto é nunca ter os pés no chão. A verdade de um órfão é que mãe não existe. A verdade da cidade é que o campo é um sonho. A verdade da roça é a de que a metrópole é uma ilusão. A verdade do bicho, é que o mundo é uma goiaba. A verdade do escorpião é que o nosso próprio veneno nos mata. A verdade da viúva negra é que o amor é a morte. A verdade do operário é o salário no final do mês. A verdade do aluno é a nota no boletim. A verdade dos pais são os atos dos filhos. A verdade de um governo é o retorno de um povo. A verdade dos namorados se resume em eu te amo. E a verdade deste instante se encerra neste segundo. O que há de ser de nós? A verdade é que eu não sei. Mas o que se quer... ah... o que se quer... O que eu quero é a minha mais pura verdade. "Eu só quero ser feliz e mais nada!"

Comente: Eu te disse a minha verdade, me diz a tua?

Terça, 11 de maio

23:08 Onde está seu pensamento, é lá onde está seu coração.

22:03 Tá. Imagina um sonho. Imaginou? Imagina ele lá longe, bem lá longe. Imaginou? Agora imagina ele se aproximando, cada vez mais e mais e mais. Imaginou? Agora feche os olhos e materialize o sonho. Nele tem um computador, uma mesa, uma sala, muitos livros, uma grande janela de vidro da qual se vê toda a Paulista. Imaginou? Por trás tem dois braços e nesses braços um abraço. Imaginou? Agora respira fundo. Um... Dois... Três... Conta até dez. Sentiu o cheiro de sabonete de glicerina que vem das mãos que me tampam os olhos e têm dois braços nos quais cabem meus abraços? Imagina agora dois corpos, que se completam muito além deles. Antes, depois e além do sexo e não por causa dele. Puro sentimento, coisa tão rara hoje em dia. Imaginou? Imagina agora que você abre os olhos e o sonho se transforma em outro sonho. Sonho dentro do sonho. Imagina um sonho bem real, tão real que dentro dele se vive. Imaginou? Neste sonho tem um avião. Um não, tem vários aviões. Tem muitas pessoas. Tem um mundo inteiro. Mas nada importa além daquelas duas pessoas. Imagina essas suas pessoas, então, perdidas em cima de uma cama imensa, branca, cheia de almofadas e travesseiros e colchas e cheiros de incensos e velas, duas solidões perdidas, alguns amores guardados, quatro pés sem destino, duas cabeças cheias de tanta coisa que sai pela boca, pelos ouvidos, pelo nariz e pelos poros arrepiados. Imaginou? Agora imagina o seguinte: no meio da solidão os dois se encontram, tateando no escuro. Descobrem, pela superfície das mãos, a textura da pele que já conheciam. Reconhecem as peças do quebra-cabeça nos dedos destendidos. Resolvem encaixá-las. O mundo dos adultos olha perplexo a descoberta infantil e diz: tente um de 1000 peças, esse parece muito fácil. E segue andando sem olhar para trás e desmerecendo o que vem à frente. Imaginou? Imagine agora uma chama de luz muito branca e quente e clara no meio da testa. Ela desce para o meio da barriga. Ela sobe para o alto da cabeça. Ela percorre toda a sua coluna. Ela para na sola dos pés. Ela guia seu olhar. Imaginou? Tá, agora me diz: onde pararam seus olhos? Imaginou?


Comente: Um dia, o amor.

Domingo, 9 de maio

18:15 Estado de absoluta desolação. Tenho dores incontroláveis no peito à vezes. Dores inexplicáveis e inconfundíveis. São sempre iguais. Talvez eu fosse mais forte se entendesse a alma dos homens, a minha pelo menos. Eu queria não sentir nenhuma falta, nem física nem metafísica. Eu queria ser vento ou fortaleza. Eu não consigo me equilibrar. Se eu fosse um pouco mais segura das coisas qeu eu não tenho, talvez eu vivesse mais feliz na felicidade que eu não conheço. Estou sempre procurando algo e todas as vezes que eu acho que encontrei não demoro a ver que eu perdi. Mas como perder algo que nunca lhe pertenceu? Pessoas não são coisas, pessoas a gente não tem. Para elas a gente solta as amarras e espera. Espera que o tempo ou a correnteza traga de volta. Espera que o vento sopre a vela para o nosso porto. Mas no meio do caminho fica um vendaval. Fica um buraco. Tem sempre uma pedra no meio do caminho. E o que você faz? Foge para Passargada ou marcha. Marcha para onde? E nem adianta tentar abrir a porta que não mais existe. Quando será que eu vou descobrir que o mundo é de verdade?


