"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...
Eu não amo quem não me ama!
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Não digo quem é, mas tem gente que ODEIAALGUÉM QUEEUTAMBÉM NÃOPOSSODIZERQUEMÉ. Tá bom assim? E eu ainda não descobri quem eu vou odiar além do ORIGAMI. É que tem que ser alguém que canta.
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POEMINHA SURREALISTA Millôr Fernandes
Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.
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Pra não deixar ninguém esquecer!
Num lugar onde só existiam pizzas, as de aliche foram expulsas pelas de ervilha.
Qual o nome do filme?
- Aliche no país das más ervilhas.
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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.
Por exemplo, essa semana eu posso fazer a lista das cinco coisas mais bacanas que aconteceram ultimamente (nos últimos meses):
1.Conhecer a Anna Barbara e a Pati;
2.instituir o almoço das amigas como evento sagrado;
3.comprar meu vídeo e meu dvd novos;
4.minha formatura;
5.Reveillon de 2002/2003.
Tudo de bom! Todo mundo merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio: Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não. Segunda alternativa: Fui, porém contrariada. __________
Cantinho do Leminski
tarde de vento até as árvores querem vir para dentro
tudo dito, nada feito, fito e deito
temporal fazia tempo que eu não me sentia tão sentimental
rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?
incenso fosse música isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.
Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.
epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em desastres
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida." Lord Byron
Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Marcelo, o do Cláudio, o da Ana, o da Juzinha, o da Carol, o das Amigas, a página do Cláudio e o fotolog do Guto são filhos. Minha família tá crescendo!
Para você escutar enquanto me lê: DJ Nyquill
Aguarde... vem mais por aí.
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O texto também tem uma forma humana, uma figura, um "anagrama do corpo".
Barthes
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Prêmios Eu mereço!
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
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Domingo, 29 de junho
10:45 Pela enésima vez tento postar qualquer coisa hoje, mas acho mesmo que eu não deveria, até meu computador concorda. É, um dia o caldo entorna e esquenta suas mãos, ou queima, não é mesmo, Adolfo? Hoje consigo responder algumas de minhas próprias dúvidas: sim, todo encontro pressupõe uma despedida, e não, nem toda história de faz de conta termina com e foram felizes para sempre...
...e se for imperfeito
Que seja com perfeição
Como um beijo meio de lado
Ou um abraço de despedida
Como se fosse a ultima vez
Que fizéssemos isso de novo
E se o sol nascesse bissexto
E a lua reinasse em você
Eu não deixaria tais medos
Como solidão e desejo
Tomarem conta de mim
Como tomam controle de você
Eu tentei tudo em minhas mãos
Como se fosse ontem
Que larguei sua mão vazia
Como viajante eu errei
Pelo erro de minha vida
E como beijo de despedida
Deixei você
E se for atroz
Que seja dramático
E se nada acaba
Como sempre fiz errado
Eu parto até...
Encontros e Desencontros
Arthur da Távola
Cada encontro está carregado de perda. Ou de perdas. As vezes duas pessoas que se amam (amigos, casados, solteiros, amantes, namorados) se encontram e são felizes. Ao fim da felicidade, um deles chora. Ou fica triste. Ou baixa os olhos. Ou é invadido por uma inexplicável melancolia. É a perda que está escondida no deslumbramento de cada encontro.
O encontro humano é tão raro que mesmo quando ocorre, vem carregado de todas as experiências de desencontros anteriores. Quando você está perto de alguém e não consegue expressar tudo o que está claro e simples na sua cabeça, você está tendo um desencontro.
Aquela pessoa que lhe dá um extremo cansaço de explicar as coisas é alguém com quem você se desencontra.
Aquela a quem você admira tanto, que lhe impede de falar, também é um agente de desencontro, por mais encontros que você tenha com as causas da sua admiração por ele.
A pessoa que só pensa naquilo em que vai falar e não naquilo que você está dizendo para ela é alguém com quem você se desencontra.
Alguém que o ama ou o detesta, sem nunca ter sofrido a seu lado, é alguém desencontrado de você.
Cada desencontro é perda porque é a irrealização do que teria sido uma possibilidade de afeto.
É a experiência de desencontros que ensina o valor dos raros encontros que a vida permite. A própria vida é uma espécie de ante-sala do grande encontro (com o todo? o nada?). Por isso talvez ele nada mais seja do que uma provocação de desencontros preparatórios da penetração na essência DO SER.
