Conto de Réis

Minha vida vale mais de um conto e cem...

"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...

Eu não amo quem não me ama!


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Não digo quem é, mas tem gente que
ODEIAALGUÉM
QUEEUTAMBÉM
NÃOPOSSODIZERQUEMÉ
.
Tá bom assim?
E eu ainda não descobri quem eu vou odiar além do ORIGAMI. É que tem que ser alguém que canta.
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POEMINHA SURREALISTA
Millôr Fernandes

Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.
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Pra não deixar ninguém esquecer!
Num lugar onde só existiam pizzas, as de aliche foram expulsas pelas de ervilha.
Qual o nome do filme?
- Aliche no país das más ervilhas.

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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.

Por exemplo, essa semana eu posso fazer a lista das cinco coisas mais bacanas que aconteceram ultimamente (nos últimos meses):
1.Conhecer a Anna Barbara e a Pati;
2.instituir o almoço das amigas como evento sagrado;
3.comprar meu vídeo e meu dvd novos;
4.minha formatura;
5.Reveillon de 2002/2003.

Tudo de bom! Todo mundo merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio:
Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não.
Segunda alternativa:
Fui, porém contrariada.
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Cantinho do Leminski

tarde de vento
até as árvores
querem vir para dentro

tudo dito,
nada feito,
fito e deito

temporal
fazia tempo
que eu não me sentia
tão sentimental

rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?

incenso fosse música
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.

Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.


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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida."
Lord Byron






Dias que passaram

Setembro 2002
Outubro 2002
Novembro 2002
Dezembro 2002
Janeiro 2003
Fevereiro 2003
Março 2003
Abril 2003


Hoje

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Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Marcelo, o do Cláudio, o da Ana, o da Juzinha, o da Carol, o das Amigas e a página do Cláudio são filhos. Minha família tá crescendo!

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Hoje é dia de quê?

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Saiba o que aconteceu no dia em que você nasceu!!!
Jornal do Aniversário

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Para você escutar enquanto me lê:
DJ Nyquill
Aguarde... vem mais por aí.

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O texto também tem uma forma humana, uma figura, um "anagrama do corpo".
Barthes


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Prêmios
Eu mereço!


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA



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Terça-feira, 03 de junho

09:57 Hoje eu pensei em escrever alguma coisa gostosinha para começar o dia porque quero dizer sobre pessoas que fazem meus momentos, digo todos os meus momentos, se transformarem no momento. Pessoas especiais que aparecem no meio de tanta gente e nos fazem nos sentir mais gente. Na verdade eu queria ter escrito este texto ontem porque ontem foi o dia especial de uma pessoa especial. Seres assim despertam dentro de nós muito mais do que carinho, amizade, confiança, vontade, desejo. Despertam na gente certeza. Amor. Cumplicidade. Amizade verdadeira. São pessoas que têm, como maior virtude, serem elas mesmas.



Deitada na cama eu poderia passar todo o dia a te olhar. Te olhar ou te imaginar me olhando. Te sonhar. Colocar neste sonho minhas cores prediletas. Colocar o lençol onde meu devaneio permite e tuas mãos onde levam meu desejo. E se fechares os olhos agora conseguirás sentir também. O descompasso das batidas do meu coração. E num ritmo só nosso poderia ler nos seus lábios a música que cantas para mim e instintivamente cantaria para ti, devolveria a melodia. Aliás, cantaria menos com os lábios, molhados e doces de beijos leves, do que com o corpo, inteiro. Sou inteira imaginação. Imaginação inteiramente sua. Me disperso em minhas vontades, me diluo num banho de espumas, viro incenso. Na pele abrem-se todos os poros, na alma abrem-se todos os planos, no coração abrem-se todas as pontes. E no sangue passa a circular de vermelho do amor pedacinhos do teu nome, do teu gosto, do teu cheiro, que a partir de então fazem parte de mim.

Comente: Felicidades para você, hoje e sempre.

Domingo, 01 de junho

09:42 Somente uma pessoa poderia me fazer tomar um banho, colocar uma roupa, ir para a Favorita meia noite e meia, beber muitos chopps, voltar para casa depois das 03:00h e levantar no dia seguinte para dar um curso às 08:00h (não, Beto, não é você): a Sra. Irresponsabilidade.

Preciso, antes de qualquer coisa, organizar minhas idéias e me lembrar de cada uma das tantas coisas que aconteceram neste final de semana. Por enquanto: sois sóis.


Comente: Vós sois...

Sexta-feira, 30 de maio

14:47 Toda hora. todo dia.

Significado
No poema
e nas nuvens,
cada qual descobre
o que deseja ver.

Não.
Não era isso.
O que eu queria dizer
era tão alto
e tão longe
que nem consegui soletrar
suas palavras-estrelas.

Depois
Será sempre agora.
Viajarei pelas galáxias
universo afora.

08:47 Euodeiochorarsemmotivo. Mas às vezes eu choro.



Comente: Snif... snif...

Quinta, 29 de maio

23:43 Tanta coisa para postar. Nada por dizer. Reencarnação. Deus. Coisas que existem. Coisas que deveriam ou não poderiam existir. Dada bem dada. Energia. Amigas quase esquecidas. Ursinho Pimpão. Vambora. Mara Maravilha. Menudos. Muita música. Pouca afinação. Muita afinidade. Algumas pessoas me fazem falta na quarta. E no resto da semana também. Três horas da manhã de hoje chegou rápido. Seis chegou cedo. Preciso dormir, sarar da guipi, tomar banho quente e cerveja gelada. Hoje não. Amanhã talvez. Odeioficardetpm. Pré. Pós. Como você se chama? Sete vezes Juliana. Não sou irmã do Gustavo. Não sou ciumenta e, segundo mais um da minha listinha de admiradores bêbados, sou do bem e tenho um sorriso de via láctea.


Comente: Você acredita em quê?

Quarta, 28 de maio

06:00 Foi sonho ou foi verdade?

Comente: Trrrriiiim...

Terça, 27 de maio

19:43 Por que escrevo? Vocês já pensaram nisso?

"Escrever. Por que escrevo? Escrevo para criar um espaço habitável da minha necessidade, do que me oprime, do que é difícil e excessivo. Escrevo porque o encantamento e a maravilha são verdade e a sua sedução é mais forte do que eu. Escrevo porque o erro, a degradação e a injustiça não devem ter razão. Escrevo para tornar possível a realidade, os lugares, tempos, pessoas que esperam que a minha escrita os desperte do seu modo confuso de serem. E para evocar e fixar o percurso que realizei, as terras, as gentes e tudo o que vivi e que só na escrita eu posso reconhecer, por nela recuperarem a sua essencialidade, a sua verdade emotiva, que é a primeira e a última que nos liga ao mundo. Escrevo para tornar visível o mistério das coisas. Escrevo para ser. Escrevo sem razão." Vergílio Ferreira

15:07 Coisas sobre mim.

Beijo pouco, falo menos ainda
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana
Inventei, por exemplo, o verbo tiadorar.
Intransitivo. Tiadoro, Teodora!
Manoel Bandeira
by juju


08:37 Sobre Matrix Reloaded, então.



