"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...
Eu não amo quem não me ama!
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Não digo quem é, mas tem gente que ODEIAALGUÉM QUEEUTAMBÉM NÃOPOSSODIZERQUEMÉ. Tá bom assim? E eu ainda não descobri quem eu vou odiar além do ORIGAMI. É que tem que ser alguém que canta.
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POEMINHA SURREALISTA Millôr Fernandes
Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.
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Pra não deixar ninguém esquecer!
Piada de professora: Um rapaz trabalhava em uma empresa e não compareceu à festa de confraternização realizada no final do ano. No dia seguinte da festa, ele encontrou, por acaso, com um cologa de trabalho. A pergunta foi inevitável:
- Olá! E aí, como foi a festa ontem?
- Foi ótima, você perdeu... Comida, bebida... sabe como é.
- Ah... que bom! Então quer dizer que o pessoal gostaram da festa?
- OH QUÊ? O pessoal GOSTARAM da festa?!? O pessoal ADORARAM a festa!
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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.
Por exemplo, essa semana eu posso fazer a lista das cinco coisas que me provam que da mesma forma como DEUS existe, o inferno também é aqui:
1.Angústia;
2.Internet;
3.Mentir;
4.Errar;
5.Ficar sozinha.
Ninguém merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio: Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não. Segunda alternativa: Fui, porém contrariada. __________
Cantinho do Leminski
tarde de vento até as árvores querem vir para dentro
tudo dito, nada feito, fito e deito
temporal fazia tempo que eu não me sentia tão sentimental
rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?
incenso fosse música isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.
Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.
epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
epitáfio para a alma
aqui jaz um artista
mestre em desastres
viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte
deus tenha pena
dos seus disfarces
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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida." Lord Byron
Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Marcelo, o do Cláudio, o da Ana, o da Carol, o das Amigas, a página do Cláudio e o fotolog do Guto são filhos. Minha família tá crescendo!
11:34 Eu não sei explicar as coisas tão bem quanto sei senti-las. Se sinto intensamente, mortifico-me em palavras. Saem dolorosas. Casca de ferida. Na certa as coisas sentidas não têm mesmo explicação, elas têm que ser vividas. A cada vão momento. A cada vão de momento. Se me explico me perco e se perde também nas palavras o sentido exato do que parecia certo. Mas de incerto em incerto vivo cheia de cicatrizes. Aqui eu deveria explicar o porquê de eu mesma não ter nenhuma explicação. A melhor resposta que encontrei foi: Eu não (me) sei!
Luíza
Antonio Carlos Jobim
Rua, / Espada nua / Boia no céu imensa e amarela / Tão redonda a lua / Como flutua / Vem navegando o azul do firmamento / E no silêncio lento / Um trovador, cheio de estrelas / Escuta agora a canção que eu fiz / Pra te esquecer Luiza / Eu sou apenas um pobre amador / Apaixonado
Um aprendiz do teu amor / Acorda amor / Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração / Vem cá, Luiza / Me dá tua mão / O teu desejo é sempre o meu desejo / Vem, me exorciza / Dá-me tua boca / E a rosa louca / Vem me dar um beijo / E um raio de sol / Nos teus cabelos / Como um brilhante que partindo a luz / Explode em sete cores / Revelando então os sete mil amores / Que eu guardei somente pra te dar...
Mas isso passa... outras vezes já quis que chamassem-me Branca ou Antônia. Certa vez ousei mesmo em querer ser eu. E sabe o que aconteceu? Deu no que deu.
Depois de tudo terminado ela não olhou para trás. Olhou para frente. Parou no ponto de ônibus. Sentou-se. Colocou as mãos na cabeça: Puta merda! O que foi que eu fiz? E ônibus não chegava nunca. Ia. Como era vida real, nesse momento não tinha fundo musical.
Se você acredita que está envolto em verdades, você vive uma grande mentira.
08:10 Ao contrário da lagarta que um dia acorda borboleta, eu queria acordar um casulo.
Ontem, durante o banho, eu pensei em algo: tenho sempre ótimas idéias embaixo do chuveiro, mas parece que todas elas pegam carona na espuma e descem pelo ralo. Não, eu não estou tentando me desculpar pelo meu fracasso literário e nem justificar meus infindáveis banhos. E por falar nisso, aondo foram parar (nadar) minhas ralas idéias de ontem à noite?
Achei.
Eu perdi um amor em dia de chuva. Mas para se perder amor em dia de chuva é preciso tê-lo conhecido em dia de sol. Em dia branco de sol bem forte, dia de apertar os olhos para se ver não vendo. Nesse dia amor é colcha de casal nova e passada: limpa, sem marcas, grande e leve. Brinca no ar, desarruma-se fora do lugar, envolve os corpos desejosa de se ajeitar. Aí vem a chuva. Não sei se pela água morna liqüefeita das nuvens escuras e pesadas ou pelas lágrimas que derramavam do céu de minha boca e enxaguava meu desejo que escorria feito baba pelos lábios a molhar-me inteira, mas o bafo quente encolheu o amor e o lençol de casal transformou-se em pano de prato. Antes vieram as trovoadas, os raios, o tempo fechado. Os ventos sopravam para lados opostos: prenúncio de tempestade. A chuva abaixou a poeira e o sereno fez subir a neblina. Sublimaram-se os corpos. Mas para ter perdido amor em dia de chuva foi preciso tê-lo encontrado antes em dia de sol. Foi preciso ter amado. Foi natural tê-lo perdido.
Aviso aos desavisados: Mostra de Cinema Mundial 2003 na Usina Unibanco de Cinema. Só até quinta. Estou indo quase todos os dias: se eu fosse você eu ia. Mas se você ainda não pegou seus convites, melhor ficar em casa mesmo. É que eles já se esgotaram.