Mas por isso ou por aquilo, cada encontro está carregado de perda. E no ato de sentir-se feliz associa-se a idéia do passageiro que é tudo, do amanhã cheio de interrogações, da exceção que aquilo significa. A partir daí, uma tristeza muito particular se instala. A tristeza feliz. Tristeza feliz é a que só surge depois dos encontros verdadeiros, tão raros.
Encontros verdadeiros são os que se realizam de ser para ser e não de inteligência para inteligência ou de interesse para interesse. Os encontros verdadeiros prescindem de palavras, eles realizam em cada pessoa, a parte delas que se sublimou, ficou pura, melhor, louca, mas a parte que responde a carências e às certezas anteriores aos fatos.
É mais fácil, para quem tem um encontro verdadeiro, acabar triste pela certeza da fluidez da felicidade vivida do que sair cantando a alegria da felicidade vivida ou trocada. Quem se alegra demais se distancia da felicidade. Felicidade está mais próxima da paz que da alegria, do silêncio do que da festa. Felicidade está perto da tristeza, porque a certeza da perda se instala a cada vez que estamos felizes.
É esta certeza - a da perda - que provoca aquela lágrima ou aquela angústia que se instala após os verdadeiros encontros. Há sempre uma despedida em cada alegria. Há sempre um E depois? após cada felicidade. Há sempre uma saudade na hora de cada encontro. Antecipada. Disso só se salva quem se cura, ou seja, quem deixa de estar feliz para ser feliz, quem passa do estar para o ser.
Chupado daqui.
SEM SABER
Idéia da Tudiby juju.
As contradições me deixam sem inspiração.
Hoje, por exemplo, estou confusa...
Muito feliz e muito triste. Um turbilhão dentro de mim.
A felicidade vem do lado profissional, das amigas, das horas que passo ainda a sonhar, a querer, desejar, da certeza do que ainda vou fazer.
A indignação me vem da frustração de novas velhas possibilidades, do que eu permito que façam comigo. É fácil não ter paciência e só visar os erros no lugar dos acertos, algumas pessoas mudam mesmo o seu comportamento de forma a contradizerem seus próprios princípios. Viver é muito perigoso. Mais do que perigoso, viver é muito difícil. Eu queria saber pensar na hora certa. Mesmo assim, eu ainda tiamo!
Memória
Carlos Drummond Andrade
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Este post vem sem hora, bem assim como eu me sinto. Deslocado. Vem sem tempo, não traz nenhuma decisão, não traz nada de importante, bem assim como sou. Vem pedir desculpas, bem assim como quero, pelos mails que ainda não respondi e pelos que talvez nem vá responder (não por agora), pelos blogs que não vou visitar nas próximas semanas, pelos comentários que não vou fazer, pelas contribuições que deixo de dar. Vem sentir muito por ser eu. Vem chorar muito por não poder fazer mais do que isso, mais do que tudo o que eu faço que tem sido um constante desengano. Tem sido pouco. Estou não desiludida, decepcionada ou desestimulada, e se assim estisvesse seria comigo mesma. Estou triste. Sinto-me impotente. Debaixo do chuveiro, com o sabonete entre as mãos, ele não escorrega, não cai no chão. Ele derrete e escapa entre meus dedos. E a água sai com cor e cheiro de sabonete. Minhas mãos ficam vazias. Sem cor nem cheiro. E eu?!? Fico com a certeza vaga de que ele já esteve em mim. Fico por aqui.
Strani Amore
Mi dispiace devo andare via / Ma sapevo che era una bugia /
Quanto tempo perso dietro a lui / Che promete poi non cambia mai / Strani amori mettono nei guai / Ma in realtà siamo noi. / E lo aspetti ad un telefono / Litigando che sia libero / Con il cuore nello stomaco / Un gomitolo nell'angolo / Lì da solo, dentro un brivido / Ma perché lui non c'é, e sono / Strani amori che fanno crescere / E sorridere tra le lacrime / Quante pagine lì da scrivere /
Sogni e lividi da dividere. / Sono amori che spesso a quest' età / Si confondono dentro quest'anima /Che s'interroga senza decidere / Se è un amore che fa per noi / E quante notti perse a piangere / Rileggendo quelle lettere / Che non riesci piú a buttare via / Dal labirinto della nostalgia / Grandi amori che finoscono / Ma perché restano nel cuore / Strani amori che vanno e vengono / Nei pensieri che li nascondono / Storie vere che ci appartengono / Ma si lasciano come noi / Ma il realtà siamo noi / Strani amori fragili, prigioneri liberi / Strani amori che non sanno vivere / E si perdono dentro noi / Mi dispiace devo andare via / Questa volta l'ho promesso a me / Perché ho voglia di un amore vero / Senza te
12:32 Eu sempre chego atrasada. Eu sempre me atraso. Às vezes penso mesmo que vou perder o bonde da minha própria vida, ou pegá-lo em outra estação. Ontem não fui ao lançamento do novo livro do Arnaldo Antunes no Museu de Arte da Pampulha, também não vi Pão e Tulipas (de novo), também não fui assistir ao jogo com as meninas, também não fiz o planejamento da recuperação da segunda etapa. Ontem foi ontem. Hoje eu não me perco.
