"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
__________
Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
__________
Só para não dizer que não falei das flores...
Eu não amo quem não me ama!
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Não digo quem é, mas tem gente que ODEIAALGUÉM QUEEUTAMBÉM NÃOPOSSODIZERQUEMÉ. Tá bom assim? E eu ainda não descobri quem eu vou odiar além do ORIGAMI. É que tem que ser alguém que canta.
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POEMINHA SURREALISTA Millôr Fernandes
Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.
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Pra não deixar ninguém esquecer!
Num lugar onde só existiam pizzas, as de aliche foram expulsas pelas de ervilha.
Qual o nome do filme?
- Aliche no país das más ervilhas.
__________
Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.
Por exemplo, essa semana eu posso fazer a lista das cinco coisas que me provam que da mesma forma como DEUS existe, o inferno também é aqui:
1.Angústia;
2.Internet;
3.Mentir;
4.Errar;
5.Ficar sozinha.
Ninguém merece!
__________
E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio: Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não. Segunda alternativa: Fui, porém contrariada. __________
Cantinho do Leminski
tarde de vento até as árvores querem vir para dentro
tudo dito, nada feito, fito e deito
temporal fazia tempo que eu não me sentia tão sentimental
rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?
incenso fosse música isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.
Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.
epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em desastres
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida." Lord Byron
Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Marcelo, o do Cláudio, o da Ana, o da Carol, o das Amigas, a página do Cláudio e o fotolog do Guto são filhos. Minha família tá crescendo!
O texto também tem uma forma humana, uma figura, um "anagrama do corpo".
Barthes
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Prêmios Eu mereço!
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
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Quinta, 31 de julho
Dia do orgasmo
16:42 Dizem as más (ou as boas) línguas que hoje é dia do orgasmo. Na verdade bem verdadeira eu li isso no Hocus Pocus e é claro que eu não poderia deixar este dia passar em branco... não, branco não. No mínimo vermelho, universalmente considerado como o símbolo fundamental do princípio de vida.
Exu
Abílio Ferreira
Lábios vermelhos
Muito vermelhos
Acesos e acesos e haciendo-me entrar
- vem vem me ver por dentro
E eu vou à fenda - acesso labiríntico a chamar
A brasa - chama rubra e corpo negro
O vermelho é uma cor ativa e estimulante. Produz impulsividade, avidez, excitabilidade, impulso sexual, desejo. O vermelho favorece a força de vontade, a conquista, a vitória, a glória e a liderança. É ativo, ofensivo, agressivo, competitivo, sensual, excêntrico, autônomo e móvel. Sua contemplação estimula a ação, a luta, a conquista. Esta cor faz as pessoas aprimorarem seu magnetismo pessoal e sua força vital psíquica ou orgânica. Pessoas que se prendem a esta cor são dinâmicas, instáveis, empreendedoras e às vezes até violentas em casos extremos. É, sem dúvidas, a cor do orgasmo. Se sexo tivesse cor, seria esta. Ela aumenta o pulso, a freqüência cardíaca, a pressão arterial e o ritmo respiratório. Estimula a força vital, a atividade nervosa e glandular, e produz contração dos músculos comuns. No dicionário encontrei esta definição para a palavra que hoje nos inspira:
orgasmos.m.1 momento em que o prazer da excitação sexual atinge o máximo de intensidade e que, no homem, provoca a ejaculação seminal e, na mulher, miotonia e contrações uterinas, sufusão tépida e sensação de latejamento pélvico. 1.1 espasmo do coito; clímax 1.2 excitação de um órgão, freq. com turgescência 2fig. efervescência de sentimentos, excitação incontrolável do espírito que se pode manifestar em reações físicas. ETIM fr. orgasme (1611) ‘vivo acesso de cólera’, (1623) ‘o mais alto grau de uma excitação fisiológica’, (1777) ‘o ponto mais alto da excitação sexual’.
A minha continua sendo de que o orgasmo é indefinível, indescritível, indizível.
E procurando na interent resquícios de orgasmos e rastros de vermelho eis que encontro os rastros dela num gozo literário embevecedor. Hilda Hilst. Nos rastros dela encontro ainda Yuri. Mas o que me diverte é que aqui copio uma citação não do Yuri, nem da Hilda, de sua mãe: “Se tens um inimigo, deseja-lhe uma paixão”.
Continuei minha busca e não pude fazer mais do que gozar com os orgasmos alheios. Como bem disse Manoel de Barros: "Descobri que servia era pra aquilo: Ter orgasmo com as palavras”.