20:20 Assim vai ser minha semana. Assim são todos os dias. Normais porque acontecem. Especiais porque são meus. Tristes porque acabam. Deliciosos porque recomeçam. Incertos porque depois de hoje vem o amanhã. E sempre quando abro os olhos, seja com sol claro, seja com lua funda, penso logo que sou eu ali na cama, e ser eu já me conforta.
Jornal da Poesia: Como é o dia-a-dia de Mário Quintana? Mário Quintana: Bem, eu acordo de manhã, vivo de dia e durmo de noite. Não tem nada de especial. Entrevista concedida à Joana Belarmino e Lau Siqueira em 16 de janeiro de 1987.
12:54 Hoje passei quase toda a amanhã relendo meus escritos. Parece que com o tempo tenho me tornado uma chata, amargurada, ranzinza, cansada da vida e das coisas; o que no fundo é e não é verdade. Não quero ficar adulta, não assim. Não quero perder tudo o que vi existir dentro de mim. Continuo amando, querendo, desejando. Da minha boca escorrem mel e fel. No meu peito convivem dores e amores. Tudo o que perdi na verdade me fez ganhar, e aqueles que achavam estar pisando em mim apenas serviram para me fortalecer as costas. Vejo-me hoje mais segura e mais tranqüila do que há um ano. Vejo-me hoje mais madura e mais criança do que ontem. Na constância de se viver e na inconstância da vida aprendi a desrespeitar limites por que não sou e nunca serei limitada. Minha vida vive além das paredes de minha casa. Minhas letras escrevem além da tela do meu computador. Se choro agora (ou chorei ontem) é para limpar a garganta para a próxima gargalhada. Ao contrário do que querem que acreditemos: viver não dói. E se doer, a gente toma um bom analgésico. Na veia, se for preciso.
07:17 Algumas coisas aconteceram nesses dias que por si só viveram e eu as deixei passar. Não quis ou me esqueci de comentar. Mas são coisas que não se calam, são coisas que dizem sozinhas, são coisas que de tão ditas ecoam sem parar. Atropelaram o mundo. Atropelaram o mundo. Pára o bonde que eu quero descer!
Dia 16 de agosto morreu Haroldo de Campos. Poeta concretista (junto com o irmão e Décio Pignhatari), eu fico muito mais feliz em chamá-lo de ensaísta, tradutor, teórico, crítico e professor. Como li em algum lugar, se não me engano nos comentários do Chfb in Concert: Na vida, de concreto, só a morte.
Domingo, dia 17, terminaram os Jogos Pan-Americanos. Em meio a tanta pobreza, desorganização e amadorismo, atletas, prefeitos, presidentes e misses disputavam seu espaço. O Brasil terminou em quarto lugar no pódio das medalhas.
Um atentado terrorista no Iraque, no dia 19 de agosto, provocado por um caminhão-bomba em Bagdad, matou 17 pessoas que estavam na sede da ONU naquela cidade. Entre os mortos, encontra-se o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Secretário de Direitos Humanos da ONU e chefe da missão das Nações Unidas naquele país. Será que vai ser sempre assim? Ao invés de nascer a paz há de morrer todos os dias? Bem disse o presidente do Chile em visita ao Brasil nesta ocasião: É mais difícil ganhar a paz do que a guerra.
Amanhã
by juju
O dia não passa, ameaça.
As horas não findam, respingam.
O tempo não vooa, voou.
Aprendi que se aprende errando...
Que crescer não significa fazer aniversário...
Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem...
Que trabalhar significa não só ganhar dinheiro...
Que amigos a gente conquista mostrando o que somos...
Que os verdadeiros Amigos sempre ficam com você até o fim...
Que a maldade se esconde atrás de uma bela face...
Que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela...
Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada...
Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida...
Que amar significa se dar por inteiro...
Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos...
Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde...
Que dar um carinho também faz...
Que sonhar é preciso...
Que se deve ser criança a vida toda...
Que nosso ser é livre...
Que Deus não proíbe nada, em nome do amor verdadeiro...
Que tudo posso, mas nem tudo me convém...
Que o julgamento alheio não é importante...
Que o que realmente importa é a Paz Interior...
E finalmente, aprendi que...
não se pode morrer, para se aprender a viver...
Aprendi aqui.
09:05 Eu sei... eu sei... estar (re)lendo três livros ao mesmo tempo para a mesa redonda do Bartolomeu Campos Queirós, ter operado a gengiva e tirado um pedaço do osso, fazer três provas para serem entregues esta semana, dar aulas particulares para cinco adolescentes, fazer revisão de tese de mestrado, rever (reler, reestruturar) o próprio livro, auto-escola, mestrado... nada disso é (seria) motivo para eu não escrever, se eu tivesse tempo de sobra. A quem possa interessar estou muito bem, obrigada. A quem queira saber: grandes amigas, grandes ausências.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.
Fernando Pessoa
(Inéditas 1919-1935)
11:00 Se passo horas lendo Drummond, percebo que é como se eu ainda não o tivesse lido nunca o suficiente. E nunca o lerei o bastante, porque sei que nunca cansarei, e cada vez que o leio, leio diferente em mim. Como aliás acontece com quase todos, com quase tudo, comigo. Na minha própria vida quixotesca me baseio para dizer que o mundo é povoado, em sua grande maioria, por anti-heróis. Falta-me um cavalo. Ou um fiel escudeiro.
O Malvindo
Carlos Drummond de Andrade
Vive dando cabeçada.
Navegou mares errados,
perdeu tudo que não tinha,
amou a mulher difícil,
ama torto cada vez
e ama sempre, desfalcado,
com o punhal atravessado
na garganta ensandecida.
Este, o triste cavaleiro
de tristíssima figura
que nem mesmo teve a graça
de estar ao lado de Alonso
e poder narrar eventos
nos quais entrou de mau jeito
mas com sabor de epopéia.