Quem de nós dois
Ana Carolina / Dudu Falcão
Eu e você, não é assim tão complicado,
não é difícil perceber,
Quem de nós dois
vai dizer que é impossível
o amor acontecer
Se eu disser que já não sinto nada,
que a estrada sem você é mais segura.
Eu sei você vai rir da minha cara,
eu já conheço teu sorriso,
leio teu olhar.
Teu sorriso é só disfarce,
e eu já nem preciso.
Sinto dizer que amo mesmo,
tá ruim pra disfarçar.
Entre nós dois
não cabe mais nenhum segredo,
além do que já combinamos.
No vão das coisas que a gente disse,
não cabe mais sermos somente amigos.
E quando eu falo que eu já nem quero,
a frase fica pelo avesso, meio na contra-mão.
E quando finjo que esqueço,
eu não esqueci nada!
E cada vez que eu fujo eu me aproximo mais,
e te perder de vista assim é ruim demais.
E é por isso que atravesso o teu futuro,
e faço das lembranças um lugar seguro.
Não é que eu queira reviver nenhum passado,
nem revirar um sentimento revirado.
Mas toda vez que eu procuro uma saída
acabo entrando sem querer na tua vida.
Eu procurei
qualquer desculpa para não te encarar
Para não dizer,
de novo e sempre a mesma coisa,
falar só por falar.
Que eu já não to nem aí para essa conversa,
que a história de nós dois não me interessa.
Se eu tento esconder meias verdades,
você conhece o meu sorriso
lê o meu olhar.
Meu sorriso é só disfarce,
o que eu já nem preciso.
16:54 Olhem só que delícia de idéia chupada daqui. O texto introdutório é de lá.
Razões para amar sem porquê
Há algumas razões para amar sem porquê. Mas não posso dizer com certeza quais são elas. Sabê-las com exatidão, como quem resolve uma multiplicação, tornariam todas as coisas estupidamente tangíveis (o que acabaria com o emprego dos poetas e dos vendedores de algodão doce). No entanto, posso me atrever a citar ao léu, despretensiosamente, como quem rabisca palavras ao vento, algumas razões nada definitivas para amar sem porquê:
Andar descalça o dia inteiro e sentir os pés no céu;
Escutar no ouvido poemas não decorados, sem versos, nem estrofes, nem poesias;
Ouvir barulho de vento saindo da boca e entrando por todos os poros;
Sussurrar carinhos com a língua;
Celebrar os cinco sentidos;
Sonhar tanto de se esquecer todas as noites;
Tropeçar por andar com os olhos bem longe do chão;
Receber um e-mail e êxitar antes de abri-lo para poder imaginar o que ele traz escrito;
Contar no escuro quantos tipos de respiração podem romper o silêncio;
Tomar banho de manhã só para dormir de novo;
Deixar uma vela queimar até se acabar;
Ver o sol nascer do aeroporto;
Ler um livro bem grande só porque você não poderia deixar de lê-lo;
Chegar em casa com os pássaros cantando;
Dormir sempre com um "travesseiro" entre as pernas;
Brincar;
Contar estrelas até perder a conta do que é estrela e do é você... adaptaded by juju
08:40 Há dias mamãe está tentando marcar uma reunião de família (leia-se uma reunião para discutir assuntos familiares) e não consegue. Por exemplo, hoje não será.
07:50 Mais um dia. Tudo neste mundo tem seu tempo, todo tempo tem sua ocasião. Todo o tempo passa o tempo todo.