Tato
Arnaldo Antunes
O olho enxerga o que deseja e o que não
Ouvido ouve o que deseja e o que não
O pinto duro pulsa forte como um coração
Trepar é o melhor remédio pra tesão
Um terço é muita penitência pra masturbação
A grávida não tem saudades da menstruação
Se não consegue fazer sexo vê televisão
Manteiga não se usa apenas pra passar no pão
Boceta não é cu mas ambos são palavrão
Gozo não significa ejaculação
O tato mais experiente é a palma da mão
Delírio
Olavo Bilac
Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
"Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!"
Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.
Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
"Mais abaixo, meu bem!" - num frenesi.
No seu ventre pousei a minha boca,
"Mais abaixo, meu bem!" - disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci...
O enterrado vivo
Carlos Drummond de Andrade
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.
É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.
É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
Ainda Drummond...
Os movimentos vivos no pretérito
enroscam-se nos fios que me falam
de perdidos arquejos renascentes
em beijos que da boca deslisavam
para o abismo de flores e resinas.
Vou beijando a memória desses beijos.
Fernando Pessoa gozou em Portugal:
E falta sempre uma coisa, um copo, uma brisa, uma frase.
E a vida dói quanto mais se goza e quanto mais se inventa.
Enquanto isso Dina Posada gozava em El Salvador:
Orgasmo
Nerviosa la hora parpadea
ante el tiempo que se ahorca
me rodea me cava me lame
una dicha sin tamaño ni fondo
mis dedos agonizando
en tus costados
se pierden con el mundo
en un suspiro
E depois acabei descobrindo que existe por aí o Globalgasm. O que é? Um projeto para que em todos os dias primeiro de cada mês, às 08 horas da manhã, todas as pessoas do mundo inteiro tenham um orgasmo! Isso mesmo: um orgasmo. Para quê? Para que todos tenhamos um mundo melhor. Amanhã é dia primeiro, você bem que poderia contribuir para melhorar o mundo...
17:12 Apertem os cintos. Próxima parada, Tiradentes.
Conheci Tiradentes há cinco anos, nessa mesma ocasião tirei essas fotos. A então estudante, no começo de sua faculdade, resolveu aceitar um trabalho de férias: um mês como garçonete de uma cafeteria em Tiradentes. Eu não sabia que ali seria o começo de uma paixão, ou de várias paixões. 190 quilômetros de Belo Horizonte. 480 quilômetros de São Paulo. Tiradentes fica ali. Depois (ou antes) de Barbacena, Lavras, Congonhas, São João Del Rei. A cidade foi fundada em 1702 pelos bandeirantes que vinham sedentos pelo ouro que brotava nas encostas da Serra de São José. E fico a pensar nas vidas que se perderam para que aquelas pedras ocupassem seus lugares, para que sobre elas eu hoje pudesse passar. Naqueles casarões tão cheios de história a minha se confunde, se mistura, se perde. O homem fica pequeno diante das imponetes construções, do ouro que ofusca os olhos dentro da matriz e do altar que vem a confirmar sua magnitude. A cidade fica pequena diante da imponente Serra, embaixo do céu infinito azul que a tudo emoldura. Faço parte daquilo. Ali nasceram o botânico Frei José Mariano da Conceição Veloso, o poeta árcade José Basílio da Gama e o compositor de músicas sacras Manoel Dias de Oliveira, já sobre o alferes pouca coisa me garantem. Na verdade a fazenda onde nasceu não pertence mais a este município, ou talvez nunca tenha pertencido. Mas que importa? Ali continuam existindo o Largo das Forras, a Matriz de Santo Antônio (o primeiro nome da cidade foi Arraial de Santo Antônio), a casa de Padre Toledo, as pontes de pedra, o Chafariz de São José, a Maria Fumaça, a Igrejinha de São Francisco de Paula, a Biblioteca do Ó, o Via Destra, o Tragaluz, a Mostra de Cinema, o Festival de Cultura e Gastronomia, o Conto de Réis e minhas lembranças. Minha memória permanece bem viva, rondando aquelas ruas como um fantasma.
Eu, Raquel e Chico Curió (tocador de viola analfabeto para as letras, gênio para as músicas) no Conto de Réis.
Tiradentes, onde os pecados da gula e da luxúria são todos perdoados.
Vejo muito de Gregório neste poema de Basílio. Vejo muito deste tempo em mim.
Já, Marfiza cruel, me não maltrata
saber que usas comigo de cautelas,
que inda te espero ver, por causa delas,
arrependida de ter sido ingrata.