Tudo bem, fui ao cinema. Impelida pela onda do momento, pela ânsia de meus alunos e pela curiosidade que me é natural. Cheguei em casa e em cima da minha cama repousava o deleite cultural da revista Encontro aberta. Sem controle; A compulsão por compras é uma dependência psíquica que tem cura e deve ser tratada. Nem o bom humor de minha mãe me fez desistir de escrever sobre este filme. Na verdade, assistir foi a parte mais difícil. Não é o meu tipo de filme e tudo o que vira muito pop encontra em mim resistência (eu sei, sou preconceituosa). Uma vez no cinema, adolesci. O filme é... divertido. Gosto do roteiro e do mundo das idéias como nos é apresentado. Estamos todos dentro da mesma “rede”, no mesmo universo, no mesmo cosmo. A luta entre ceticismo e fé, entre amor e razão. Você acredita em destino? Em coincidência? Estamos programados? A questão da consciência também tem uma boa representação: tudo depende de você. Somente de você. E mesmo quando escolhe a “porta” errada, é possível corrigir o erro. Suas escolhas estão dentro de um corredor infinito de possibilidades e o oráculo dentro de sua cabeça. Aparece quando você quer. Há tempos atrás não seria uma mulher, seriam um anjinho e um diabinho. A luta que se dá na sala do afetado francês é uma verdadeira queda dos mitos. As imagens soberanas caem, se desfacelam na frente dos olhos dos personagens. Já em Zion, a cena do líder carismático, Morpheus, conclamando a crença de seu povo transforma uma timbalada/rave numa verdadeira Sodoma e Gomorra. Enquanto isso, à luz de velas, consuma-se outro amor: Trinity e Neo. Bela cena. Aliás, ainda não consegui entender qual o papel de Trinity. A trindade liga o filho, o pai e o espírito santo. Espero entender no próximo. A perseguição na moto é sublime, mas no carro só considero as hilárias feições do chaveiro. Também é certo de que somos brindados com inúmeras cenas, falas (Neo: Por que estou aqui? O Arquiteto: Sua vida é a soma de um resíduo de uma equação desequilibrada inerente à programação da Matrix. Você é a eventualidade de uma anomalia, a qual, apesar de meus mais sinceros esforços, sou incapaz de eliminar do que é, de outra forma, uma harmonia de precisão matemática. Enquanto isso continua sendo uma aflição a ser aplicadamente evitada, ela não é inesperada, e dessa forma não está além de uma medida de controle. E foi isso que, inexoravelmente, trouxe você aqui.) e personagens desnecessárias. Os gêmeos gosthbusters e Smiths gremilings me cansam. Definitivamente me cansam. Fazem o filme se nivelar à outros tantos americanizados e imbecis. Até mesmo Mônica Bellucci, Persephone, parece ali encaixada, com aquele seu vestido de rabo de peixe e aquela tomada tão isenta de sensibilidade do beijo. Nada que lembre Malena. Neo, sim. Exala uma sensualidade que me faria gozar mais do que muito filme erótico. Seus dilemas humanos não deixam que ele ultrapasse os limites de digitalidade pretendidos pelo filme (aliás, isso é coisa que todos nós, pelo menos por aqui, somos: você é real?). Os efeitos são de fuder, sim. A pancadaria fica muito melhor no Tigre e o Dragão. O espetáculo para mim fica por conta do roteiro: bacana, aliás, muito melhor do que o primeiro. Fico feliz de perceber que num todo o filme não deixa de ser ficção eletrizante e nem filosófico (quase) para se tornar só um pop, aliás, isso ele sempre foi, desde o começo (para que eu fui falar então?). No final, como um bom adolescente, esperei os créditos para ver o trailler: Matrix III. Sei que quando terminar a trilogia vou dar graças à Deus, mas também sei que não conseguirei deixar de ver o próximo. Até porque se eu não assisti-lo não poderei falar, nem bem, nem mal. Ah, só para constar: euodeiosenhordosanéis. Mas isso é uma outra história.

Comente: Você está programado?!?

Segunda-feira, 26 de maio

00:23 Pense rápido e responda, ou melhor, responda sem pensar: o que valeria sua vida?

09:30 Ultimamente tenho tido noites terrívelmente maravilhosas. Há muito não sonhava, mas ando tendo sonhos praticamente reais. São cenas vívidas, situações inteiras, sinto mãos que sobem pelo meu corpo, sinto boca que pousa no meu ventre, sinto dedos que me abrem, sinto cheiro de banho e de óleo, vejo cama grande e macia, lençois brancos, camisola de alcinha que escorrega pelo corpo. Respiração no meu pescoço. Vapor quente que encontra o ar frio e se condensa num arrepio. Corpos pulsando. Corpos dançando deitados, em pé, de frente, de costas, ancaixados. Meus desejos têm trilha sonora. Olhares que se encontram, se puxam e se prendem, para nunca mais soltar, nunca mais desviar. Dentro deles dois corações e a vontade de fazer feliz, de dar prazer, de ver sorrisos, de sentir gozar. Gozar cada segundo, gozar todos os segundos, gozar a vida. Partilhar sonhos, desmedir querer, dividir a cama e construir futuro. Será que vivo ou que sonho? Ou vivo sonhando? "Você é assim / Um sonho pra mim / E quando eu não te vejo / Eu penso em você / Desde o amanhecer / Até quando eu me deito".

Comente: Feche os olhos.

Sexta, 23 de maio - aniversário de minha irmã

09:01 Será que Deus permite um ciuminho de irmã? Ciuminho não, eu estou morrendo de inveja da minha irmã. Ela foi raptada pelo namorado na quinta passada (ela não sabia de nada: nem para onde ia, nem o que seria) e só foi devolvida na segunda a noite. Ele levou-a para um resort num ilha de Angra. Não quero mais falar do assunto.


No fim tu hás de ver que as
coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
Mário Quintana

Eu ganhei um poema.

Para Juju
Cláudio Bettega


você menina
que é tão poeta
tão completa
no saber literário
transforma seu blog
em prazer diário
que me faz aprender
entender a vida
o mundo
ver a beleza
que você emana
minha amiga Juliana
inteligente
sedutora
professora
doce mineiro
a você meu abraço
e um b(qu)eijo

Comente: Eu tenho inveja.

Quinta-feira, 22 de maio

10:17 Noites divertidas com as amigas são sempre bem vindas. Fechar buteco já está virando uma rotina. O senhor do lado: Você é muito linda, sabia? Obrigada. Se parece com a Romy Schneider. Com quem? Romy Schneider. Vocês têm os mesmos traços. Parece muito. Sissi, a Imperatriz. Assistiu? Ahhh. Nossa, muito obrigada. Segundos depois. Você fala alemão? Não Ah. Queria te perguntar uma coisa. Sorriso. Tchau. Se eu entendesse alemão, ou a letra dele, já seria um bom começo, teria conseguido entender o que ele escreveu para mim num pedaço de papel. Algo parecido com: Du bist sehur schon?!? Fui procurá-la no google. Mesmo rosto quadrado. Mesmos cabelos vermelhos.