Conto o final by juju
Agora estavam os dois ali. Eram só lembranças. E o goso de sal das lágrimas escorridas que não permitiam mais que se olhassem como antes nos olhos lembrava o gosto do suor que ainda a pouco inundava aqueles dois corpos nus. Eram antes como dois animais. Eram agora como duas crianças. E já não conseguiam se tocar ou se beijar, como se só então percebessem que as marcas ficariam: algumas na pele, no corpo, outras mais fundo, bem dentro. A língua era agora áspera, lambiads secas, o sexo dolorido. Tudo na completa desproteção do amanhã. Um abandonado ao outro, outros na iminência da realidade. Bateram na porta. Era hora de engolir o soluço, levantar a cabeça, respirar fundo. Era uma hora difícil. Já não poderiam trocar sonhos, segredos, saliva. Os fluidos agora eram outros. Aos poucos vestiam suas roupas, devagar para prolongar o sofrimento. Ao lado apenas uma vela apagada como testemunha. Minutos antes entornara sua cera sobre a mão dela como se viesse dizer: Mantenha-se acordada ! No curto espaço de um quarto cabia toda a distância que pode caber entre duas pessoas. A voz saia só um sussurro, engasgado, que quando pouco se lembrava e quando muito se negava. Lençois desarrumados, cabelos desgrenhados. Alguém ainda espera à porta (outro alguém à janela?). O tempo se arrasta sôfrego noite a fora, cabeça a dentro. Qunato tempo haveria mais? Haveria mais tempo? Ainda é tempo? Não me deixe sozinho. Foi o que ouviu antes de sair. Eu estou sozinha a noite inteira. Foi o que ela disse antes de fechar a porta. Lá fora já esperavam por ela. As estrelas se apagaram um pouco, a noite ofereceu seu frio e ela aceitou o acalento de um cigarro. Quem a esperava no corredor era o destino. Tomou-a pelas mãos, envolveu-lhe o corpo, rodopiou pelos corredores e voltou para o mesmo lugar. De frente para a porta, cara a cara com o destino outra vez, teve um insigth: Às vezes a dúvida é melhor do que a certeza. Colocou a mão na maçaneta, girou, mas não abriu. Nem a porta, nem os braços, nem as pernas. Recuou. Deu um passo para trás. Olhou para os lados e o viu novamente com as mesmas tentações. Se deixou seduzir. Falar já não adiantava. Fugir não podia. Ofereceu seu corpo à dança. Desta vez fechou os olhos. Por ela cairia num precipício (ou já estava a cair?). Mas não. Quando parou, olhou. Estava em pé, de frente para a porta do porão. As vozes do outro eram agora apenas ecos. Desta vez não vacilou. Colocou a mão na maçaneta, girou, abriu. A porta, os braços, as pernas. Precipitou-se. Deu um passo para frente. E ali se deixou ficar.
Agora a série: coisas copiadas descaradamente do blog da Cathy. Mas adaptadas, tá?!?
Encontros e despedidas Milton Nascimento / Fernando Brant
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter plano
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma desta estação
É a vida desse meu lugar
É a vida
E se minha vida fosse um filme...
Quem escreveria sua biografia? Alexandre (Nego Lee) Popoviski. Com revisão da Anna Barbara. Acho que esta seria uma boa bioagrafia até não autorizada. Aliás, seria bem melhor mesmo do que minha vida.
Quem filmaria sua vida?
Julio Mendem. Vocês já assistiram Lúcia e o sexo?
Qual atriz faria seu papel?
Não vale eu mesma?
Que ator faria par contigo?
Depende, em qual cena? Independente disso, gosto de descobrir talentos.
11:57 Tenho dormido como há tempos não fazia neste feriado-fim-de-semana. Dormido bem. Dormido de verdade. Tranqüila. Segura. Também tenho pensado em mil histórias. Sonhos, devaneios.