Com o tempo, que tudo desbarata,
teus olhos deixarão de ser estrelas;
verás murchar no rosto as faces belas,
e as tranças de ouro converter-se em prata.
Pois se sabes que a formosura
por força há de sofrer da idades os danos,
por que me negas hoje esta ventura?
Guarda para seu tempo os desenganos,
gozemo-nos agora, enquanto dura,
já que dura tão pouco a flor dos anos.
20:34 Acabei de chegar de viagem. Amanhã viajo, ou melhor, faço um pit stop por aqui.
A mudança está em tuas mãos. Reprograma tua meta, busca o bem e viverás melhor. Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. Chico Xavier
16:52 Dia desses eu estava tentando lembrar da música que Cartola sábia e belíssimamente escreveu para sua filha. Tentei, perguntei e apesar de eu lembrar alguns versos a memória me traiu mais uma vez. Ela acaba se povoando de outras músicas, mas aquela, aquela que você quer, precisa lembrar, não vem. Hoje lembrei-me. Lembrei-me também da teoria da Morte do Autor. Que me perdoem Professor Edson Campos, Barthes e até Umberto Eco, mas o autor que eu vejo está sempre vivo, vivíssimo nos textos que leio. É claro que não somos cada um dos personagens que inventamos, e nem vivemos todas as histórias ao mesmo tempo, seria humanamente impossível. Mas já vivemos, já vimos, já fomos e já conhecemos. Um dia. Há muito tempo ou ontem. E hoje estamos ali no papel, podemos ser nós há dez mil ou um milhão de anos. Se lemos, ouvimos, escrevemos. Poesias então, pulsam. Têm vida. Quando lidas com calma, tomam forma, cheiro, cor. Envolvem, abraçam, seduzem. Humanos que somos, voyeur sempre seremos. Queremos abrir o outro na metáfora do ser que se faz livro. Em cada página podemos tocá-lo, em cada letra podemos sabê-lo dentro de sua exposta intimidade. Somos curiosos e somos cruéis. Devoramos-lo. Vivo.
Personagem: do francês personnage, pessoa fictícia posta em ação numa obra dramática. Derivou de personne, do latim persona, máscara de autor. Para representar, na Grécia e em Roma, primitivos autores desenhavam expressões em pedaços de madeira que, no palco, punham diante do rosto. Quase sempre, os personagens são pura ficção e não aludem explicitamente a ninguém. Carlos Drummond de Andrade é autor de um poema intitulado O Sátiro: "Hildebrando / insaciável comedor de galinha / Não as comia propriamente - à mesa / Possuía-as, como se possuem e se matam mulheres / Era mansueto e escrevente de cartório." Quando o poema saiu, em Lição de Coisas, um sujeito lá de Itabira, chamado Hildebrando, escreveu ao poeta reclamando. Drummond respondeu: "Retire-se do meu poema".
O mundo é um moinho
Cartola
Ainda é cedo amor / Mal começaste a conhecer a vida / Já anuncias a hora da partida / Sem saber mesmo o rumo que irás tomar / Presta atenção, querida / Embora eu saiba que estás decidida / Em cada esquina cai um pouco a tua vida / Em pouco tempo não serás mais quem tu és / Ouça-me bem amor / Preste atenção o mundo é um moinho / Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos / Vai reduzir as ilusões a pó / Presta atenção, querida / De cada amor tu herdarás só o cinismo / Quando notares estás à beira do abismo / Abismo que cavaste com teus pés
10:56 Em homenagem a poesia, ainda sobram restos da faxina.
Dicionário Pós-Filosófico Poesia
não é literatura (ezra pound)
palavra-coisa (sartre)
mensagem voltada para si (jakobson)
joy for ever (keats)
é inspirar (bob dylan)
palavras se olhando (cecília meireles)
minha cachaça (drummond)
a gíria do poeta (régis bonvicino)
um fingimento deveras (pessoa)
liberdade de linguagem (leminski)
design de linguagem (décio pignatari)
uma das artes plásticas (quintana)
se faz com palavras, não idéias (mallarmé)
viagem ao desconhecido (maiakovski)
ciência e paixão (vigny)
miragem q em mim mira (augusto de campos)
a fala do infalável (goethe)
hesitação entre som e sentido (valéry)
substantivo X adjetivo (carlos ávila)
forma de fome (guilherme mansur)
09:15 E de repente me acordam um poema.