Nada a fazer como este tipo
avesso a qualquer romança
ou ode, apenas terráqueo,
ou nem isso, estraterráqueo,
de quem não se ouve um grito
mais além do que gemido,
nem uma palavra lúcida
varando o cerne das coisas
que esperam ser reveladas
e nós todos presentimos.
Inútil corpo, alma inútil
se não transfunde alegria
e esperança de renovo
no universo fatigado
em que repousa e não ousa.
Sua ficha - foi rasgada,
por ausência de sinais.
Seu nome - por que sabê-lo?
E sua vida completa
já nem é vida, é jamais.
Ainda que mal
Carlos Drummond de Andrade
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encanre,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
Esses dois poemas fazem parte da coletânea de quatro cds que sairá como "prêmio" para a poesia vencedora da nossa Promoção de um ano de Conto de Réis. Se você ainda não mandou seu texto, mande agora. Leia a idéia do concurso literário na íntegra no post do dia 12 de agosto.
16:24 Plantão direto do computador da escola (hora do recreio). Li isto num papelzinho pregado no mural dos alunos, claro, eu não consegui só ler:
O Brasil é um país geométrico:
tem problemas angulares,
discutidos em mesas redondas,
por um monte de bestas quadradas.
Mas eu não concordo que o povo tem o governo que merece, só não sei se é porque eu também faço parte do povo.
12:56 Computador com defeito... Juju em modo de espera, esperando mais textos chegarem por e-mail. Tenho tido ótimas surpresas e sim, podem mandar quantos textos quiserem: um, dois ou mais de três, aqui quem manda são vocês! Mais tarde escrevo mais, mais tarde respondo mails, mais tarde será mais tarde...
18:02 Hoje meu humor não está dos melhores, mas vamos lá: daqui a quase um mês o Conto de Réis faz um ano. Êhhhh... um ano! Mais de 10.000 visitas (o que é muito para alguém que nunca vai aparecer nos fresh blogs, nos blogs of note ou nas indicações do bloggerman). E para comemorar: tchanam!!! Promoção um ano de Conto de Réis. Não, você não vai ganhar um carro novo, não vai ganhar uma casa na praia e nem uma mesada de 10.000 por 10 anos, mas... resolvi fazer uma brincadeirinha, algo pra gente se divertir e para as pessoas lhe conhecerem melhor. Você, leitor do Conto, agora tem a chance de ser também um pouco escritor daquilo que lê. Pensei no seguinte: ia ser legal se a gente conseguisse fazer uma espécie de concurso literário. Premiarei, então, a melhor poesia, o melhor conto erótico e a melhor crônica (ou conto, tudo bem).
E você não vai ganhar só a publicação aqui (kakakaka você deve estar morrendo de rir agora), a melhor poesia vai ganhar quatro cds com várias pessoas recitando belíssimos poemas de Drummond. Pérolas como Adélia Prado, Affonso Romano de Sant'Anna, Pelé, Roberto Drummond e Tutti Maravilha. A melhor crônica (ou conto, tudo bem) leva o meu zippo de estimação, que comprei em 1992, quando fiz intercâmbio na Califórnia, junto vai refil de pedra e de pavio. E o melhor conto erótico ganha um kit (erótico) elaborado por mim, e leva também o pearcing de aço cirúrgico com um pingente de coração que ficava no meu imbigo (devidamente limpo e esterelizado na autoclave do consultório da minha irmã), se for mulher, pode se arriscar a colocar, se for homem, pode dar de presente, ou os dois podem não fazer nada com isso, só guardar. Os interessados devem me mandar os textos por e-mail e invetar um pseudônimo caso tenham medo da fama (pode rir mais uma vez). A promoção dura até dia 07 de setembro, quando comemoraremos com as publicações. Espero que participem e divirtam-se, vocês têm um mês pela frente. E o Conto de Réis terá um ano de vida!
Vinícius já me mandou lembranças (como podem ver, eu já me sinto a aniversariante)...
Poema de Aniversário
Porque fizeste anos, Bem-Amada, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte...
Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por um homem à sua Amada, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesma.
Quisera dar-te também o mar onde nadei menino, o tranqüilo mar de ilha em que me perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima — estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito.
E mais, quisera dar-te as minhas loucas carreiras à toa, por certo em premonitória busca de teus braços, e a vontade de grimpar tudo de alto, e transpor tudo de proibido, e os elásticos saltos dançarinos para alcançar folhas, aves, estrelas — e a ti mesma, luminosa, a derramar claridade em mim menino.
Ah, pudesse eu dar-te o meu primeiro medo e a minha primeira coragem; o meu primeiro medo à treva e a minha primeira coragem de enfrentá-la, e o primeiro arrepio sentido ao ser tocado de leve pela mão invisível da Morte.
E o que não daria eu para ofertar-te o instante em que, jazente e sozinho no mundo, enquanto soava em prece o cantochão da noite, vi tua forma emergir do meu flanco, e se esforçar, imensa ondina arquejante para se desprender de mim; e eu te pari gritando, em meio a temporais desencadeados, roto e imundo do pó da terra.
Gostaria de dar-te, Namorada, aquela madrugada em que, pela primeira vez, as brancas moléculas do papel diante de mim dilataram-se ante o mistério da poesia subitamente incorporada; e dá-la com tudo o que nela havia de silencioso e inefável — o pasmo das estrelas, o mudo assombro das casas, o murmúrio místico das árvores a se tocarem sob a Lua.
E também o instante anterior à tua vinda, quando, esperando-te chegar, relembrei-te ainda adolescente naquela mesma cidade em que te reencontrava anos depois; e a certeza que tive, ao te olhar, da fatalidade insigne do nosso encontro, e de que eu estava, de um só golpe, perdido e salvo.