O conto do faz de conta
Faz de conta que eles nasceram um para o outro, mas não sabiam. Faz de conta que um dia não se encontraram, mas se descobriram. E então chamaram de desejo a vontade do encontro. Chamaram de amor a cumplicidade. E tudo isso empurrava os dois na mesma direção. Faz de conta que os dois foram indo. Foram indo. Foram. Se olharam pela primeira vez como se vissem o mundo dentro dos olhos do outro. Se abraçaram pela primeira vez como se num abraço coubesse toda aquela paixão. Mas não coube. A paixão transpirava, respirava, suava. Trocava de corpo. Assumia outra forma. Voltava na mesma. Entrava e saía. Tudo ali se encaixava. Tudo ali se ligava. E a cama fez-se palco para espetáculo de amor urgente. O amor em todas as suas cores: amarelo, marrom, branco, transparente. Eles eram dois e eram sós. Mas juntos eram um. Faz de conta que de dentro deles se ergueu um castelo. E este castelo se fez fortaleza, se fez morada, e da dúvida se fez certeza. Pelo chão ou pelo ar fizeram-se caminhos por todo lugar. Era um desejo imenso de ter, ser, saber, conhecer, explorar, descobrir. Pegar, segurar, roçar, cheirar, lamber. Mistura de primeira e última vez. Faz de conta que agora eles estão dormindo. Deitados de frente um pro outro se olhando. Filmando, fotografando na memória cada detalhe. Dos cabelos ao pescoço, dos lábios aos olhos, do nariz às orelhas, dos sonhos à história. Faz de conta que não acabou. Feche os olhos. Faz de conta que é só dormir de novo, e tudo recomeçará. Faz de conta que é para sempre.
Soneto da Separação
Vinícius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silêncioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
10:21 Existem algumas pessoas, sentimentos, lugares, situações, palavras e atos que precisam existir. Se não existissem, precisariam ser inventados. E cada momento único que a gente vive é único, e mesmo o velho fica novo diante do tempo presente. E mesmo o beijo vira outra coisa, e mesmo o desejo reaparece como a saudade do que nunca se sentira antes. E quando a gente olha, respira, pega e sente que existe, sente que a gente existe também. Talvez mais nos outros do que em nós. Eu tenho uma amiga dessas que foi inventada por alguém. Por mim, por outros, vários. Ela nos faz sentir, nos faz sorrir nas horas mais imprevisíveis, nos faz ser, nos faz ver. Anna Barbara nos apresenta o momento escancarando as janelas e nos deixando ver quão lindo estão (são) todos os dias lá fora, mesmo os mais chuvosos.
08:43 Um ser dois. Todo encontro pressupõe uma despedida?
O Último Afogado
Andamos muitas vezes de mãos dadas, apenas amigos em uma paisagem ampla. Sentados à sombra de estranhas esculturas, contávamos em inverso os dedos de prosa regressivos de uma atração que tinha que acontecer. Você adorava pensar que atraíamos as carpas do lago somente pelo olhar.
Viajamos em ônibus cheios e vazios, enquanto as luzes noturnas da avenida iluminavam seu sorriso misterioso, sua sensação absurda de que nada poderia acontecer, pois eu não poderia de maneira alguma te querer.
Um sorriso que se apagou imediatamente na tarde nebulosa em que me declarei. Suas lágrimas desciam cristalinas e vermelhas devido ao sol que se punha melancólico. Você disse entre soluços que só iria me machucar.
Mas mesmo que fosse verdade, você deveria saber que eu iria de qualquer maneira tentar.
E quando cartas invadiram a tua bolsa, quando palavras roçaram teus ouvidos, você acabou percebando aonde eu queria chegar.
Mas então foi você que chegou, cansada de brigar consigo mesma em uma festa na mais alta madrugada, tilintando de antecipação. Se encostou em um canto escuro da parede, fechou os olhos, aceitou a minha boca, aumentou meu espaço no mundo em um entrelaçar em minhas costas de suas mãos.
E o resto é história, a nossa história, e de mais ninguém.
Do que amei e do que sofri, só eu sei. Não consigo entender as despedidas, porque entre as chegadas e partidas, eu sempre fiquei.
E agora que pertence ao meu passado, não entendo ao certo as lágrimas que eu chorei. Porque entre a morte disso tudo e a vida que levei depois, só agora me sinto pronto para ser novamente dois.
A sorte, como eterna moça sorridente de dentes perolados, lança seus dados após um beijo doce mais uma vez.
E eu de novo chego à superfície, cabelo molhado no rosto, respirando profundamente mais uma vez de boca aberta, matando o último afogado em meu coração.
Texto do Adolfo retirado daqui.