A Metamorfose
Uma manhã, ao despertar dos melhores sonhos já sonhados em toda sua vida de dorminhoca, Juliana Conto Réis deu por si na cama transformada num gigantesco poema. "Melhor do que Gregor Samsa que acordou barata", pensou a garota enquanto esfregava as suas jabuticabas, que eram a metáfora usada para os seus olhos (o poeta só a conhecia por fotos escuras, nas quais seus olhos escondiam-se por detrás da penumbra, arriscou olhos negros sem o menor medo, pois poema pode errar - notícia essa que, aliás, animara ainda mais Juliana Réis). De um verso ao outro ela soltou da cama e viu-se diante do espelho todinha rimada. Seus cabelos eram um agitado rio avermelhado pelo reflexo do sol em seu leito. Suas pequeninas mãos foram roubadas de um poema de e. e. cummings, causando inveja na chuva que escorria pelo vidro da janela do quarto e gemia baixinho: "Mas outras mãos menores que eu?". A barriga era leite ainda quente, o umbigo redemoinho, onde para dentro escorriam aliterações sobre a gênese da vida: "...nada nasce nevoa na natureza...". Ao desejar ser lida por homens de vozes graves e imponentes, suas estrofes tremeram bambas. E ainda diante do espelho, procurava atônita algum verso sobre seus sentimentos. Só foi encontrar no final, onde estava escrito: "Tenho em mim, o extremo desejo da alegria / mas há alguém para rimá-lo em meu dia?". Alisson - I am the Walrus
14:23 Às vezes eu queria que minha vida fosse um poema, mas se eu o escrevesse seria tão ruim e cheio de drama que não valeria a pena. Às vezes penso que vidas boas de caberem em poesias são vidas curtas. Vidas curtas são bem diferentes de vidas pequenas, que para mim é sinônimo de vidas mesquinhas. Vidas curtas são aquelas que carregam a plenitude na brevidade dos instantes.
Tema e Variações
Manuel Bandeira
Sonhei ter sonhado
Que havia sonhado.
Em sonho lembrei-me
De um sonho passado:
O de ter sonhado
Que estava sonhando.
Sonhei ter sonhado...
Ter sonhado o quê?
Que havia sonhado
Estar com você.
Estar? Ter estado.
Que é tempo passado.
Um sonho presente
Um dia sonhei.
Chorei de repente
Pois, vi, despertado,
Que tinha sonhado.
11:45 Arrumar o quarto nunca é uma tarefa fácil, é quase como arrumar nossa vida. De repente a gente descobre que nas nossas gavetas, nos nossos armários, no fundo da gente, tem muito mais lixo do que se imaginava. Podemos passar toda uma manhã limpando, mas não acaba. Certas limpezas exigem muito tempo. Começamos a passar e a pesar cada coisa, para saber o que fica e o que vai. De repente começamos a achar outras tantas coisas lindas, lembranças do que foi a gente e os outros. Textos do colégio, da faculdade, telefones que já nem existem, seminários há muito esquecidos, avaliações. Entre notas boas e ruins a gente se aprova, reprova e decide arrumar o quarto com mais freqüência: o dever fica, no mínimo, muito divertido. E a gente, sem perceber, só se pega arrumando o quarto outra vez daqui a uns quatro, cinco anos.
tenho horas em que penso
que a gente carecia,
de repente, de acordar
de alguma espécie de encanto. João Guimarães Rosa
E no quarto eu achei...
parole
Orides Fontela
Tout
sera difficile à dire:
le mot réel
n'est jamais suave.
Tout sera dur:
lumière impitoyable
excessive existence
conscience trop forte de l'être.
Tout sera
susceptible de blesser. Sera
agressivement réel.
Tant réel qu'il nous dépèce.
Il n'y a pas de piété dans les signes
et ni dans l'amour: l'être
est excessivement lucide
et le met est dense et nous blesse.
(Tout mot est cruauté.)
08:30 Neste mundo pode existir tudo aquilo em que a gente acredita.
17:27 Como é que uma caixa de rosas, um cd, uma fita, um envelope vermelho, um envelope azul e vários poemas podem deixar a gente em tal estado de graça? Este post é uma pequena homenagem ao Cláudio. O Cláudio é uma daquelas pessoas para quem se olha e vê na cara o coração. Se não se olha se sente, pulsa a quilômetros. Eu havia decidido não escrever até segunda, amanhã viajo bem cedo para a casa de minha avó, mas algumas coisas urgem. Umas urgem o esquecimento. Outras urgem a lembrança. Algumas, ainda, apenas urgem.
culpado
inocente
jogos do inconsciente Alecsander Mattos
quando o amor
se faz carne
sobram faltas
não faltam dúvidas
nas sombras do ser
quando o amor é assim,
é melhor
ou pior esquecer? Paulo Matos
07:00 Cama. Febre. Dói. Dói o corpo. Dói a garganta. Dói o estômago. Dói as costas. Dói as coisas. Dói a cabeça. Dói. Febre. Cama. Mas sei que este dia, como os outros, também vai passar.
