Conto de Réis

Minha vida vale mais de um conto e cem...





Explicando o inexplicável
Calma: Quando as agonias dormem profundamente dentro da gente.
by Adriana Falcão
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"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...

Eu não amo quem não me ama!


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Não digo quem é, mas tem gente que
ODEIAALGUÉM
QUEEUTAMBÉM
NÃOPOSSODIZERQUEMÉ
.
Tá bom assim?
Eu já descobri quem eu vou odiar, além do ORIGAMI. Se tem que ser alguém que canta, então vamos lá: EUODEIOAMARIARITA.
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POEMINHA SURREALISTA
Millôr Fernandes

Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.

HAIKU
Millôr Fernandes

Prometer
E não cumprir:
Taí viver.

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Pra não deixar ninguém esquecer!
Se não gostar de ler, como vai gostar de escrever? Ou escreva então para destruir o texto, mas alimente-se. Fartamente. Depois vomite. Pra mim, e isso pode ser muito pessoal, escrever é enfiar um dedo na garganta. Depois, claro, você peneira essa gosma, amolda-a, transforma. Pode sair até uma flor. Mas o momento decisivo é o dedo na garganta.
Caio Fernando Abreu
, na última carta de "Cartas".

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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.

Por exemplo, esta semana eu posso fazer a lista das cinco coisas que me fazem fazer o bem sem olhar a quem:
1.Poder ajudar;
2.Ver olhos brilhando;
3.Doar (meu tempo, minha vontade e o que mais eu puder);
4.Ensinar;
5.Crescimento pessoal (de todas as partes).

Todo mundo merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio:
Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não.
Segunda alternativa:
Fui, porém contrariada.
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Cantinho do Leminski

que tudo passe
passe a noite
passe a peste
passe o verão
passe o inverno
passe a guerra
e passe a paz

passe o que nasce
passe o que nem
passe o que faz
passe o que faz-se

que tudo passe
e passe muito bem

incenso fosse música
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.

Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.


epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em desastres

viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte

deus tenha pena
dos seus disfarces

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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida."
Lord Byron






Eu Sozinha Futebol Clube

Dias que passaram

Setembro 2002
Outubro 2002
Novembro 2002
Dezembro 2002
Janeiro 2003
Fevereiro 2003
Março 2003
Abril 2003
Maio 2003
Junho 2003
Julho 2003
Agosto 2003
Setembro 2003
Outubro 2003
Novembro 2003
Dezembro 2003


Hoje

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Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Cláudio, o da Ana, o das Amigas, a página do Cláudio e o fotolog do Guto são filhos. Minha família está diminuindo!

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Hoje é dia de quê?

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Saiba o que aconteceu no dia em que você nasceu!!!
Jornal do Aniversário

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O texto também tem uma forma humana, uma figura, um "anagrama do corpo".
Barthes


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Prêmios
Eu mereço!




EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA


EU TENHO
AUTOCRÍTICA

Se aproxegue no Dedo do Quevedo!

Venha para il Mondo d'Orwaldo

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Eca 2003
Patifes on line 22F
Fotos da 22G


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Sábado, 31 de janeiro

09:13 Lixia é, definitivamente, a fruta dos deuses.

O problema de pensarmos muito na vida, de pensarmos no futuro, de pensarmos na gente... é que acabamos não só pensando, acabamos tomando decisões. Problemas ou soluções?!?

Comente: Eu preciso de um desenho para colocar aqui.

Terça, 22 de janeiro

06:52 Às vezes eu leio coisas que parecem estar ali para serem lidas por mim.

Se você quer fazer um investimento a curto prazo, cultive cereais;
a médio prazo, plante árvores;
a longo prazo, eduque pessoas.


Esses dizeres estavam gravados em várias placas espalhadas pelos jardins da PUC - MG.


Comente: Arroz, Pau Brasil ou Antonio?

25 de janeiro

11:16 Eu sei que essas coisas parecem chatas. Mas às vezes a gente se sente chato também.

Conta a lenda, que um velho sábio, tido como mestre da paciência, era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um homem conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiar o mestre. O homem não lhe poupou insultos... chegou até a jogar algumas pedras em direção ao sábio, cuspiu e gritou todos os tipos de ofensas. Durante horas, ele fez tudo para provocá-lo, mas o sábio permaneceu impassível! No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o homem se deu por vencido e foi embora. Impressionados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade. Aí o mestre perguntou: "Se alguém chega até você com um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente?" "A quem tentou entregá-lo", respondeu um dos discípulos. O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava!

A sua paz interior depende exclusivamente de você.



Comente: De mim ou de você?