08:21 Hoje é um dia que por definição deveria ser um dia de azar. Mas eu decidi: não será! Ontem eu e minha cama tivemos uma noite fantástica de dia dos namorados. Grudadinhas, coladinhas, quentinhas. Assisti filme, comi pipoca, tomei coca cola, dormi cedo. Acordei cedo, como sempre, e acordei bem, como quase nunca (ultimamente tenho vivido com sono, culpa do combinação durmo tarde x acordo de madrugada). Acordei com vontade de contar para todo mundo por que é que eu não acredito no Dia dos Namorados comemorado em 12 de junho.
A história do Dia dos Namorados
O feriado do dia dos namorados provavelmente origina-se da festa romana antiga de Lupercalia. Nesta região, os lobos ferozes vagavam próximos às casas. Os romanos convidaram então um de seus deuses, Lupercus, para manter os lobos afastados. Por isso, um festival era oferecido para a honra de Lupercus e comemorado no dia 15 de fevereiro.
Um dos costumes dos povos era, no inicio do festival de lupercalia, colocar os nomes das meninas romanas escritos em pedaços de papel dentro de frascos. Cada homem escolheria um papel. A menina cujo o nome foi escolhido devia ser sua namorada durante aquele ano.
O feriado se transformou no dia dos namorados ou Valentines's day em homenagem ao Padre Valentine. Valentine era um padre em Roma, quando o cristinanismo ainda era uma religião nova. O imperador nesse tempo, Claudius II, requisitou que os soldados romanos não se casassem, pois existia um decreto anterior permitindo que os homens casados permancessem em casa com suas famílias ao invés de lutarem nas guerras.
Valentine foi contra o decreto do imperador e acredita na união das pessoas apaixonadas, conseqüentemente casava secretamente os jovens. O padre foi descoberto pelo imperador, preso e julgado à morte. Valentine morreu decapitado numa praça pública em 14 de fevereiro, perto do feriado romano de Lupercalia. Após sua morte, Valentine foi nomeado um santo. Quando Roma se tornou Cristã, os padres mudaram o feriado do dia 15 de fevereiro para o dia 14: Valentine's Day em honra do Padre, no lugar do deus romano Lupercus.
No Brasil comeroramos o Valentine's Day como dia dos Namorados, no dia 12 de junho. Sabe por quê? Porque 14 de fevereiro é um dia muito próximo ao Carnaval e junho não possuía nenhuma data que movimentasse o comércio, só por isso. 12 de junho é dia de quê? De nada!
10:36 Hoje é dia dos namorados. Sim, hoje é mais um dia comercial como dia das mães, dos pais, da sogra, da secretária, das crianças... Dias marcados para você dizer que gosta de quem gosta para quem gosta. Pense, é uma oportunidade única para aqueles que estão mais preocupados com o presente do que com o sentimento. Para quem está preocupado em enfrentar fila de restaurante ou de motel. Para quem quer mais mostrar o namorado do que realmente namorar. Eu gosto dessas datas, gosto de dar e de ganhar presentes, mas gosto de fazer isso todos os dias, qualquer dia. Prefiro, na verdade, inventar datas. Hoje faz um ano do nosso primeiro café ou é aniversário do nosso primeiro livro. Gosto de surpresas. Surpreender e ser surpreendida. Em dias assim as pessoas se beijam mais, se perdoam, sorriem, tentam agradar, querem ser mais felizes. Nem que seja só um dia e que seja necessário pagar por ele. Se as pessoas soubessem como é bom construir um relacionamento verdadeiro e sincero, construir com as próprias mãos-atitudes fortalezas dentro delas, talvez amassem mais a vida. Talvez se amassem mais e colocassem menos nos outros as próprias frustrações. Talvez se frustrassem menos. Se todos nós soubéssemos como é fácil ser feliz, talvez não ficaríamos mais tristes. Nunca. Dia dos namorados pode ser sexta-feira, ou quem sabe semana que vem?
Minha namorada
Vinicius de Moraes e Carlos Lyra
Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê
Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste para você
O seus olhos tem que ser só dos meus olhos
Os seu braços o meu ninho
No silêncio de depois
e você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois
Hoje é dia de ouvir alguém cantando isso no seu ouvido. Ou de cantar no ouvido de alguém. Eu tenho essa mania, acho isso a entrega absoluta. Mas se eu cantasse seria Vambora.
Preciso dizer algo sobre a vitória do Cruzeiro ontem, mas a noite foi tão surreal que eu preciso ainda assimilar tudo melhor. Conto até da minha noite de turista na minha própria cidade. Mas depois, bem depois...