Quando eu te deixar umas horas, sentirás a minha ausência e pensarás em mim. Quando eu me for por uns dias, te sentirás inquieto. Quando eu me for por algumas semanas, ansioso aguardarás a minha volta como um veleiro aguarda o seu porto. Quando eu me for por uns meses sentirás uma saudade imensa. Quando eu me for por um ano, a angústia, a ansiedade te farão sofrer. E quando eu me for para sempre... quando não mais sorrir contigo, quando não mais tiveres o meu carinho, quando não mais tiveres o meu amor... quando não mais tiveres nada da minha presença... Parecerás sofrer, parecerás morrer, parecerás vazio, indiferente. Não deve sofrer, não deve querer morrer. Pode lembrar de mim com lágrimas nos olhos, tristes ou alegres. Olhe o mar e lembre que uma vez ficamos comtemplando-o. O murmúrio das ondas sempre trás uma mensagem desconhecida. Quando tiveres só, lembre-se que eu também gostava da solidão. Sozinho poderás ter o mais lindo dos encontros: o encontro contigo mesmo. Quando ouvires nossa música lembre-se que nada poderá fazer com que ela deixe de ser nossa. A sinfonia é eterna. Quando alguém te beijar o rosto, lembre-se do nosso beijo...tão nosso. Quando alguém te amar muito, muito, não te esqueças que muito te amei. Assim quando alguém se for para sempre terás em tudo a sua presença e não sofrerás porque ela é feita das mais lindas recordações. Eu, bem... eu serei para ti apenas uma saudade quase linda, uma chama apagada. Eu serei brisa, eu serei vento, eu serei mar... eu serei o dia... eu serei um pouco do tudo ou nada... Eu serei o tempo que passou.
Trise


Quantos labirintos / Tem o meu coração / Pra eu me perder / E te encontrar? / Quantas avenidas / Tem o seu olhar / Pra eu te seguir / E me guiar? / Meu coração me leva Perto demais do seu / Meu coração / nem sabe por que / O meu amor / É bem maior / Que eu. / Quem sabe o destino / Ainda vai juntar / O céu e o mar / Eu e você / Quem de nós um dia / Iria imaginar / Que o amor pudesse / Acontecer? Seu coração / É livre / Tanto que prende o meu / Seu coração Nem sabe por que / O meu amor / É tão igual ao seu.


Comente: Às vezes eu acho que já não sei mais.

Quarta-feira, 21 de maio

Este poema não merece data e nem hora. É atemporal como certas coisas que sinto.

Amor Oculto
Roseana Murray


Na multidão busco meu amor
ainda anônimo
Seu rosto que não conheço
entre tantos rostos,
a voz que acenderá estrelas
e que ainda é uma voz qualquer
busco meu amor oculto
como um segredo entre as folhagens
e meu coração dispara
a cada indício do seu rastro
busco meu amor como
a chave de um castelo
esquecido há milênios
em algum lugar obscuro
do mundo
busco meu amor desconhecido
como quem busca algodão
num campo imenso
para se forrar por dentro.



Comente: A eterna busca.

Tuesday, May 20, 2003

08:58 Neste mundo nada como a certeza. Ou seria nada como a dúvida?

ENIGMA DO AMOR
Murilo Mendes

Olho-te fixamente para que permaneças em mim.
Toda esta ternura é feita de elementos opostos
Que eu concilio na síntese da poesia.

O conhecimento que tenho de ti
É um dos meus complexos castigos.
Adivinho através do véu que te cobre
O canto de amor sufocado,
O choque ante a palavra divina, a antecipação da morte.
Minha nostalgia do infinito cresce
Na razão direta do afastamento em que estou do teu corpo.

Ontem me lembrei do primeiro filme que assisti no cinema, antes mesmo de ET: Dio, come ti amo. Não pude deixar de procurar todas as versões da música disponíveis na internet. Gigliola Cinquetti me fazia chorar. Ontem o choro teve mais duas vozes: Mina e Domenico Mondugno.



Dio, Come Ti Amo

Nel cielo passano le nuvole
Che vanno verso il mare,
Sembrano fazzoletti bianchi
Che salutano il nostro amore.

Dio, come ti amo,
Non è possibile,
Avere tra le braccia
Tanta felicità.

Baciare le tue labbra
Che odorano di vento,
Noi due innamorati
Come nessuno al mondo.

Dio, come ti amo,
Mi vien da piangere,
In tutta la mia vita
Non ho provato mai.

Un bene così caro,
Un bene così vero,
Chi può fermare il fiume
Che corre verso il mare.

Le rondini nel cielo
Che vanno verso il sole,
Che può cambiar l'amore
L'amore mio per te.

Dio, come ti amo,
Dio, come ti amo.
Dio, come ti amo,
Dio, come ti amo.



Ultimamente ando muito mal humorada. A frase que mais tenho dito é: eu odeio! euodeio Caetano Veloso, euodeio o que ele fez à minha amiga, euodeio pensar nisso, euodeio quando a impressora do computador não funciona, euodeio fazer o mesmo trabalho mais de três vezes, euodeio ter que dormir, euodeio não conseguir acordar mais tarde. Mas alguns outros e poucos momentos me fazem amar a vida. Euodeio odiar as coisas.

Comente: Nostalgias...

19 de maio, segunda

17:46 As pessoas que jogam chicletes nas ruas deviam se lembrar dos chicletes que já grudaram em seus sapatos. Não, hoje não grudou um chicletes no meu sapato, mas eu deixei de jogar um chicletes na rua.


Comente: Ploct!!!

Sábado, 17 de maio

15:35 Algumas mulheres me deixam ainda mais orgulhosa de ser mulher. Sempre fui encantada com história. E dentro de história sempre me fascinou o poder de algumas mulheres. De todas, Bárbara Heliodora. Escutei sua história na quarta série e nunca mais pude esquecer cada uma das palavras de Tia Solange. Cresci sabendo na ponta da língua os versos que foram a ela dedicados pelo marido, Alvarenga Peixoto, inconfidente, exilado primeiro na Ilha das Cobras, depois na África, onde viria a morrer longe de seu amor. Uma mulher rica que em 1779 (eu nasci em 1979), com vinte anos, apaixonou-se por um poeta. Teve com ele uma filha e depois casou-se, mantendo seu nome de solteira: Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira. Participou da inconfidência, escreveu versos, perdeu o marido, o dinheiro, todos os bens e a filha. Morreu, aos 60 anos, tuberculosa. Diferente de Marília de Dirceu, que amargou uma espera, que durou pelo resto de sua vida, por notícias ou a volta do amado, virando atração turística da antiga Vila Rica e morrendo aos 90 e poucos anos, Bárbara viveu. Sofreu. Lutou de igual aos homens pela liberdade do nosso país. Digna. Patriótica. Apaixonada. Mulher. Dela disse Rodrigues Fabregat (escritor uruguaio):

...esta outra, também de sua carne vem, grande e profética: que traz em seus lábios de Mulher, gladiadora ardente, clamores de despertar; que traz em suas mãos uma bandeira nova e alça sobre multidões estremecidas; que traz em sua mensagem um desejo de liberdade, um credo republicano que, com ele sobe até a cúpula de seu calvário e da história: que junto às minas de ouro das rapinas imperiais, fala com voz de brasileira, gente a proclamar direitos e conquistá-los; esta, de Vila Rica, em Minas Gerais companheira da inconfidência revolucionaria na saga heróica e na morte mártir, esta mulher do novo mundo - oh, mãe epopéia do Novo Mundo! - cravada em seu madeiro de sacrifício com quatro escravos ardentes de Cruzeiro do Sul... Bárbara Eliodora!

Bárbara Bela / Do norte estrela / Que o meu destino / Sabes guiar / De ti ausente / Triste somente / As horas passo / A suspirar / Por entre as penhas / De incultas brenhas / Cansa-me a vista / De te buscar / Porém não vejo / Mais te desejo / Sem esperança / De te encontrar / Eu bem queria / A noite e o dia / Sempre contigo / poder passar / Mas orgulhosa / Sorte invejosa / D’esta fortuna / Me quer privar / Tu, entre os braços, / Ternos abraços / Da filha amada / Podes gozar / Priva-me a estrela / De ti e D’ela / Busca dois modos / De me matar! / Isso é castigo / Que amor me dá!

10:26 Eu e Mário Quintana passamos a manhã poetando. Coloco aqui tudo o que ele me disse.