Quisera dar-te, sobretudo, Amada minha, o instante da minha morte; e que ele fosse também o instante da tua morte, de modo que nós, por tanto tempo em vida separados, vivêssemos em nosso descenso uma só eternidade; e que nossos corpos fossem embalsamados c sepultados juntos e acima da terra; e que todos aqueles que ainda se vão amar pudessem ir mirar-nos em nosso último leito; e que sobre nossa lápide comum jazesse a estátua de um homem parindo uma mulher do seu flanco; e que nela houvesse apenas, como epitáfio, estes versos finais de uma canção que te dediquei:
... dorme, que assim
dormirás um dia
na minha poesia
de um sono sem fim...
...e se ele fosse vivo, acho que me daria um beijo. Pronto. Só isso.
12:21 E a gente, às vezes, não quer ir a lugar nenhum.
P A S S A G E M
Conta-se que, no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, visitar um famoso rabino. O turista ficou muito surpreso ao ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.
- Onde estão os seus móveis? - perguntou o turista.
E o rabino, bem depressa, perguntou também:
- Onde estão os seus?
- Os meus?! - disse o turista - Mas eu estou de passagem!
- Eu também - disse o rabino.
- - - - - -
A vida na terra é só uma passagem. Não convém, portanto, vivermos tentando possuir coisas e pessoas como se fôssemos ficar aqui eternamente. Como se fôssemos, realmente, donos de alguma coisa.
Neste Dia dos Pais faço minha homenagem aos pais que me lêem, aos pais dos que me lêem, ao meu pai. Sei que este dia é só mais um dia comercial, sei que todos os dias são dias dos pais, mas sejamos um pouco mais emocionais do que racionais. Sei que existem pais, paaais e pães. Pais ausentes, pais presentes, pais que já se foram, pais que nunca vieram, pais que são exemplo (bom e ruim), pais que educam, pais que compram presentes, pais que ensinam, pais que aconselham. Existem todos os tipos de pais e todos os tipos de filhos. Aos nossos pais amor. Mesmo que algumas vezes achemos que eles não mereçam, mesmo que algumas vezes eles pareçam não entender muito bem o sentido dessa palavra, mesmo que a gente não tenha sempre tudo o que a gente quer, mesmo que eles não sejam sempre como a gente espera. Aos pais ausentes amor. Para que eles se enchendo desse sentimento queiram transbordar, e se não foi em nossa casa, se não foi em cima de nós, que seja em outro lar. Aos pais que já se foram amor. Para que aonde quer que se encontrem possam percorrer uma nova estrada, um novo caminho em paz, refletindo boas lembranças, crescendo com os erros cometidos, trilhando na luz para um dia nos receber de braços abertos.
Falta pai
Dilan Camargo - Subsecretário de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul
É alentador que os veículos da RBS estejam se empenhando em fazer ouvir a infância sem voz. Campanhas como "O amor é a melhor herança", programas como Conversas Cruzadas com debates entre autoridades políticas e judiciárias, as reportagens sobre a trajetória dos meninos ninjas, e vários artigos na página de opinião, tocam nessa imensa ferida que a sociedade e governos não curam.
Mas a verdade é que falta pai!
Falta pai porque os homens, sobrecarregados de trabalho, viciados no seu individualismo, ou incapazes de manifestar o seu afeto masculino, são eloqüentes ausências dentro de suas casas. Falta pai porque, nas sextas-feiras à noite ou nos sábados de manhã, filhos de pais e mães separados, com suas mochilinhas e o travesseiro debaixo do braço, esperam em vão e em lágrimas, que seus pais os busquem para passarem um fim de semana juntos.
Falta pai porque em Porto Alegre 595 crianças e adolescentes perambulam abandonados pelas ruas e porque a nossa cidade é a capital nacional de jovens drogados.
Falta pai porque os adultos regrediram à orfandade civil mantidos infantilizados pelo consumismo que se utiliza de uma propaganda que lhes promete tudo e por uma sociedade que a outros nega a mínima cidadania econômica e social.
Falta pai porque os homens não amam, mas simplesmente "azaram" e "faturam" as mulheres e se comprazem na alienação do seu falocentrismo. Falta pai porque os homens não registram seus filhos no cartório e muito menos nos seus corações. Falta pai porque os homens perderam a paternidade-autoridade, perderam-se na paternidade autoritária ou se esconderam na covardia dos que negam o seu sangue e o seu nome aos que dele e de uma mulher nasceram.
Falta pai porque a sociedade matou os heróis caseiros e elegeu os simulacros de heróis maquiados por uma mídia de baixa informação, entretenimento vulgar e desreferenciada de valores éticos. Falta pai porque vivemos numa época de difícil sobrevivência psíquica onde o "eu" sofre todos os tipos de assédio, desde o sexual, o moral e o consumista. Falta pai porque os pais preferem gastar mais com tênis de marca do que com livros e discos com seus filhos.
Falta pai porque os pais sentem-se amedrontados de serem os únicos a dizerem os necessários "nãos" num cotidiano de permissividades glorificadas. Falta pai porque homens permitem que os corpos de suas filhas sejam vulgarizados e violados à luz do sol. Falta pai porque a liberdade se reduziu à falsa escolha de uma grife ou à permissão para jovens ricos exorcizarem o seu tédio existencial queimando vivos índios e mendigos.
Falta pai porque essa maravilhosa condição da espécie humana foi esvaziada do seu significado profundo e da sua essência civilizatória. Falta pai porque o chamado de "pai" não é respondido dentro e fora de muitas casas.
Que não te falte o teu. Mas falta pai!