Comente: Passou.

Sexta-feira, 7 de maio

16:27 Meus amigos e meus inimigos, sabem o que é perder uma vida de trabalho em alguns segundos? Eu sei.

Comente: Backup.

Quinta-feira, 6 de maio

20:13 Eu, como poeta, sou uma ótima professora de Comunicação Empresarial. Ainda mais no meio da aula...

hoje eu escrevi uma poesia
pobre de mim, pobre da rima
não rimava verso com verso
nem estrofe com estrofe
era muito verborrágica para ser metrificada
minha poesia não cantava
minha poesia não gemia
minha poesia só falava
de tudo o que ela, por ser sua, queria
e o que ela queria era tão grande
que a mim, no papel, pequeno parecia
tomou asas e ficou gigante
que a mim, jamais, diriam que pertencia
minha poesia veio à cabeça
atravessando o mar no meio da rua
falava de cotidiano e de bocas de café
e tudo o que eu queria era dizer que deste apreço, deste amor, desta saudade, desta vontade, desta decisão, dos rumos do meu coração, da vida que eu quero para mim, do carinho ainda e sempre maior, da cabeça repleta de sonhos, dos pés perdidos em desengano
eu atesto e dou fé

Comente: Tanta coisa falta tanto.

Quarta, 5 de maio

10:55 Os dias pingam... pingam... pingam... as horas escooooooorrem...

O impossível carinho
Manuel Bandeira


Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias...

Papai do Céu, obrigada pelas palavras, pelas horas da madrugada, pelo edredon quentinho, pela possibilidade de carinho, pelo telefone, pelo trabalho, pelo dinheiro, pelo Gaudi, pelo computador, pelo messenger, pelas miniaturas, pelas fotos coloridas e em preto e branco, pela coragem, pelos técnicos de informática, pelo frio, pelas árvores no centro da cidade, pelos aviões, pelas ondas do mar, pela loucura, pelo débito eletrônico, pelas antigas decepções, pelas lojas do shopping center, por São Paulo, pela GOL e pela internet.

Comente: Amém!

Terça, 4 de maio

18:10 Eu tenho um milhão de coisas para fazer e para cada uma delas preciso de pelo menos uma hora. Como pude passar tanto tempo vivendo uma vida que não era a minha?

Comente: Deixe-me ir, preciso andar...

Segunda, 3 de maio

13:36 Só tem todas as respostas quem não tem pergunta alguma.



Fui, vi e dormi.
Não que o filme seja ruim, longe disso, mas eu estava realmente muito cansada. Junte-se a isso expectativa frustrada. Tarantino não tem culpa alguma de eu esperar mais dele (Puxa, ele é o Tarantino!). Aliás, ele sequer imagina tudo o que eu penso e espero dele. Não é que fazemos isso todo o tempo (o tempo todo) com as pessoas a quem admiramos, sem importar se as conhecemos ou não? Esperamos sempre mais. Queremos sempre mais. E corremos sempre, e cada vez mais, riscos...


Comente: Mais com menos dá menos.

on-line







Verba volant, scripta manent



As coisas que não existem são mais bonitas.
FELISDÔNIO


Prazer em conhecer
Augusto Vieira
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Um pouco mais de sol...
e eu era brasa
Um pouco mais de azul...
e eu era além
Mário de Sá Carneiro

Por que Conto de Réis?

Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?

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Eu recomendo!
A hora da estrela de Clarice Lispector;
Amadora de Ana Ferreira;
Afrodite de Isabel Allende;
Clube dos anjos de Veríssimo;
Nome falso de Roberto Piglia;
Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.


Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges


PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR
by poetinha


Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.

Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.

editored by juju



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