Sobre o Homem Perfeito.
Citação
De um autor inglês do saudoso século XIX: "O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro: um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente."

Sobre a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Cartaz para uma feira do livro
Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem.

Sobre posts.
Arte Poética
Esquece todos os poemas que fizeste. Que cada poema seja o número um.

Sobre mim.
A Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

Sobre blogs.
A Coisa
A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

Sobre cada um é cada um.
A Voz
Ser poeta não é dizer grandes coisas, mas ter uma voz reconhecível dentre todas as outras.

Sobre meu vício.
Dupla Delícia
O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.

Sobre leitores.
Arte de Ler
O leitor que mais admiro é aquele que não chegou até a presente linha. Neste momento já interrompeu a leitura e está continuando a viagem por conta própria.

Sobre o gozo.
Destino Atroz
Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando ele os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.

Sobre as regras.
Das Escolas
Pertencer a uma escola poética é o mesmo que ser condenado à prisão perpétua.

Comente: Arte poética.

16 de maio, sexta.

14:28 Um pouco mais sobre a série que nunca comecei, mas na verdade estou sempre a escrever. Depois de Darcy Ribeiro não morreu, lugares onde ainda quero ir; Quem sou eu.

Gosto de comer melancia com garfo e faca sim, e daí? Gosto de comer pinha, cacau e morango com leite condensado. Uva, só se for paulista. Leite condensado também vai bem com ovomaltine, além de servir para outras coisas, milkshake por exemplo. Odeio o Caetano Veloso, e não é só porque ele disse "A Tropicália fui eu". Tranco sempre a porta do quarto antes dormir e durante o sono agarro o travesseiro. Adoro usar roupas de homem, ganhar massagem nas costas e fazer massagem nos pés. Tomo banho com sabonete de mel Granado, incenso de laranja com canela L'Occitane e passo no corpo óleo Exótico Boticário. Tenho um milhão de sonhos dispersos por aí que vivem em constante rotatividade. São sonhos tão reais que muitas vezes não preciso realizá-los para vivê-los. Ouço vozes. Viajo. Tenho grandes encontros. Sou sonâmbula. Não nasci para ficar quieta. Não nasci para ser calma. Não nasci para esperar. Não nasci para aceitar. Sou volúvel, sou volátil, sou incerta. De repente me vejo presa nesta teia inviolável. Amarrada, atraída, hipnotizada. Amo eclipse da lua, cheiro de chuva, sol na piscina e um bom livro nas mãos. Leio bula de remédio, leio Vinícius de Moraes, Leio a Bíblia e coleciono antigas fotos de família. Guardo lembranças às vezes tão antigas que nem elas se lembram mais de mim. Não me canso, isso nunca. Minha outra certeza é a de que eu nunca quis ser um passarinho. Muito menos outra pessoa.


Comente: Mais eu impossível.

Quinta, 15 de maio

20:24 A lua no céu hoje está linda! Se passo horas a olhá-la, certamente não me canso. Redonda, cheia, a lua, São Jorge e seu dragão. Na lua vejo como espelho meus sonhos. Eles passam, refletem e a mim voltam. Voltam melhores, iluminados, mais vivos. Hoje à noite (amanhã de madrugada) a sombra da lua refletirá em mim sua falta. O negro que vai se formar também crescerá como a sua ausência. É certo que não estaremos juntos hoje a noite, mas poderá enxergar no escuro tudo o que ainda não foi. No fim feche os olhos, e então eu aparecerei. Sairei da lua, de trás das trevas. Como um apocalipse, trarei a lua de volta para você. E depois da lua trarei novamente o sol. A chuva. Outro dia. Mais outro. Antecedendo noites. Viveremos uma vida. É certo que estaremos juntos hoje a noite. É certo que nos encontraremos meia noite. É certo que será infinito enquanto durar.



09:15 Alguém aqui pode me explicar se as coisas na internet têm vida própria? Sem esquecer que hoje é o meu último prazo para falar mal do Caetano. EUODEIOOCAETANO! Não, só isso não basta.

Hey Jude
Paul McCartney

Hey Jude, don't make it bad.
Take a sad song and make it better.
Remember to let her into your heart,
Then you can start to make it better.

Hey Jude, don't be afraid.
You were made to go out and get her.
The minute you let her under your skin,
Then you begin to make it better.

And anytime you feel the pain, hey Jude, refrain,
Don't carry the world upon your shoulders.
For well you know that it's a fool who plays it cool
By making his world a little colder.

Da da da da da da, da da da, hey Jude...

Hey Jude, don't let me down.
You have found her, now go and get her.
Remember to let her into your heart,
Then you can start to make it better.

So let it out and let it in, hey Jude, begin,
You're waiting for someone to perform with.
And don't you know that it's just you, hey Jude, you'll do,
The movement you need is on your shoulder.

Da da da da da da, da da da, hey Jude...

Hey Jude, don't make it bad.
Take a sad song and make it better.
Remember to let her under your skin,
Then you'll begin to make it
Better better better better better better, oh.

Comente: Hey você.

Quarta, 14 de junho de 2003

18:24 Sou capaz de passar horas ou até dias pensando nas coisas que queria lhe falar e demoro poucos segundo para esquecê-las ou engoli-las. A grandeza de alguns sentimentos ainda me perturba. Não é falta de assunto, é medo. Não é egoísmo, é resguardo. Talvez minha vida ou quem sou de verdade pouco lhe importe. No fundo, ou por fora, quer o que vê. Quer minha boca, meu sorriso, meus olhos, minhas palavras, minha voz, meu colo, meus desejos, minhas noites ardentes, meus pés frios, minhas duas tatuagens, minha vontade de viver. Quer minha ida para ti, puro movimento. Quer aquilo que os outros querem em mim, de mim. Quer o que dizem, o que pensam. Eu quero o que não vejo. Quero um você que talvez ainda nem exista, ou que talvez nunca vá existir. Quero um você só meu além das pernas para aquecer meus pés e mãos para me ensaboar o corpo. Quero um colo de verdade, um ombro em cima do peito que me há de servir de travesseiro. Quero o homem e o menino. Quero seus erros e seus acertos. Quero você perfeito nas suas imperfeições. Não quero necessidade, quero vontade, com vontade. Como é difícil querer. Se fosse fácil dividir uma vida, uma cama, um teto, uma história, um passado: se fosse? Vem Vinícius e me salva.