Quarta, 21 de janeiro

07:25 Você já tentou nadar em um mar cujas águas não conhece? Às vezes a gente precisa de um banho frio... outras vezes de um banho de realidade mesmo.



quando você pensa que já viu tudo, você percebe que não viu nada! e nada, sempre é muito pouco. sempre. mesmo quando este nada é quase tudo que você já viu.

pode até rir, caso queira. verdades são coisas tão simples que às vezes a gente chega até se embananar com elas.

Tirei daqui.

Comente: Subindo a colina...

Segunda, 19 de janeiro

07:14 Às vezes visto minhas fantasias e saio para a rua. Por dentro estou nua. Não me lembro de que alguém pode perceber e passar toda a vida rindo de mim. Sonhos e devaneios meus. Não me lembro ou não me preocupo com isso.

Se é idealista irremediável ou pessimista de bom coração, junte-se à minha causa!
Não quero dominar o mundo, mas que o mundo e cada um que nele pisa, se domine.
E se entregue, da forma possível, ao não entregar-se ou vender-se. Ao ser dono de si.
Não prego religião, doutrina ou pirâmide. Não compro, vendo ou troco. Sou.
Tirei daqui.

Comente: Façamos de uma causa: própria.

Domingo, 18 de janeiro

09:11 Para terminar o fim de semana, ou começar a semana... tudo depende do seu ponto de vista:

"O acaso é, talvez, o pseudônimo de Deus, quando não deseja assinar".
Theophile Gautier

Às vezes a gente também não quer assinar.

Ontem fui para Ouro Preto com algumas pessoas da minha turma da pós. Passamos o dia inteiro lá: um do Piaui, um casal de Vitória, uma de Bom Despacho, outra de Barbacena, Caruaru, duas de Recife, um de Belém... Foi muito mais do que divertido, foi muito bom olhar nos olhos deles e ver Minas refletida. E das lágrimas que corriam no rosto da Kledja na Igreja do Pilar saim palavras que pareciam contaminar a todos: "Eu queria tanto que meu marido tivesse aqui para ver". Aposto como todo mundo queria que mais alguém estivesse ali. Rimos quase todo o tempo, subimos e descemos ladeiras, como não poderia deixar de ser, mas agora tem mais gente que sabe que a nossa história não existe só nos cenários cenográficos dos filmes, minisséries e novelas da Globo.



Comente: Viagem convênio CaPUC.

Quinta, 15 de janeiro

17:24 Acabei de chegar em casa. Meu dente não está bom, mas pelo menos peguei o dinheiro do imposto de renda e não perdi cem reais ontem.

Homens ruivos não combinam com carros verdes. Mulheres ruivas cobinam com esmeraldas. Engraçado, não?

Comente: Eu combino com esmalte pink...

Terça, 13 de janeiro

19:29 Bem, ainda não posso falar mas nã há nada neste mundo que me impeça de escrever, pelo menos não agora.

Sabem quando você deseja muito uma coisa? E quanto mais você quer mais distante ela parece? E quanto mais distante mais você tem certeza de que era exatamente aquela a coisa que queria? Não sei... Ouvi de uma colega da pós hoje: Se avexe não, amanhã é outro dia. Amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada...

"Começa uma atração vira paixão que já chega capturando o coração pedindo resgate do corpo em troca de libertação e quando saciados os cinco sentidos também ficam rendidos fazendo florescer o amor como uma alucinógena flor causando torpor e vem aí à dependência causando carência trazendo da abstinência o temor e quanto mais se entrega ao amor mais vulnerável se fica à dor por isso tudo tem que se rebater a arrogância ter a petulância de na confiança se entregar e no oposto resta ficar estagnado se entediar isolado e é por isso tudo que sou maluco idealista que gosta de arrancar do momento a delícia sem nada me desassossegar. Ufa!"

Descobri ele aqui.



Comente: Hoje é só hoje...

Domingo, 11 de janeiro

08:17 E o serviço de metereologia informa: continua chovendo em Belo Horizonte.



Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha.
Millôr Fernandes

Está um dia ótimo para você abrir seus armários e se desfazer de tudo aquilo que não usa mais: roupas, sapatos, pijamas, brinquedos, travesseiros, material escolar, colchas, cobertores, alimentos e qualquer outra coisa que não sirva para você mas pode mudar a vida de alguém. Não deixe para amanhã aquilo que pode e deve ser feito hoje. Você pode esperar, algumas pessoas não. Posso lhe garantir uma coisa: é você mesmo quem se sentirá muito melhor!

Comente: Você também quer chover?