Vô Nicésio
Amigo - Aos pais amigos
Roberto Carlos
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, / amigo de tantos caminhos / de tantas jornadas / Cabeça de homem mas o coração de menino, / aquele que está do meu lado em qualquer caminhada / Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, / você tantas vezes provou que é um grande guerreiro / o seu coração é uma casa de portas abertas, / amigo você é o mais certo das horas incertas / As vezes em certos momentos difíceis da vida, / em que precisamos de alguém para ajudar na saída / A sua palavra de força de fé e de carinho, / me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho / Você meu amigo de fé meu irmão camarada, / sorriso e abraço festivo da minha chegada / Você que me diz as verdades com frases abertas, / amigo você é o mais certo das horas incertas / Não preciso nem dizer, / tudo isso que eu lhe digo, / mas é muito bom saber, / que você é meu amigo
Naquela Mesa - Aos pais que já se foram
Sérgio Bittencourt
Naquela mesa ele sentava sempre / E me dizia sempre o que é viver melhor,/ Naquela mesa ele contava histórias / Que hoje na memória eu guardo e sei de cor. / Naquela mesa ele juntava a gente / E contava contente o que fez de manhã,
E nos seus olhos era tanto brilho / Que mais que seu filho eu fiquei seu fã. / Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim, / Se eu soubesse o quanto dói a vida / Essa dor tão doída não doía assim, / Agora resta uma mesa na sala / E hoje ninguém mais fala no seu bandolim./ Naquela mesa tá faltando ele / E a saudade dele está doendo em mim.
Pai - Aos pais ausentes
Fábio Júnior
Pai, pode ser que daqui a algum tempo / Haja tempo pra gente ser mais / Muito mais que dois grandes amigos, pai e filho talvez / Pai, pode ser que daí você sinta, / qualquer coisa entre esses vinte ou trinta / Longos anos em busca de paz... / Pai, pode crer, eu tô bem eu vou indo, / tô tentando vivendo e pedindo / Com loucura pra você renascer... / Pai, eu não faço questão de ser tudo, / só não quero e não vou ficar mudo / Pra falar de amor pra você / Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, / fala um pouco tua voz tá tão presa / Nos ensine esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver / Pai, me perdoa essa insegurança, / é que eu não sou mais aquela criança / Que um dia morrendo de medo, nos teus braços você fez segredo /
Nos teus passos você foi mais eu / Pai, eu cresci e não houve outro jeito, / quero só recostar no teu peito / Pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de amor com meu filho / No tapete da sala de estar / Pai, você foi meu herói meu bandido, / hoje é mais muito mais que um amigo / Nem você nem ninguém tá sozinho, você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz
11:35 Ainda bem que eu sou professora, porque como jogadora de boliche, cantora e dançarina de cabaré acho que eu não teria muito futuro.
Esta noite, quando dormi, tive um pesadelo. Um não, vários deles. Quem não tem medo de Bicho Papão? De se ver refletido no espelho ou nas águas de um rio?
Tenta Esquecer-me
Mario Quintana
Tenta esquecer-me
Ser lembrado é como evocar-se um fantasma
Deixe-me ser o que sou, o que sempre fui
Um rio que vai fluindo
Em vão, em minhas margens
cantarão as horas, me recamarei de estrelas como
um manto real
Me bordarei de nuvens e de asas
Às vezes virão em mim as crianças banhar-se
Um espelho não guarda as coisas refletidas
E o meu destino é seguir... é seguir para o mar
As imagens perdendo no caminho
Deixa-me fluir... passar... cantar....
Toda a tristeza dos rios é não
poderem parar!
13:13 Sei lá... postar em agosto, numa sexta-feira, dia 08 (do 08), às 13 horas e 13 minutos só pode dar muita sorte. Deve ser porque hoje vou ao Salão do livro de Belo Horizonte. Para os mais desavisados começou ontem e vai até o dia 17 de agosto na Serraria Souza Pinto. Cultura de graça, para quem consegue entrar e sair do mundo mágico sem levar nada (o que não é o meu caso). Certamente vou voltar para casa com umas duas assinaturas de revistas literárias, uns três livros, vários folhetos, publicações marginais e tempo nenhum para ler tudo isso. Será uma homenagem ao centenário de nascimento do Pedro Nava e aos 50 anos de morte de Graciliano Ramos.
12:39 Tá bom, tá bom. Como diria meu irmão: o cara teve a manha. Era um grande comunicólogo. Mas e daí?
Hoje à noite tem promoção de aniversário do Conto de Réis surgindo por aqui, só para variar a falta de assunto do dia seguinte da morte de Roberto Marinho. (Promoção transferida para amanhã - 08/08 - porque segundo a numerologia, ou a minha preguiça, hoje não é um bom dia, ou uma boa noite, para se postar mais. Estou demasiadamente enfastiada deste dia.)
07:57 E ontem morreu Roberto Marinho. O homem que fazia parte da Academia Brasileira de Letras sem nunca ter escrito um livro. O homem que entrava todos os dias nas casas de milhões de brasileiros semq ue a maioria nunca tenha se dado conta disso. O homem de 98 anos. O homem que já estava morto há tempos.
Quem tiver tempo, quiser e puder, leia:
Texto selecionado, com adaptações, do livro "Muito Além do Cidadão Kane",
de Geraldo Anhaia Mello
baseado no Documentário da BBC de Loncres, "Rede Globo, Beyond the Citzen Kane"
A TV Globo foi ao ar no Rio pela primeira vez em 26 de Abril de 1965, pouco mais de um ano após o golpe militar.
Roberto Marinho era o dono da emissora. Seu pai havia fundado o jornal O Globo em 1925, mas morreu logo depois. Seus filhos herdaram o jornal. Aos 26 anos, em 1931, Roberto Marinho tornou-se diretor do jornal. Na década de 40 ele deu início às transmissões da Rádio Globo. Marinho obteve sua primeira concessão de TV em 1957, do presidente Juscelino Kubitscheck, cujo governo ele apoiava, e a segunda do presidente João Goulart, cujo governo ele ajudou a derrubar.
Em 1962 Roberto Marinho assinou um contrato de colaboração entra a Globo e o grupo Time-Life. O acordo parecia ir contra a lei brasileira, na medida em que dava a uma empresa estrangeira interesses em uma empresa nacional de comunicações. Mas o acordo deu vantagens decisivas a Roberto Marinho. Vantagens da ordem de seis milhões de dólares, enquanto que a melhor emissora do grupo Tupi tinha sido montada com trezentos mil dólares.