Mas eis comes um pêssego. Teu lábio superior dobra-se sobre a polpa, o suco escorre pelo teu queixo, cai uma gota no teu seio. E tu te ris. Teu riso desagrega os átomos. O espelho pulveriza-se, funde-se o cano de descarga. Quantidades insuspeitadas de estrôncio-90 acumulam-se nas camadas superiores do banheiro. Só os genes de meus tataranetos poderão dar prova cabal de tua imensa radioatividade. Tu te ris, amiga, e me beijas sabendo a pêssego. Eu te amo de morrer. Interiormente procuro afastar meus receios: "Não, ela me ama..." Digo-me para me convencer, enquanto sinto teus seios despontarem em minhas mãos e se crisparem tuas nádegas. Depois, sorrindo, silencias. Odeio o teu silêncio que não me pertence, que não é de ninguém: teu silêncio povoado de memórias. Esbofeteio-te e vou correndo cortar o pulso com gilete-azul; meu sangue flui como um pedido de perdão. Abres tua caixa de costura e coses com linha amarela o meu pulso abandonado, que é para combinar bem as cores; em seguida fazes-me sugar tua carótida, numa longa, lenta tranfussão. Eu convalescente começas a sair. Perscruto tua face. Sinto-me traído, delinqüescente, em ponto de lágrimas. Mas te aproximas só com o casaco do pijama e pousas minha mão na tua perna. E então eu canto: "Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza corrói minha carne como um ácido! Teu signo é o da destruição! Nada resta depois de ti senão ruínas! Tu és o sentimento de todo o meu inútil, a causa de minha intolerável permanência! Tu és uma contrafração da aurora! Amor, amada, abençoada sejas: tu e tua impassibilidade. Abençoada sejas tu que crias a vertigem na calma, a calma no seio da paixão. Bendita sejas tu que deixas o homem nu diante de si mesmo, que arrastas os alicerces do cotidiano. Mágica é tua face dentro da grande treva da existência. Sim, mágica é a face da que não quer senão o abismo do ser amado. Exista ela para desmentir a falsa mulher., a que se veste de inúteis panos e inúteis danos. Possa ela, cada dia, renovar o tempo, transformar uma hora num minuto. Seja ela a que nega toda vaidade, a que constrói todo silêncio. Caminhe ela lado a lado do homem em sua antiga, solitária marcha para o desconhecido - esse eterno par comq ue começa e finda o mundo - ela que agora longe de mim, perto de mimvivendo da constante presença da minha saudade, é mais do que nunca minha amada: a minha amada e a minha amiga. A que me cobre de óleos santos e é portadora dos meus cantos. A minha amiga nunca superável. A minha inseparável inimiga."


Fala: Afinal, o que é que todos nós queremos?

Terça, 13 de maio de 2003

21:38 Eu odeio trocar de roupa no meio da tarde, ir à farmácia e, chegando lá, esquecer o que é que eu fui fazer lá. Eu odeio chegar em casa e lembrar que eu não queria ir à farmácia, eu queria era jogar na mega sena acumulada. Eu adoro estar em casa e colocar o pijama de novo.

10:32 Ontem a noite entrei no meu quarto depois de tomar um banho bem demorado e de passar meu melhor perfume. Tranquei a porta. Acendi duas velas. Queimei um incenso de madeira com canela. Fechei a janela. Coloquei meu cobertor ploft azul, da cor das paredes. Tudo era silêncio. Na rua; nem um carro. No qarto; nem um som além de minha respiração. Silêncio de se escutar batidas de coração. O escuro se misturava às sombras e e ao preto das rendas e da seda. Nove horas. Dez horas. Onze horas. Coloquei minha venda de camomila. Deitei-me na cama, agarrei-me ao travesseiro, virei para o lado e dormi. Sozinha.



Como era mesmo o nome do filme, Nego?!? Vem dormir comigo?

Segunda, 12 de maio

14:00 Nunca desacredite do que falo. Nunca duvide do que posso fazer. Nunca tente medir meu amor. Nunce tente me testar. Gostei muitas vezes na vida, amei poucas, talvez só uma. E se algum dia eu disser que amo você é porque assim quis e por um longo tempo ainda hei de querer. Sempre acreditei que os amores eram eternos, mas os gostares também o são. Com um aprendi gostar de música. Com outro admirar a liberdade. Teve aquele que me apresentou a distância. Um quarto me convidou à cumplicidade. Daqui hoje as coisas nascem. E se escrevo é porque vivo. Se vivo é porque quero. Se quero é porque desejo. Se desejo eu amo o meu desejo.



Se todo o teu corpo não participa do que estás escrevendo, rasga o papel e deixa para amanhã.

O VERBO NO INFINITO
Nada perder. Não se perder em nada. Mergulho, mas não residência no âmago das coisas. Tal o nadador que se deixa levar pelas águas: com a certeza de que pode vir à tona retomar repiração e repetir a aventura.
Aníbal Machado


Comente: Eu desejo o teu desejo.

Dia das mães - 11 de maio, domingo.

21:22 Há tanto tempo longe e eu já tinha me esquecido de como é gostoso este come e dorme preguiçoso nos dias frios das cidades do sul de Minas. Cana Verde fica numa montanha entre Lavras, Perdões e Campo Belo. No meio das montanhas a cidade é uma ilha. A casa continua com o cheiro de comida feita pela vovó Cemica no fogão de lenha, embora hoje isso já seja quase uma lenda. Arroz, feijão, bife e tomate. Um prato de torresmo em cima da mesa e um copinho de cachaça esperavam para abrir o apetite. A casa grande, as portas grandes, as janelas grandes. Lembranças de uma menina ainda miúda. O tic tac do relógio antigo na parede conta os segundos. Tic. Tac. No quintal um pé de café que plantei há muito anos. Duas mangueiras, uma videira, uma figueira, um limoeiro, um pé de laranja, alguns de milho. Muitas flores. O pinheiro que costumávamos enfeitar nos natais com estrelas, bolas e luas que fazíamos de papelão não mais existe. As galinhas, os patos, os marrecos, os ganços, os porcos e os gatos, assim como as roseiras e os pés de pocã também não. Tudo sustenta o peso das implacáveis mãos do tempo. Na parede permanecem vivos os bisas. Vô Lindolfo e Vó Felícia. Vô Francisco Anastásio e sua Maria Mulata. No centro Vó Miracema, Dona Cemica, e Vô Necésio. Minhas raízes portuguesas que vieram fincar raízes aqui nesta terrinha. Há três, quatro gerações e eu estaria além mar. Da varanda posso ver o sol se pôr atrás das montanhas de Minas e se refletir nas águas da represa de Furnas. Quando pequena este espetáculo costumava me fascinar por horas antes, durante e depois. Neste fim de semana me pareceu diferente. Lembrei-me então das palavras de um amigo que diz que muitas coisas não crescem com a gente. Coloquei-me de joelhos e, daqui, vi as coisas como há vinte anos, com os olhos de uma criança, como sempre foram. Este é o presente que o universo deu para minha vó todos os dias, durante quase cem anos...

Cidadezinha Qualquer

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar . . . as janelas se olham.

Êta vida besta, meu Deus.
Carlos Drummond de Andrade


Comente: Ê Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais...

09 de maio, sexta-feira

05:29 Eu não sei por que é que a gente só tem uma cabeça. A gente pensa em tanta coisa. Eu não sei por que é que temos apenas dois braços, se às vezes a vontade é de abraçar o mundo. Eu não sei por quê temos pernas tão curtas que sequer atravessam ruas, que dirá oceanos. Eu não sei por quê olhos tão pequenos num horizonte tão grande. Eu não sei por quê inventaram o pecado nesta história. Eu não sei quem inventou o medo. Eu não sei por quê Deus ou o Diabo passam a eternidade a rir de nós. Por quê foi mesmo que não nos deram, pelo menos, apenas uma escolha? Livre arbítrio.

Da série: Poesias que o Mário Quintana só pode ter escrito para mim.



SEMPRE QUE CHOVE
Sempre que chove
Tudo faz tanto tempo...
E qualquer poema que acaso eu escreva
Vem sempre datado de 1779!

BILHETE
Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
Tem de ser bem devagarinho, amada,
Que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

EXAME DE CONSCIÊNCIA
Há noites em que näo posso dormir de remorsos
por tudo o que deixei de cometer...

CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO
Eu sou um homem fechado,
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com tua boca fresca de madrugada,
Com teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada,
[numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantálho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos!

QUEM AMA INVENTA
Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
e era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bibalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
ó!meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado...e ter vivido o sonho!

Comente: Eu não sei o porquê.

08, 09 de maio de 2003 - quinta?!?