O que será (à flor da pele)
Chico Buarque
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
11:30 Quantas coisas podemos fazer em alguns minutos. Quantas vidas demoramos para terminar ou mesmo começar outras tantas. Quantas vezes as coisas acabam ficando para trás? Quantas coisas gostaríamos de ter feito? Quanto tempo demoramos para perceber que estamos atrasados?
A vida são deveres que nós trouxemos pra fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais para ser aprovado...
Se me fosse dada, um dia,
outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas... Mário Quintana
Mera ilusão auditiva graças à qual a gente ouve sempre "tic-tac" e nunca "tac-tic"... Depois disso, como acreditar nos relógios? Ou na gente?
Mário Quintana
Viva com paixão.
Saia de casa só pelo gosto de caminhar.
Sorria para todos.
Faça um álbum de família.
Conte estrelas.
Diga "gosto muito de você"!
Converse com Deus.
Volte a ser criança.
Apague de vez a palavra "rancor".
Diga "sim".
Dê uma boa risada!
Leia um livro.
Peça ajuda.
Corra.
Cumpra uma promessa.
Cante uma canção.
Ajude alguém doente.
Pule para se divertir.
Mude de penteado.
Seja disponível para escutar.
Deixe seu pensamento viajar.
Retribua um favor.
Termine aquele projeto.
Quebre uma rotina.
Tome um banho de espuma.
Escreva uma lista de coisas que lhe dão prazer.
Faça uma gentileza.
Escute os grilos.
Agradeça a Deus pelo Sol.
Aceite um elogio.
Perdoe-se.
Deixe que alguém cuide de você.
Demonstre que está feliz.
Telefone para seus amigos.
Faça alguma coisa que sempre desejou.
Toque a ponta dos pés.
Olhe com atenção uma flor.
Só por hoje evite dizer "não posso".
Cante no chuveiro.
Viva intensamente cada minuto.
Inicie uma tradição familiar.
Faça um piquenique numa praça.
Não se preocupe.
Tenha coragem das pequenas coisas.
Ajude um idoso.
Seja ousado.
Afague uma criança.
Reveja fotos antigas.
Escute alguém.
Feche os olhos e imagine as ondas do mar.
Brinque com seu mascote.
Permita-se brilhar.
Dê uma palmadinha nas suas próprias costas.
Torça pelo seu time.
Pinte um quadro ou "o sete".
Cumprimente um novo vizinho.
Compre um presente para você mesmo.
Mude alguma coisa.
Delegue tarefas.
Diga "bem vindo!" a quem chegou.
Permita que alguém o ajude.
A-gra-de-ça!
Saiba que não está só.
11:30 O exílio é o lugar mais odiado pelo exilado e o mais desejado por aquele que ainda pertence à patria.
Samba de Orly
Vinicius de Moraes, Toquinho e Chico Buarque
1970
Vai meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
Desse frio
Mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão
Pede perdão
Pela duração Dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que eu vou levando
Vê com é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
Explain the night to me
Explain the stars
Explain the way I feel
Explain the scars
Explain the outline of the trees against the sky
Explain the tangled words of love we can’t untie
Explain the night to me
Explain the black
And how the light was lost
And how to get it back
Explain the rising of the waves to swallow sand
Explain how difficult it is to hold your hand
Explain the night to me
The pregnant moon
Explain the sudden urge
The empty room
Explain the way to blue and all the space
Explain the makeup swiftly streaked across my face
Explain the night to me
Explain the past
Explain the thrill of love
And why it cannot last
Explain the rings that slowly spread across the lake
And how to someday learn to live with my mistakes Explain the Night - Noa
Obrigada, Barbara, por me ajudar a entender coisas que não têm explicação.Sem dia, sem data, sem sentir
The end.Sexta, 04 de julho
12:58 Um pouco de cor.
Inscrição
Cecília Meireles
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?
Não encontro caminhos
fáceis de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança, em cada lugar.
Rastro de flor e de estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.