Os primeiros oito meses da TV Globo foram um fracasso evidente e então Walter Clark, à época com 29 anos, foi contratado para dirigir a emissora. Foi ele o arquiteto do incrível sucesso da Globo (e mais tarde, foi queimado pela própria emissora que colocou de pé).
Quando o segundo presidente militar, marechal Costa e Silva assumiu em 1967, o breve “Milagre Econômico Brasileiro” teve início. O pensamento econômico do regime era surpreendentemente simples: Que os ricos fiquem cada vez mais ricos, para que graças a eles os pobres fiquem cada vez menos pobres.
A ditadura deu prioridade ao desenvolvimento de um moderno sistema nacional de telecomunicações, criando um ministério e viabilizando a compra de televisores a crédito. Os objetivos definidos foram, para variar, segurança nacional e integração.Todos poderão ver a Copa do Mundo .
Chico Buarque comentou: “Era televisão e futebol. Construíram estádios e essa rede impressionante de telecomunicações por todo o Brasil, e ao mesmo tempo uma degradação crescente em termos de educação e saúde. Tudo isso foi descuidado.”
No final dos anos sessenta o video-tape e as redes nacionais se uniram para destruir a produção local de programas, com toda a programação sendo realizado no Rio e em São Paulo.
A resistência à ditadura militar chegou às ruas em 1968 quando cerca de cem mil pessoas, em sua maioria estudantes, fizeram grandes manifestações no Rio de Janeiro. No final de 68, pressionado pela crescente oposição, o regime militar assumiu poder ditatorial total, através do infame Ato Institucional 5. O congresso foi fechado e a tortura virou uma rotina. A censura prévia aos meios de comunicação de massa foi instituída. Parte da esquerda optou heroicamente pela luta armada e seu sucesso mais espetacular foi o seqüestro do embaixador americano, forçando o governo a libertar vários presos políticos.
Após investigações parlamentares, que concluiram que o acordo Time-Life e Globo eram ilegais, a parceria foi dissolvida em 1969. Roberto Marinho ficou com total controle da TV Globo, enquanto suas concorrentes Tupi e Excelsior continuaram seu lento declínio. (Nota: A Time-Life ainda tem uma parte na Rede Globo. Este cancelamento de contrato provavelmente não existiu. A Time não iria desfazer o acordo sem um ressarcimento do valor investido.)
A Globo centralizou todas as suas produções no Rio de janeiro após um incêndio que destruiu suas instalações em São Paulo. Com o (providencial e bem-vindo) dinheiro do seguro um impulso decisivo foi dado para a construção de uma poderosa rede, com o apóio do Regime. O primeiro telejornal a atingir praticamente todo o território brasileiro foi o Jornal Nacional, apresentado pela primeira vez em 1º de setembro de 1969. Assim nasceu a rede.
A Excelsior havia sido a única empresa de televisão a se opor ao golpe militar de 1964 e os militares não se esqueceram disso. Em 1970 o governo cancelou sua concessão.
No início dos anos setenta o novo governo, do general Emílio Médici lançou uma campanha maciça com o slogan: Brasil, ame-o ou deixe-o. Qualquer reportagem negativista era proibida. Qualquer crítica persistente também. A lista de assuntos proibidos era imensa. Às vezes uma ordem para suspender a publicação de uma notícia chegava antes dela acontecer. Por exemplo: “O senhor está proibido de noticiar um seqüestro que acontecerá amanhã em São Paulo."
Em 1972 o então presidente Médici inaugurou a televisão em cores em um grande festival, dizendo: “Sinto-me feliz
todas as noites quando assisto o noticiário” ”Por quê?” “Porque no noticiário da TV Globo o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz... É como tomar um calmante após um dia de trabalho!”
A chegada das cores consolidou a superioridade da TV Globo. Na definição da própria emissora foi instituído o “Padrão Globo de Qualidade”. Os espectadores salivavam e sentavam-se em frente a seus aparelhos ao ouvir o plim, plim anunciando o próximo programa Global.
Em 1977, Roberto Marinho demitiu Walter Clark, naquela época o executivo mais bem pago da América Latina. Walter Clark foi substituído pelo controlador de programação conhecido por Boni. Enquanto isso, como a própria Globo mostrou, a repressão não havia diminuído. Nem mesmo jornalistas foram poupados. Em 1975, Wladimir Herzog, chefe do jornalismo da TV Cultura de São Paulo, foi preso, tendo morrido horas depois em um quartel. Ele havia sido torturado. A polícia divulgou uma foto, tentando convencer a opinião pública de que ele havia se suicidado. A notícia de sua morte não foi divulgada na televisão, mas apareceu nos jornais e milhares de pessoas se reuniram na praça da Sé para protestar contra o assassinato.
Em 1979 o general Figueiredo tornou-se o quinto e último presidente militar. Ele prometeu a abertura do país
para a democracia (desde que controlada pela eleite de sempre).
Em 1980 a TV Tupi acabou falindo e sua concessão foi cancelada. Durante as duas décadas da ditadura militar no Brasil, Roberto Marinho ficou riquíssimo e era talvez o civil mais poderoso do país. Com o fim do regime militar seu domínio cresceu ainda mais, além de qualquer regulamentação ou controle.
A TV Globo não perde nenhuma oportunidade para anunciar outros produtos das organizações Globo. 30% da receita da
gravadora de Roberto Marinho vêm dos discos de Xuxa e a maior parte restante da venda de trilhas-sonoras de novelas, com muitos sucessos norte-americanos. Sem contar com a apresentação de merchandising nas novelas.