23:38 Já estou tão habituada que ia dizer: o Colégio onde estudo ofereceu, hoje, um show em homenagem às mães. O fato é que o colégio onde estudei, é onde hoje eu trabalho. No show tocaram Samuel Rosa, Lô Borges e Rogério Flausino. Se mamãe não tivesse falado ao primeiro instante que o Lô Borges era a cara do Tutti Maravilha talvez eu tivesse conseguido me concentrar mais nas músicas. Mas tudo bem. Escutei coisas que há muito não ouvia. Coisas que gosto, com as quais me identifico. Saudade da adolescência, das festas e bailinhos de Itabira. Das bandas sem nome. Dos sanduiches de madrugada. Das peladas no sítio da Marina. Do SKANK antes de sê-lo. Tudo agora numa nova ótica. O palco. Somos os mesmos de anos atrás. Samuel. Eu. Mamãe. Mamães. Nós. O show. E de repente me pego pensando em você.

TE VER

Te ver e não te querer, é improvável, é impossível, / Te ter e ter que esquecer, é insuportável, é dor incrível / É como mergulhar num rio e não se molhar, é como não morrer de frio no gelo polar / É ter o estômago vazio e não almoçar, é ver o céu se abrir no estilo e não se animar / É como esperar o prato e não salivar, sentir apertar o sapato e não descalçar / É ver alguém feliz de fato sem alguém pra amar, é como procurar no mato estrela do mar / É como não sentir calor em Cuiabá, ou como no Arpoador não ver o mar / É como não morrer de raiva com a política, ignorar que a tarde vai vadia e mitica / É como ver televisão e não dormir, ver um bichano pelo chão e não sorrir / É como não provar o nectar de um lindo amor, depois que o coração detecta a mais fina flor...

Tenho medo de avião. Não gosto muito de barcos. Os ônibus são muito vulgares para o amor. Eu queria hoje escrever a história de um balão, que foi fondo, foi fondo, de repente, um dia, foi.

01:12 Os sentimentos não me deixam dormir. É tarde demais para escrever. É cedo demais para pensar. É a hora certa para sentir. Para sentir tudo aquilo que a luz do dia não me permite. Para viver tudo aquilo que meus olhos não deixam. Para sonhar tudo aquilo que a hipocrisia não admite. Não quero ter, quero ser. Sou feita de carne, desde os pés até a cabeça. Até o último pedaço. Eu pulso. Circulo. Enlouqueço. Vivo longe. Estou perto. Tenho todos os desejos dentro de mim. Feche os olhos. Imagine. Imagine que estou ao seu lado. Imagine que estou em seus braços. Imagine que está em meu corpo. Sinta minha respiração na sua nuca. Sinta minha voz na sua orelha. Sussurro. Clamo. Chamo. Peço. Imploro. Gemo. Pode me ouvir? Meu desejo no seu corpo. Minha pele na sua. Meus cabelos no seu peito. Sinta meu cheiro. Se tenho cheiro de flor. Se tenho cheiro de suor. Se tenho cheiro de montanhas. Do desconhecido. Do seu pecado. Da nossa perdição. Se tenho o cheiro do seu amor. Agora pouco importa. Pouco importa qualquer coisa. Tire sua roupa. Quero você sem panos, sem enganos. Quero você sem erro, sem desespero. Quero você de verdade. Pacto de lealdade. Seja certo. Seja errado. Seja sempre. Seja agora. Seja a qualquer hora. Sejamos nós. O amor seja em nós. Posso pedir para que não demore? Venha. Antes que eu me vá.



Primeiro os olhos. O toque dos dedos chegou tímido, devagar, temendo reações, identificando limites. A pele se arrepiava, lisa, quente. A resposta foi rápida, quase imediata. Seu corpo desejava aquele toque mais que tudo. Queria ir além. Há muito eles já sabiam, se esperavam. Aquela cena já tinha sido imaginada, planejada, sonhada e desejada. Faltava ser vivida. Faltava ser real. Naquele momento, nenhum dos dois sabia como chegar aonde sabiam que queriam ir... Queriam colar as bocas, salivas, línguas, gozos. Prenunciava um temporal. Embora o tempo fechasse lá fora, tudo se abria aqui dentro. O sexo foi suave; a sofreguidão da espera, o desejo acumulado se transformou em tranqüilidade. Aproveitaram cada centímetro daqueles corpos, cada gota daquele fluido que os uniu. Gozo. E depois, lembrando daquele dia, o tesão ressuscitava os movimentos, estremecia, fazia subir uma espécie de eletricidade que era impossível ignorar. Eles se perderam no tempo, no medo de mudar, voltaram à falsa tranquilidade de suas vidinhas. Um com o gosto do outro na boca.
Trise by Juju.

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a presença distante das estrelas!

Quem não compreende um olhar
tampouco compreenderá uma longa explicação.
Dose dupla de Mário Quintana.

Vou escrever este meu texto até semana que vem. O que sinto é muito maior do que isso. Carinho. Amor. Tesão. Lealdade. Cumplicidade. Vontade. Confiança. Saudade. Amizade. Felicidade. Expectativa. Vai além de palavras. Não sei por quê insistem em dizer que as coisas são traduzíveis. Tangíveis.

Comente: Julianiando.

Ajude-me a achar uma boa tradução imaginária para hoje. Mande-me uma ilustração, figura ou qualquer coisa por e-mail.

juju is nuts
juju is off his muzzle
juju is just like taking the universal belief in the supernatural to the next logical step
juju is far from grindcore; it
juju is the songwriting
juju is currently one of the states busiest and most established dj/producers
juju is to be the last release for the group
juju is the first property under the previously announced thq
juju is a 3d gaming adventure that takes place in an ancient
juju is not responsible to collect it for you
juju is not responsible for items damaged in transit that are not insured
juju is more gothic
juju is summed up by its unglitzy subtitle
juju is the first to admit that one small scatter pin is boring and two together
juju is best
juju is a joke
juju is oblivious to whatever is currently trendy
juju is completely bald
juju is a joyous frenzy
juju is an interesting but fearful festival
juju is currently for sale
juju is african black magic
juju is touring africa demba in yorkshire
juju is about promoting and bringing together musicians and artistes from across the globe and presenting them at our regular venues to you
juju is of west african origin
juju is featured here on home turf at longstanding sf drum and bass weekly eklektic
juju is a software development subcontractor with a skilled crew of selected individuals who are highly motivated to take
juju is in business school and aims for pissy middle management
juju is doing just wonderfully
juju is transferred to the target individual and the juju itself disintegrates
juju is back in twain sierra camp is weird and rodney says they do drugs there
juju is a beautiful thing reviewer
juju is it my body hallowed by my name second
juju is a sugar glider previously owned by a college
student who was not prepared to provide the adequate attention and difficult maintenance she required
juju is a dog
juju is the first detailed account of the evolution and social significance of a west african popular music
juju is back after his smash hit on the higher educaton label
juju is a thrilling hybrid of western pop and traditional african music that incorporates electric guitars and synthesizers with such indigenous instruments as
juju is on crack
juju is a very typy bitch with ring attitude and a temperament to die for
juju is not quite 2 years
juju is directed in the circle
juju is one of the most animated dj's i've ever seen
juju is a very petite cat
juju is a liquid ginger snap
juju is debo's bestest friend
juju is gayer than the average gay man
juju is het vijfde album
juju is the first game developed under the previously announced thq
juju is best described as the representation of a traditional spirit
juju is a hybrid of western pop and traditional african music that incorporates electric guitars and synthesizers with such indigenous instruments as talking
juju is a busty 21
juju is convinced that the police will bend the rules to see that sonny winds up dead
juju is the quiet shy type
juju is a healing remedy
juju is an evening with
juju is also a subject
juju is steeped in the rich yoruba tradition of communicating profound social and cultural messages through prototypical proverbs and parables
juju is a pollutant of the african spiritual/cultural system juju is big business and many african teams maintain a special vote for "research
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juju is about ritual and rhythm and spirituality and joy
juju is as inverted western pop
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juju is luck
juju is a yoruba
juju is even darker
juju is a rhythmical and melodic eruption of sound
juju is the third lucky seven album from the texas blues rockers
juju is a rare treat and very unique
juju is legal enough to do all the things he has been doing since 15
juju is the best bbq foods and service in the city among the japanese and korean restaurant
juju is

Chupei do Nego. Ele chupou daqui.