12:12 A noite ontem foi uma delícia, aliás, minhas amigas são umas delícias. Festa com direito a convidados ilustres, discurso em cima da cadeira, sapato em cima da mesa, chopp no copo de cachaça, tour pelo banheiro masculino e fotos, muitas fotos. Juzinha, parabéns mais uma vez!!!
Para quem ainda vier a me amar
Roberto Freire
Quero dizer que te amo só de amor. Sem idéias, palavras, pensamentos. Quero fazer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções. Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo. Quero querer que te amo só de amor.
São sombras as palavras no papel. Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer. Apenas sombras as palavras no papel. Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes. Fátuas sombras as palavras no papel.
Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen. São versos que pulsam, gemem e fecundam. Meu poema se encanta feito amor dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam e dançam fazendo amor como faço poema.
Quero da vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores. Eu te sinto na pele, não no coração. Quero do amor as tenras superfícies onde a vida é lírica, porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico. Quero genitais todas as nossas superfícies.
Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes, não depois da excitação. Meu grande amor, o infinito é um recomeço. Não há limites para se viver um grande amor. Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque te amo. Não há limites para o fim de um grande amor.
Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as mucosas. A nudez a dois nãoa contece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro, para inventar deuses na solidão do nós. Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.
Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti. No amor, jamais deixamos nos completar. Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários. O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto.
23:49 Tem coisas que me lembram a adolescência. Tem coisas que me fazem adolescer.
You Are My Sunshine
My only sunshine.
You make me happy
When skies are grey.
You'll never know, dear,
How much I love you.
Please don't take my sunshine away
The other nite, dear,
As I lay sleeping
I dreamed I held you in my arms.
When I awoke, dear,
I was mistaken
And I hung my head and cried.
I'll always love you
And make you happy
If you will only say the same
But if you leave me
To love another
You'll regret it all some day
You told me once, dear
You really loved me
And no one else could come between
But now you've left me
And love another
You have shattered all my dreams
Hoje o dia parece sábado dentro de mim de tão bom. Posto mais tarde.
23:14 Tem dias que eu me sinto muito mais eu.
Dormiram juntos e acordaram no mesmo sonho.
O lugar não era grande, mas ao olhar pelas janelas parecia não ter fim. Ao olharem-se nos olhos, viam-nos brilhar. A noite anterior havia sido um pesadelo, cheio de monstros e ogros. Escuro embaixo e em cima da cama. Agora Tudo Parecia Menos confuso. Tudo Parecia Menos. Percorreram todo o espaço que lhes apetecia, dentro e fora dos corpos. Percorreram com os dedos, suaves, arrepiando pêlos. Percorreram com a língua, ávida pelo gosto de licor, chocolate ou sexo. Percorreram com o nariz, atento ao cheiro do incenso que saia do corpo. Palmilharam toda a extensão da altura e da alma, colocaram aquele mundo dentro de um abraço. Agora não era o momento das amigas e antigas gargalhadas. O agora é tenso, teso. Tesão embaixo das roupas que já não existem, embaixo dos lençóis que já se acomodaram no chão. Ela se acomoda em seu ventre, sente seu ímpeto. Quando se vira ou deita se deixa ser possuída. Agora só existe entrega. Agora só existem sonhos. Sonhos feitos de desejos, desejos feitos de vontades, vontades feitas de lembranças, lembranças feitas de histórias. Longas, breves, belas como os sonhos devem ser. O dia clareia, é hora de acordar. Os dois se levantam e enxugam os corpos molhados de suor, prazer, sangue, lágrimas e dor. A vida cabe num instante de sonho. Caminham juntos, de mãos dadas, para a varanda.
Além do sonho existe um mundo real. Dias que custam a passar e nem sempre vão chegar aonde se queria estar. Mas era um sonho. Amar era um sonho. Beijaram-se demorada, apaixonada e intensamente, não só com as bocas, como nunca. Neste sonho não havia beijos roubados, roubavam-se corações. Depois de olhar para baixo, decidiram acordar juntos. Sorriram. Fecharam os olhos. Pularam.
Ela sou eu. Este é o meu sonho.
Um pouco mais de sol... e eu era brasa Um pouco mais de azul... e eu era além Mário de Sá Carneiro
Por que Conto de Réis?
Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?
Eu recomendo! A hora da estrela de Clarice Lispector; Amadora de Ana Ferreira; Afrodite de Isabel Allende; Clube dos anjos de Veríssimo; Nome falso de Roberto Piglia; Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.
Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges
PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR by poetinha
Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.
Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.