10:00 Hoje me resumo a dizer que estou triste. Muito triste. E como as lágrimas insistem em rolar no meu rosto,e como o choro insiste em me engasgar, e como a noite ainda não passou, e como as mãos tremem a cada letra; hoje eu não escreverei. Não mais.
O que eu, em minha soberba racionalista nem sequer podia imaginar, é que civilizações muito anteriores à nossa, por não perderem o seu tempo com as ilusões da casca, chegaram a conhecer, muito mais profundamente do que nós, a essência da vida que passados mais de seis mil anos é exatamente a mesma.
O que eu, em minha vaidosa ignorância intelectual, não sonhava, é que assim na terra como no céu, as coisas acontecem dentro de uma ordem sublime, que os gregos chamavam de KAOS, e que só o fato de saber que ela existe pode tirar uma pessoa de uma depressão severa, ou trazer a vontade de viver novamente a alguém que já a tinha perdido.
Conhecer velhos deuses esquecidos pode iluminar as trevas em que o acaso nos jogou. Pode dar significado, e de uma hora para outra nos mostrar que ao invés de termos motivos para chorar e reclamar, o que deveríamos realmente fazer é cair de joelhos em gratidão eterna pela sabedoria suprema que nos manda o que precisamos na hora exata de transformar chumbo em ouro.
Nosso drama não é tão particular assim, na verdade pertence a toda a nossa espécie, e, portanto, não precisa ser tão dramático assim. As situações que enfrentamos tem início, meio, fim e, pricipalmente, finalidade.
Não, não estamos apanhando em vão. A vida sabe o que está fazendo, e na hora em que compreendemos os seus motivos, o Sol volta a brilhar para nós. O que nos joga na lona não são as dificuldades. Problemas sempre existiram, e provavelmente sempre existirão. O que nos derruba é não ver a luz no fim do túnel, ou a sensação surda de que Deus nos abandonou ou está nos punindo por algo que não sabemos o que é.
Os deuses da mudança não punem, eles nos amam. E em seu amor, não se conformam com a nossa acomodação. Querem o nosso melhor, e para isso nos fazem dar o melhor.
A hora é de mudança.
A hora é de dizer sim à vida. Tem outro jeito?
Trânsitos astrológicos: A hora de dizer sim à vida
Maltz, by juju
12:18 Eu devia parar de beber. Pronto, é isso. Ou melhor, eu devia beber vinho. Eu devia ler mais. Eu devia falar menos. Eu devia estar dormindo agora.
Sua boca é uma flor túrgida e noturna. Uma flor carnívora. Sua língua é a serpente que se esconde no centro dessa flor, sempre preparada para o bote. As pétalas se abrem como os lábios felpudos de uma sanguessuga e o animal vasculha meu corpo à procura de alimento, à procura da minha alma. Ele ainda não me cavalga, mas subtrai da minha carne cada poro, cada dobra, cada reentrância. Do centro de suas pétalas inchadas e vorazes, envolvendo a serpente, surgem apêndices duros e cortantes, com os quais ele penetra meus músculos, rasga minha carne, fere-me. E ao sentir o gosto do meu sangue, ele se excita, redobra sua violência, e me tritura com seu corpo inteiro, prendendo-me num abraço violento e tenaz. Sufoca-me. E sob o terror do seu desejo, nada me resta, senão ceder ainda mais, dizer sim, expor-me, abrir-me, implorar por mais. A noite avança impulsionada pelo calor dos nossos corpos e nada nos refreia. Lá embaixo, os carros passam, algumas vozes sobem, rompendo a escuridão como flashes de absurdo. Nada nos separa, no entanto. Tudo se mistura. Já não sabemos mais quem é o animal. E a quem pertence este membro, e para quem este olho hipnotizado pela luxúria olha. Devastamos nossos corpos buscando o que jamais encontraremos. Ou melhor: buscando o que, encontrado na noite passada, perdemos, de propósito, para achá-lo novamente agora. Konstantin Gavros, Sexo Verdade
12:33 Eu sempre choro em casamentos. Não sei o porquê nem me preocupo com isso, mas me emociono. Acho que é a questão da escolha. Tudo na vida é uma questão de escolha, mas o casamento é diferente, é escolher alguém para viver, para conviver. Talvez a maior de todas as escolhas. É dizer te amo para todo mundo ouvir, saber. É arcar com as conseqüências do gostar. Ai... ai...