Comente: Para você, Juju is...

Domingo, 04 de maio

10:39 Acho que hoje quero começar o dia com Drummond. Começar e terminar. Trechinho da entrevista de Carlos Drummond De Andrade a Luiz Fernando Emediato, publicada no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo em 15 de agosto de 1987.



O senhor teve na juventude alguma paixão desmedida, além da Greta Garbo, sobre quem escreveu uma crônica?
Você está explorando muito a minha vida, e ela é muito pouco interessante.
Vamos falar de literatura, então. Mas o senhor não acha que sua obra pode ter sido determinada pelo que aconteceu na sua infância, na sua adolescência e, depois, na sua maturidade, essa carga toda de experiência de vida?
A minha obra literária foi determinada pela circunstância de eu ser mineiro. Mineiro do interior de Minas, uma região de mineração, onde a dificuldade de comunicação era maior do que em outras zonas do Estado. Nós vivíamos ilhados. Éramos fechados por necessidade e por contingência.
O senhor acha então que Minas é um lugar especial?
Você é mineiro, não é? Minas foi um lugar especial. Hoje não é.

O senhor consegue explicar essa emoção que o leva a escrever intuitivamente?
Eu sou inteiramente partidário da idéia da inspiração. Seja banal, antiquado, mas sem inspiração não se faz nem se escreve nada. A pessoa adquire a técnica de se comunicar e tem facilidade, como eu tenho, de escrever coisas. Mas aquela coisa profunda que vem das entranhas da gente, isto é inspiração.

Que é que o senhor sente no fundo do coração quando está criando?
Quando estou criando um poema eu sinto uma certa exaltação física, um certo ardor. (Pausa) Não, não exageremos; também não é um estado de transe, de levitação. Mas sinto uma espécie de emoção particular que me impele a escrever. E isso me surge até em horas imprevistas, diante de um espetáculo, de uma criança dormindo na rua, um cachorro mexendo com o rabo, uma moça. Qualquer destas coisas pode provocar na gente um estado poético. Ao lado disso, há o lado crítico, depois.

Os seus escritos têm dois lados: um é humorado, alegre, lúdico. O outro é amargo. Qual dos dois é o verdadeiro?
Eu acho que o mais sincero é o lado amargo, não é? Eu sou uma pessoa inteiramente pessimista, cética. Não acredito em nenhum valor de ordem política, filosófica, social ou religiosa. Acho a vida uma experiência que tem de ser vivida, mas que se esgota e termina, acabou, não tem nada.

Vale a pena viver, apesar disso?
Claro, porque deram a você essa oportunidade.

Ou viver é só uma fatalidade?
É, porque você não pediu, você foi chamado. Então é uma fatalidade neste sentido. Então procure viver o menos desagradavelmente possível.

O senhor é feliz?
Não sei. Não sei. Eu não sei o que é ser feliz. Eu vivo, e vivo em paz com meus semelhantes.

O que é a esperança, para o senhor?
Um fio muito fino,ao qual eu meu agarro para não morrer desesperado.

Um de seus poemas, José, é um poema desesperado, mas no final ele não se mata, ou seja: o senhor escreve coisas amargas, mas às vezes deixa uma abertura, uma ponta de esperança.
Sim, ele não se mata. Ele marcha, ele anda.

O senhor lê a poesia que se faz hoje no Brasil?
Eu acho muito ruim.

E o movimento concretista?
Uma bobagem.

A poesia práxis também?
É. Outra bobagem.

O senhor não vê valor nesses movimentos?
O que há hoje no Brasil é uma diluição da poesia brasileira em termos até chatíssimos, porque todo mundo agora faz poesia, e ninguém faz poesia. É uma coisa incrível. O mal disto vem do Modernismo. O Modernismo rompeu, inovou, criou, deu novas formulações estéticas, mas ao mesmo tempo permitiu que todo mundo que não sabe escrever escrevesse. O pessoal não tem a menor noção de ritmo, de criação verbal e faz versos. Todos os dias agora aparecem antologias, e então aparecem 200 poetas, geralmente mulheres. E impressionante o número de mulheres que pensam que fazem versos.

Bem, acho que estamos no fim. O senhor quer dizer mais alguma coisa?
Eu não. Não quero dizer nada. Você me arrancou uma porção de coisas que eu não devia dizer. Por minha iniciativa, eu não digo nada a ninguém, sabe?


Confidência do Itabirano
Carlos Drummond de Andrade

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida
é porosidade e comunicação

A vontade de amar que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas,
sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança Itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas
que ora te ofereço:
este são Benedito do velho santeiro Alfredo Durval;
este couro de anta, estendido no sofá
da sala de visitas; este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Comente: Drummondiando.

Sábado, 03 de maio


23:19 Eu odeio ficar sozinha em casa. Eu sei que todo mundo já sabe disso. Sei também que eu já devia ter me acostumado porque isso é uma das coisas que mais tem me acontecido ultimamente, mas não me acostumo. Não me acostumo com a idéia de que a pessoa que está mais perto de mim agora esteja tão distante. Um dia ou outro, de uma forma ou de outra, é sempre assim: todas as vezes que meus pais viajam eu acabo sozinha. Meu irmão vai dormir na casa de alguém, minha irmã some, e eu fico aqui. Fico pensando no que é o pior da solidão. Às vezes penso que é a falta de alguém para falar, mas existe telefone, internet e nem por isso me sinto menos sozinha. Às vezes penso que é a hora do banho, quando as lágrimas que lavam a alma escorrem do rosto e misturam seu sal ao sabão, que vai na água que lava o corpo. Mas logo me dou conta da bobagem: nunca tomo banho com ninguém, não haveria de ser por que estou sozinha que o banho me incomodaria. Mas por que nos banhos destes dias me pego a chorar? Acho que deveríamos saber das coisas por antecipação. Só. Não precisávamos de saber se seriam boas ou ruins, apenas se seriam ou não seriam. Imagine o que faríamos com todo o tempo perdido, desperdiçado, em esperas economizado? Mas o que é pior em ficar sozinha em casa? Podem ser os barulhos que assustam, ou a falta deles que angustia. Pode ser ter todo o tempo do mundo, e por alguns instantes não ter o que fazer com ele. Pode ser o excesso de liberdade, ou de paredes. Pode ser a presença constante de uma ausência. Podem ser as refeições. Cozinhar pra todo mundo e ninguém comer. Comer sozinha assistindo televisão. Esquentar comida no microondas. As lembranças da mesa cheia, do cheiro das panelas, dos pratos e talheres à mesa. Na verdade hoje eu queria falar do começo do frio. Queria dizer que eu saí na rua de camiseta e chinelo e pude sentir um vento gelado nos meus pés. Queria falar que neste tempinho uma das coisas que mais gosto é tomar sorvete. Mas estou sozinha demais para pensar em frio, em sorvete, em coisas que gosto. Minha cama está pronta e tem várias cobertas. Dois travesseiros. Um só corpo. Acho que o pior de se estar sozinho é mesmo a hora de dormir. Mas seria pior se não existissem certos remédios. Se eu dormir, acho que não vou sonhar. Se eu sonhar, acho que vai ser com a evolução da indústria farmacêutica. Se eu acordar, acho que não vai ser de muito bom humor. Amanhã não vai ser outro dia, vai ser mais um domingo. Já sei de cor como eles começam e terminam. Sozinha. Não tenho tido muitas vontades, mas hoje eu tive uma vontade imensa de sair. Antes de amanhã chegar passa.