Sexta, 9 de janeiro

08:26 Deus não seria tão cruel a ponto de lhe fazer sonhar se também não lhe fizesse capaz de realizar seus sonhos. Você pode sonhar alto, mas tenha em mente, sempre, que sua subida será muito mais pesada, e sua glória muito mais intensa. O segredo de tudo é ser sincero consigo mesmo.


Acho que vou ficar de resguardo mais tarde. Ou não.

Comente: Olho, e não vejo nada, eu nem sinto meus pés no chão...

Quinta, 8 de janeiro

07:06 Vivemos num mundo imaginário. Mas minhas dores são bem de verdade.

A menina passou os dois pés por cima do parapeito e sentou-se na varanda. Sabia que a mãe não iria gostar. Também não gostariam as tias e a avó. Mas a despeito dos olhares de reprovação, deixou-se ficar. Balançava as pernas no ar. Sabia que era perigoso, mas até gostava do perigo. Seu jeito de não sentir mais medo era fechar olhos e segurar com toda a força da sua mão direita a sua mão esquerda. Na rua passavam cavalos, galinhas, urubus pintados de verde e até pessoas. "Êta vida besta, meu Deus!" pensava a menina. Pensar, só, não pensava, contava tudo para a sua amiga imaginária. Agora era só uma, antes havia sido tantas. Uma era egoísta demais. A outra, muito oferecida. Tinha ainda uma interesseira, uma chantagista e uma manipuladora. A pior de todas não tinha caráter, dessa só se aproximava a mentirosa. Eu sei, elas também tinham virtudes: uma era inteligente, outra sensitiva, ainda uma caridosa, solícita, generosa... mas de que importa isso agora? Eram todas imaginárias. Todas tinham um defeito e isso era o suficiente para que a menina se desfizesse de uma por uma. Ia descontruindo os espectros e fantasmas já não mais existiriam. Criava então rótulos para pregar nos compartimentos de sua memória, na área do "essas pessoas não são boas o suficiente para você". Por algumas vezes a menina se confundia com uma de suas amigas e tentava se anular, se apagar. Tentativas frustradas. Tentava resgatar do limbo os espectros abandonados. Não havia mais tempo, não havia mais vida onde nunca houve matéria. Talvez um dia tenha realmente existido amizade sincera. E a menina chorava, chorava de soluçar pensando que na vizinhança, na cozinha ou na rua alguém poderia lhe escutar. Tanto choro, tanto grito, tudo isso foi em vão. A menina então ergueu as perninhas, deu um salto e num impulso foi ao chão. Tive pena, pobre menina, não quis acreditar, era amiga como as outras (imaginária) e não podia voar. Era boa, mas tinha defeitos, seria esse o erro então, por só conhecer sua história confiava ser dela (e só dela) a força do julgamento e da razão.



Comente: Na casa da minha Vó Cemica tem uma varanda.

Quarta, 7 de janeiro

14:37 A menina andava pela rua com com indiferença. Se estava triste, se estava alegre, ninguém podia saber. Sua roupa preta conferia a ela sobriedade. Caminhou certeira entre o trânsito ainda um pouco confuso daquela tarde chuvosa de terça-feira. Atravessou quatro cruzamentos e com o mesmo ar austero que saiu de casa entrou no grande prédio de mármore lúgubre. Se ia se encontrar com um amante ou se ia para a câmara de gás, tanto faz. Não esboçava um sorriso ou derramava lágrimas. Tudo sem gosto, sem paixão: automatismo. Parecia resignada diante daquilo que a esperava, seja lá o que fosse. Entrou no elevador e seus olhos se encontraram com ela mesma no espelho. Deu um passo e meio ou dois e se aproximou. Tombou a cabeça um pouco para o lado como se examinasse a própria imagem. Procurava por imperfeições na pele e enxugava as mãos na calça. Estava só. O elevador subia calmo, um a um dos andares até alcançar seu destino: 13. A porta se abriu. A garota desceu. Arrumou a roupa. Já podia sentir o gosto do sangue escorrendo-lhe pela garganta. Outra vez começara a sentir aquelas dores finas, como se alfinetassem-lhe os ossos. O frio, lâmina fria de sofrimento caminhava dentro do seu corpo, tapava os ouvidos e dava dor de cabeça. Sentou-se a espera daquilo que na verdade não queria esperar. Agora era fácil de se perceber que quando tocou a campainha queria estar em Nova York. Abriram a porta. Ainda no limiar do pânico podia ver o que lhe esperava. A cadeira arrumada, o som das brocas e mais um dia branco.

10:42 Eu simplesmente adoro coisas arrebatadoras, amores impossíveis, certezas incertas, histórias avassaladoras, sininhos no ouvido, frio na espinha, mãos sem lugar, beijos mágicos, reconhecimento inesperado, trabalhos infindáveis, taquicardia, pés sem chão, caminhar nas nuvens, pisar em ovos, futuro atrás da porta.