Quero me casar
Carlos Drummond de Andrade
Quero me casar
na noite na rua
no mar ou no céu
quero me casar.
Procuro uma noiva
loura morena
preta ou azul
uma noiva verde
uma noiva no ar
como um passarinho
Como é bom viver neste mundo cheio de vocês!
Cheio do amor que derrama, generoso, de vocês.
Cheio da ausência de ódio que habita a alma de vocês.
Cheio da bondade que jorra do mais íntimo de vocês.
Cheio da irmandade que norteia a existência de vocês.
Cheio da solidariedade humana tão própria de vocês.
Como é bom, enfim, ser AMIGO DE VOCÊS
Tininho (Juventino Carlos Marques), Julipa (Juliana Ferreira) e
Anna Barbara (assim mesmo, com dois enes, sem acento, tal qual tataravó)!
Que a Vida lhes recompense todo o bem que nos desejam.
Recebam um afetuoso beijo em seus corações.
08:13 Hoje o meu dia está com cara de ultimato. Acordou assim. Aliás, dormiu assim. Sabe aqueles dias em que você acha que a sua vida é um texto e que hoje vai ser pouco para escrever esta página? Ou que você pensa que é impossível fazer qualquer edição em algo que precisa de muitas e muitas revisões? Sabe quando você tem a sensação de que no fim você está sempre falando sozinha? Ou de que você realmente fala demais? Mais do que deveria. Mais do que poderia. Mais do que querem ouvir. Mais do que querem conversar. E quando acaba a festa você está dormindo no chão.
20:40 Aos meus grandes e queridos amigos Bala e Célia, parabéns! Muitas vezes sempre parabéns! São pessoas como eles que me fazem acreditar que o amor nunca acaba para quem é do bem! Tentei colocar aqui a linda foto do casamento dos dois, mas não abriu por causa do endereço. De qualquer maneira, o amor não tem forma.
09:25 Às vezes durmo de um jeito e acordo de outro. Às vezes assim, às vezes assada, com açúcar e canela.
E por que haverias de querer... Hilda Hilst
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
16:46 Direto do Colégio Pitágoras o meu plantão informa: Juju está fora de área de serviço (dentro) ou desligada.
Eu cansei de ser a louca da história, e no meio desta história de loucos, acabo realmente enlouquecida. Gosto de agradar mas não tando que desagrade a mim, que possa desagradar a alguém. Hoje peço licença e me retiro do recinto, fico off line, fecho a porta atrás de mim e, como sempre fiz e continuo fazendo mais por gosto do que por mania, tranco e engulo a chave. Perdi o bonde, me atrasei para o trem, o ônibus só vi passar, mas escutei o barulho do avião. E ele fazia tum tum. Fechei os pulsos, olhei para o céu, olho para o chão. Feito criança que engole o choro senti o gosto da lágrima escorrendo pela garganta e indo parar no frio da espinha. Depois de me despir, agora é hora de vistir a roupa, arrumar o vestido e os cabelos e, se der vontade, pular da janela. A brincadeira acabou. Vou fechar os olhos e contar até três. Talvez três seja muito pouco. Contarei até dez. Talvez dez seja pouco. Contarei até cem. Talvez cem ainda seja pouco. Contarei pelo resto da vida. Talvez contar seja inútil.
21:59 Acho que todo mundo por aqui já sabe que euodeiofazerarquivo. Tudo bem, desta vez resolvi fazer algo menos traumático. Primeiro, não arquivei no dia primeiro; segundo, arquivei no meio, mais para o fim, do dia.
Se alguém diz que esta música é a minha cara, quem sou eu para dizer que não.
Não me deixe só
Vanessa da Mata
Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis
Até que os olhos mudem de cor
Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero de amor
Fique mais
Que eu gostei de ter você
Não vou querer mais ninguém
Agora que sei quem me faz bem
Não me deixe só
Que eu saio na capoeira
Sou perigosa, sou macumbeira
Eu sou de paz, eu sou do bem
Mas não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz
Não me deixe só
Um pouco mais de sol... e eu era brasa Um pouco mais de azul... e eu era além Mário de Sá Carneiro
Por que Conto de Réis?
Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?
Eu recomendo! A hora da estrela de Clarice Lispector; Amadora de Ana Ferreira; Afrodite de Isabel Allende; Clube dos anjos de Veríssimo; Nome falso de Roberto Piglia; Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.
Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges
PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR by poetinha
Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.
Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.