09:39 Eu não sei fazer templates, nem bons, nem ruins. Eu não sei escrever como eu queria. Eu não sei colocar as imagens certas nas horas certas. Eu não sei como mudar a vida das pessoas. Eu não consigo ajudar todo mundo que eu desejo. Eu não posso fazer com que minhas palavras ultrapassem certas barreiras. Eu tenho medo do alcance de algumas coisas. Muitas vezes eu queria ser diferente. Muito diferente.

Queria ser a culpada
pela sua falta de sono
Pela sua falta de fome
Queria ser sua musa sem nome
Queria ser culpada pelo seu sorriso
Queria ser aquela que te deixa
Alucinado, apaixonado
Queria ser a dona dos seus beijos
E desse seu corpo
Dona da sua alma
Queria ser seu caso sério
Queria você sendo só meu
Nem que isso me levasse o céu
A terra
Me deixasse num deserto árido
Quente, insuportável
Queria você
Pra mim
Palpável.
Trise



Ela invadiu os sonhos dele covardemente noite após noite sem pedir permissão. Foi entrando e ficou por lá mesmo. Ele relutou, não quis mais dormir, guerreou contra ela com seu exército de terracota, atirou nela com suas poderosas balas de festim, jogou bombas de chocolate, tentou matá-la de amor. Mas não venceu e toda noite ela reaparecia para levá-lo a passear por pontes e jardins, sorvetes e farmácias, vivos e mortos e outros lugares que só os sonhos explicam. Aos poucos ele foi deixando de lutar e começou a aceitar. De aceitar, começou a desejar. Já queria dormir pra não acordar mais, queria que ela o levasse pela mão, para sempre. Todos os dias de sua vida foram assim e a sua vida era sonhar com ela. E era feliz pois encontrou a mulher dos seus sonhos no lugar menos provável: nos seus próprios sonhos. E assim eles envelheceram juntos até o dia em que ele realmente não acordou mais. Ela o tomou pela mão para levá-lo e, por fim, deixou de aparecer.
André



Comente: Sonhos e devaneios reais.

02 de maio - sexta

Atenção, ainda precisamos muito da sua ajuda!


A Rozângela vocês já conhecem: é uma jovem que trabalha na casa da Juzinha há 8 anos. Ela tem 33 anos e uma filhinha, chamada Amanda, de 5 anos. Rozângela é portadora de um tipo de anemia falciforme e, por causa disso, teve descolamento de retina no olho direito. O diagnóstico foi tardio pois os médicos não conseguiram detectar imediatamente qual era o problema, enquanto isso ela foi perdendo, cada vez mais, a visão. Graças a essa ajuda que tem vindo de todos os lados e em todas as direções ela conseguiu fazer uma cirurgia dia 30 de abril de 2003, que não é feita pelo SUS. A outra intervenção foi realizada na quarta-feira e tudo correu bem. Os últimos exames já foram feitos e, como um milagre, ela está recuperando completamente a visão. A Rozângela já estava muito doente, por isso não consegue nenhum plano de saúde. O preço da cirurgia seria R$10.000, mas conseguimos um médico amigo que a fez por R$5.500 no Hospital Hilton Rocha. Foi feito um empréstimo e o pagamento será efetuado em três vezes. Por este motivo continuamos fazendo essa campanha para conseguir cobrir uma quantia dos gastos. Ela sempre foi muito esforçada e trabalhadora, mas agora está praticamente inativa. Sabemos que isso acontece todos os dias, mas não tão perto assim de nós. Essa situação nos sensibilizou muito e o que nos motiva é saber que consehimos o que queríamos e ela voltou a enxergar. Nós, juntos, fizemos parte disso. Mas continua dependendo de nós! Se você puder abraçar esta causa com a gente, deposite qualquer quantia na conta da Rô e depois nos comunique. Um ou cem reais, o que importa é a sua atitude. Caso não possa depositar, divulgue esta campanha e espalhe esta idéia. Nós lhe seremos eternamente gratas! Permita-se fazer um bem para alguém, estamos devolvendo-lhe as cores do mundo! Continuaremos a prestar contas dos depósitos efetuados no Calcinhas, porém não mais diariamente visto a diminuição considerável do fluxo. Caso queira identificar-se, é só falar... e muito obrigada!

Caixa Econômica Federal
Conta: 10993-6
Agência: 2426.013
Poupança pessoa física: Rozângela Ribeiro Benedito



12:18 Arrumem as malas. Comprem os guias. Façam terapia. Estudem. E boa viagem!

10:14 Eu odeio arquivar o meu mês, mas como todo mundo já sabe disso, vou falar de outras coisas. Estamos em maio, mês das mães, e minha mãe na constante iminência de perder a sua mamãe. Vovó já está bem velhinha, daquelas avozinhas que Deus já quer só para ELE. Já não pode mais andar e tem dificuldades para falar. As coisas já não fazem muito sentido assim. Mas a morte, ah a morte, essa é a grande inimiga do homem e aliada do tempo. Há que se dizer: não tenho medo da morte. Mas temos sim. Ninguém quer morrer. Mas morreremos todos. E talvez mais difícil do que viver a morte é aceitá-la. É difícil perder. Aceitar que perdemos. Perdemos alguém que amamos para a morte. Não perdemos, a pessoa viverá para sempre em nossos corações. Quer coisa mais idiota? Não podemos ver. Não podemos pegar. Não podemos beijar. Não podemos ouvir. Não podemos sentir. Perdemos. Somos seres humanos. Somos materialistas. Somos mortais. Somos substituíveis. Seremos passado.

quando se morre
aos poucos
às vezes
é bom
morrer mais
rápido
um pouquinho

Carlos Drummond de Andrade

PARA SEMPRE

Por que Deus permite que as mães vão-se embora? Mãe não tem limite, é tempo sem hora, luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba, veludo escondido na pele enrugada, água pura, ar puro, puro pensamento.

Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Mãe, na sua graça, é eternidade. Por que Deus se lembra - mistério profundo - de tirá-la um dia? Fosse eu Rei do Mundo, baixava uma lei: Mãe não morre nunca, mãe ficará sempre junto de seu filho e ele, velho embora, será pequenino feito grão de milho.

Comente: Maio: mês das mães, mês das noivas.







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Jean Paul Sartre






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Um pouco mais de sol...
e eu era brasa
Um pouco mais de azul...
e eu era além
Mário de Sá Carneiro

Por que Conto de Réis?

Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?

Ossos do ofício
Biologia
Literatura
Geografia



Eu recomendo!
A hora da estrela de Clarice Lispector;
Amadora de Ana Ferreira;
Afrodite de Isabel Allende;
Clube dos anjos de Veríssimo;
Nome falso de Roberto Piglia;
Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.


Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges


PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR
by poetinha


Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.

Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.

editored by juju



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