Se
Mário Sá-Carneiro


Se os meus olhos te incomodam
quando te olho de frente
não me importo de arrancá-los
para amar-te cegamente.



Comente: Eu levo a sério mas você disfarça...

Terça, 6 de janeiro

13:22 Vou começar o ano fazendo uma boa ação: você já leu O apanhador no campo de centeio? Então não leia.



Comente: Cada um e seu cada um.

Segunda, 5 de janeiro de 2004

20:47 Ainda sobre 2003:

Some days to remember
Some days to forget



No ano novo o mundo parece que fica cheio de pessoas novas, parece que ninguém mais é aquele alguém do ano que passou. Ninguém mais sai do regime durante a semana, ninguém mais fuma ou come unha, ninguém mais mente, ninguém mais gasta todo o dinheiro que recebe no final do mês em um só dia, ninguém mais fala dos outros, ninguém mais desconfia, ninguém mais é de ninguém. Aliás, eu olho para todos os lados e muitas vezes não vejo ninguém.

O que eu desejo para todos vocês? Tudo aquilo o que vocês desejam e mais aquilo o que desejaram para mim, em dobro.

"Senhor, protejei as nossas dúvidas, porque a dúvida é uma maneira de rezar. É ela que nos faz crescer, porque nos obriga a olhar sem medo para as muitas respostas de uma mesma pergunta. E para que isto seja possível.

Senhor, protegei as nossas decisões, porque a Decisão é uma maneira de rezar. Daí-nos coragem para, depois da dúvida, sermos capazes de escolher entre um caminho e outro. Que o nosso SIM seja sempre um SIM, e o nosso NÃO seja sempre um NÃO. Que uma vez escolhido o caminho, jamais olhemos para trás, nem deixemos que nossa alma seja roída pelo remorso. E para que isso seja possível;

Senhor, protegei as nossas ações, porque a Ação é uma maneira de rezar. Fazei com que o pão nosso de cada dia seja fruto do melhor que levamos dentro de nós mesmos. Que possamos, através do trabalho e da Ação, compartilhar um pouco do amor que recebemos. E para que isso seja possível;

Senhor protegei os nossos sonhos, porque o Sonho é uma maneira de rezar. Fazei com que independente de nossa idade ou de nossa circunstância, sejamos capazes de manter acesa no coração a chama sagrada da esperança e da perseverança. E para que isso seja possível;

Senhor, daí-nos entusiasmo, porque o Entusiasmo é uma maneira de rezar. É ele quem nos liga aos Céus e à Terra, aos homens e às crianças, e nos diz que o desejo é importante, e merece o nosso esforço. É ele que nos afirma que tudo é possível, desde que estejamos totalmente comprometidos com o que fazemos. E para que isto seja possível;

Senhor, protegei-nos, porque a Vida é a única maneira que temos para manifestar o Teu milagre. Que a terra continue transformando a semente em trigo, que nós continuemos transmutando o trigo em pão. E isto só é possível se tivermos Amor - portanto, nunca nos deixe na solidão. Daí-nos sempre a tua companhia, e a companhia de homens e mulheres que têm dúvidas, agem, sonham, se entusiasmam e vivem somo se cada dia fosse totalmente dedicado a Tua glória."

Em que eu acredito? É nisto que eu acredito:

Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Comente: Ano novo. Juliana velha.

on-line







Verba volant, scripta manent



As coisas que não existem são mais bonitas.
FELISDÔNIO


Prazer em conhecer
Augusto Vieira
Despropósitos
Gargalo
Imageria
Life is a long song
Luli
Michele
Um ano e 11 dias

Bons meninos
Always Together
Crime passional
Eu Aninha
Fenolfitaleína
Fred Campos
Não vá se perder
Sou uma lésbica
Sutil como um paquiderme

Te encontro pelo mundo
A Casa das Amantes
Acervo Pessoal
As Kutícula
Batom na cueca
Bavardage
Blog do Tio Sérgio
Blog Kálido
Cardiotopia
chfb in concert
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Eu... Eu mesma e Eu
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Um pouco mais de sol...
e eu era brasa
Um pouco mais de azul...
e eu era além
Mário de Sá Carneiro

Por que Conto de Réis?

Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?

Ossos do ofício
Biologia
Literatura
Geografia




Eu recomendo!
A hora da estrela de Clarice Lispector;
Amadora de Ana Ferreira;
Afrodite de Isabel Allende;
Clube dos anjos de Veríssimo;
Nome falso de Roberto Piglia;
Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.


Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges


PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR
by poetinha


Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.

Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.

editored by juju



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