Na iminência da volta de um presidente civil ao comando do país, Roberto Marinho apoiou o candidato Tancredo Neves,
um velho e respeitado estadista, membro da oposição à ditadura militar. Quando Tancredo derrotou o candidato dos militares, por esmagadora maioria no Colégio Eleitoral o Brasil exultou de alegria. Os generais haviam desaparecido, es expectativas eram muito grandes. Horas depois da sua eleição, Tancredo almoçava com Roberto Marinho. Uma conversa particular apenas noticiada pelo O Globo, jornal do anfitrião. Antônio Carlos Magalhães também participou do almoço. Ex-Governador da Bahia e aliado importantíssimo da vitória de Tancredo, ACM é um velho amigo de Roberto Marinho. Logo depois Tancredo anunciou que ACM seria seu ministro das Comunicações.
Tancredo morreu antes de assumir a Presidência da República e as imagens da Globo expressaram toda a angústia
da nação. Ele foi substituído por José Sarney, um membro fundador do partido pró-governista militar. Um político com pouco carisma.
Sarney confirmou ACM como Ministro das Comunicações.
Durante o governo Sarney ficou difícil para a Globo mostrar sua independência. A ditadura militar havia acabado e a emissora custava a recuperar uma imagem de jornalismo independente.
A Globo optou por recuperar alguns dos artistas que baniu durante anos. Chico Buarque comenta: “Hoje em dia existe um tipo de censura econômica muito importante. Por exemplo: um artista que queira cantar num dos vários programas de variedades – pois não há programas musicais – ele ou a sua gravadora tem que pagar à TV Globo para poder aparecer. Ou seja, os profissionais de música pagam a TV Globo para trabalhar para ela.”
Os telejornais da Globo não podiam mais ignorar os protestos sociais. Algumas manifestações contra o governo foram apresentadas. Mas os jornais da Globo tinham uma maneira toda especial de apresentar os fatos. A Globo sempre abria o jornal com o locutor dizendo assim: “Índice mensal da inflação foi de 40%. Caderneta de Poupança vai render 40%”. Quer dizer, ela tirava o peso negativo do índice da inflação, e transformava em uma coisa positiva. Logo, os jornais da Globo iriam adquirir extrema maestria para maquiar os fatos da realidade nacional, em especial quando isso é de seu interesse político e financeiro, no contexto de superficialidade que marca, por exemplo, as edições do Jornal Nacional, carro chefe do telejornalismo global... (continua)
Quem não gosta de ser o dono do controle de televisão? Deitar no sofá, esticar as pernas, controle no colo e olhos semi cerrados. Para mim a maior função da televisão é fazer dormir. Tirando, é claro, os momentos em que esta se encontra em funcionamento junto ao vídeo ou ao dvd. Ver televisão é muito bom, quando não se tem nada para fazer. Mas sempre com o controle nas mãos. Assim você pode pular de uma propaganda para outra melhor, ou de uma coisa ruim para outra pior, na hora em que você quiser. Caso a TV não tenha controle, serve o controle do vídeo, do dvd,do som e até do portão da garagem. Mesmo que ele não faça nada, mesmo que ele não tenha função alguma prática, porque exerce a função psicológica, como remédio homeopático. Quando eu seguro o controle, qualquer controle, eu exerço controle. Eu tenho o poder de mudar. Eu tenho o poder de ligar e desligar. Ninguém me manipula. Ninguém me controla. Mas eu também não desligo, só porque eu não quero. E permaneço todos os dias na inércia dos domingos, deitado em frente a televisão, vendo a vida que passa lá fora passar aqui dentro de minha casa, nas cores que eu mesmo escolhi. Achando que eu penso sozinho.
Televisão
Arnaldo Antunes/ Marcelo Fromer/ Tony Belloto
A televisão me deixou burro, / muito burro demais / Agora todas as coisas que eu / penso me parecem iguais / O sorvete me deixou gripado / pelo resto da vida / E agora toda noite quando / deito é boa noite, querida / O Cride, fala pra mãe / Que eu nunca li num livro / Que um espirro fosse um vírus sem cura / Vê se me entende pelo menos / uma vez, criatura! / O Cride, fala pra mãe! / A mãe diz pra eu fazer alguma / coisa, mas eu não faço nada / A luz do sol me incomoda, / então deixo a cortina fechada / É que a televisão me deixou / burra, muito burra demais / E agora vivo dentro dessa / jaula junto dos animais / O Cride, fala pra mãe / Que tudo que a antena captar / meu coração captura / Vê se me entende pelo menos / uma vez, criatura!
meu coração captura
15:42 E se você é viciado em internet, nada como um site terapêutico. Nem preciso dizer que é mais um serviço dos anônimos.com.
15:07 Apresento a vocês: Afrodite, Frô para os íntimos. Esta é minha pequena, quando ela ainda era pequena. É literalmente por esta e por outras que eu abracei a campanha em defesa dos animais.
Eu odeio dentista. E não falo isso porque minha dentista é a minha irmã, até porque ela é ótima profissional. Falo isso porque eu realmente odeio dentista. Odeio o cheiro do consultório. Odeio o barulho das brocas. Osdeio passar fluor. Odeio ficar de boca aberta duas horas.
- Ju, você viu a novela sexta?
- Bi.
- O que aconteceu?
- Dossa, um bonte de coisas (murmurando e babando mais ou menos assim).
- Abre a boca, fica bem quietinha para não sair aqui do lugar, tá? Me fala, a Dóris encontrou com o Marcos?
E assim vai. Ela fala, fala, fala, pergunta, pergunta, pergunta e eu gemo. Depois ela diz:
- Tá doendo?
- Um boco.
- É assim mesmo, guenta só mais um pouquinho que já passa.
Se é assim mesmo, se sempre dói, por que ela pergunta? Devia avisar: Ó, vai doer um pouquinho, mas passa logo. A gente devia se lembrar de tomar um anestésico antes de ir ao dentista. Mas na verdade eu acho que o que dói mesmo são os barulhos. Aquele barulhinho fininho dói lá dentro da gente. A gente devia se lembrar de levar sempre um tampão de ouvidos para o dentista. Sentada naquela cadeira, quase de cabeça para baixo, ainda pude ver o céu. O céu é tudo o que me agrada naquele consultório insuportavelmente branco. O azul insuportável de lindo do céu me anima atrás daquelas grandes janelas. Ali, até os aviões parecem mais inofensivos do que aqueles grampos e seringas e luzes e agulhas e lixas. Passam longe e bem pequenininhos, de um lado para o outro. Chegam e se vão. E me lembro do Jô contando um caso seu no dentista. Pelo menos a Nanda não me conta piadas.
Foto perfeita para o post tirada pelo Hélcio Toth. Só para mostrar que eu não estou sozinha na cadeira do dentista.
09:25 Fim das férias e começo de uma nova semana. Começo de uma nova etapa. Começo de uma nova campanha.
CAMPANHA DO FÓRUM NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA ANIMAL
O Forum Nacional de Proteção e Defesa Animal acaba de lançar um Manifesto Popular que será entregue ao Presidente Lula, em Outubro de 2003, pedindo drásticas mudanças na política de captura de animais e controle de zoonoses no nosso País. Serão necessárias 5 milhões de assinaturas, mas com a ajuda de todos, isso pode ser feito!
Entre no site da ong Carrocinha Nunca Mais e saiba como você pode ajudar a salvar milhares de animais que morrem nas câmaras de gás de prefeituras de todo país, todos os dias.
Se você tem um site ou blog, publique os banners e ajude a divulgar!
13:06 Hoje resolvi escutar um monte de músicas que há muito não saiam da minha estante, ficavam lá, bem guardadas dentro dos cds. Desci então com o Equilibrio Distante do Renato Russo, Antônio Brasileiro Jobim e trouxe o coral do meninos de Araçuaí para invadir meu quarto. Acabei virando criança de novo, no meio de todas essas cirandas. Ainda ouvindo música achei isto no Flicts. Realmente, ser criança, quem não gosta?
Agora crescendo (e aparecendo), mas ainda há música:
Palavras
Paulo Leminski
Palavras...
Minhas palavras
Chamas nos seus ouvidos
Poemas...
Minhas palavras
Minhas palavras
Tão tuas, tão nossas
Sou eu, sou você sabe
Você sabe eu sou teu problema
Uma frase, um poema
Um bom dia que você escutou
A meia-noite uma palavra
Meu nome...
Chamas nos teus ouvidos
Metade de mim te procura
Metade te acha...
ERRATA: A letra é do Leminski, a música é do Ivo Rodrigues.
16:26 Aos comentários. Não sou pedra, nem sou flor. Acho que se pensarmos bem, e a ciência nos comprova, somos muito mais água mesmo, ou vinho.
Olhos que procuram em silêncio
Ver nas coisas, cores irreais
Seu instito é meu desejo mais puro
Esse seu ar obscuro, seu objeto de prazer
Mas se você quiser , eu bebo seu vinho
Mas se você quiser, sou pedra, flor e espinho Frejat, Mauríco Barros e Mauro Sta. Cecília
12:40 Sexta-feira, primeiro de agosto. Mais um mês se inicia, mais um mês de memórias arquivadas. Pé no futuro, pernas no passado. Meu blog não funciona como os outros, sou eu quem cria os arquivos. Cada vez que um arquivo é criado, todo o mês some e vai parar na lista dos dias que se foram, e começo a escrever sobre uma página em branco. Em branco pardo porque não existe branco puro, porque não existe nada que já não tenha sido escrito, porque eu mesma já existia bem antes de existir aqui, e só por isso também continuo. Só por isso não parei. Só por isso não pararei. Existem também, desde muito tempo, desde antes de hoje, pedras no caminho, bem no meio do caminho. Em Itabira já existiam, pedras de ferro no meio das ruas, pedras de aço dentro da gente. O Pico do Cauê abençoava a todos nós.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação. Carlos Drummond de Andrade
O Cauê não mais existe para cima, deixou lembranças e um buraco. A gente cresce, muda. Assim também são as pedras. Algumas encolhem e escolhem bem o calo para se alojarem embaixo. Mudam-se para dentro dos sapatos, debaixo dos colchões das princesas. Não são ervilhas mas são pedras. Já atirei pedras, outras tantas já atiraram sobre mim. Recolhi algumas, apenas arrependi de outras. Já me defendi. Já me deixei acertar. Já escolhi pedras no meio de todas e fiz delas amuletos para nunca mais me esquecer.
Das Pedras
Cora Coralina
Ajuntei todas as pedras
que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
e no alto subi.
Teci um tapete floreado
e no sonho me perdi.
Uma estrada,
um leito,
uma casa,
um companheiro.
Tudo de pedra.
Entre pedras
cresceu a minha poesia.
Minha vida...
Quebrando pedras
e plantando flores.
Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude
dos meus versos.
E lembro-me que em alguns desenhos as pedras se transformavam em flores ao mesmo tempo em que o óleo chegava ao chão como um arco-íris saindo dos muros altos do castelos, construídos de pedras, como as pirâmides. Princesas viram bruxas. Bruxas enfeitiçam princesas. Pedras quebram os vidros das casas, dos carros, das vitrines nas ruas. Balas de revólver matam. É pau. É pedra. É bala. É o fim do caminho. Dói.
Foto da Regina Agrella tirada na missa do fotógrafo La Costa.
Um pouco mais de sol... e eu era brasa Um pouco mais de azul... e eu era além Mário de Sá Carneiro
Por que Conto de Réis?
Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?
Eu recomendo! A hora da estrela de Clarice Lispector; Amadora de Ana Ferreira; Afrodite de Isabel Allende; Clube dos anjos de Veríssimo; Nome falso de Roberto Piglia; Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.
Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges
PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR by poetinha
Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.
Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.