"Amor é um gostar que não diminui de um aniversário para o outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina."
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Essa menina sou eu, Juliana. Essas palavras sou eu, menina.
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Só para não dizer que não falei das flores...
Eu não amo quem não me ama!
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Não digo quem é, mas tem gente que ODEIAALGUÉM QUEEUTAMBÉM NÃOPOSSODIZERQUEMÉ. Tá bom assim? E eu ainda não descobri quem eu vou odiar além do ORIGAMI. É que tem que ser alguém que canta.
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POEMINHA SURREALISTA Millôr Fernandes
Gostaria, querida,
De ser inesperado
Como uma madrugada amanhecendo
À noite
E engraçado, também,
Como um pato num trem.
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Pra não deixar ninguém esquecer!
Num lugar onde só existiam pizzas, as de aliche foram expulsas pelas de ervilha.
Qual o nome do filme?
- Aliche no país das más ervilhas.
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Acho que vou aproveitar esses espaço para começar a fazer listas das ou dos cinco mais, ou seja, lista das cinco mais melhores de boas das coisas de cada categoria.
Por exemplo, essa semana eu posso fazer a lista das cinco coisas mais bacanas que aconteceram ultimamente (nos últimos meses):
1.Conhecer a Anna Barbara e a Pati;
2.instituir o almoço das amigas como evento sagrado;
3.comprar meu vídeo e meu dvd novos;
4.minha formatura;
5.Reveillon de 2002/2003.
Tudo de bom! Todo mundo merece!
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E quando eu morrer, já escolhi meu epitáfio: Vocês todos vivendo, seus filhos da puta. Só eu não. Segunda alternativa: Fui, porém contrariada. __________
Cantinho do Leminski
tarde de vento até as árvores querem vir para dentro
tudo dito, nada feito, fito e deito
temporal fazia tempo que eu não me sentia tão sentimental
rio do mistério que seria de mim se me levassem a sério?
incenso fosse música isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além
coração
Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção
Me infernando o peito.
Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara,
Coisa que a gente acha
E é melhor encher a cara.
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"Na vida do homem, o amor é uma coisa à parte, na da mulher, é toda a vida." Lord Byron
Árvore genealógica
Estava pensando aqui: o blog da Barbara é pai do meu, o da Cathy é avô, o do Marcelo, o do Cláudio, o da Ana, o da Juzinha, o da Carol, o das Amigas e a página do Cláudio são filhos. Minha família tá crescendo!
Para você escutar enquanto me lê: DJ Nyquill
Aguarde... vem mais por aí.
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O texto também tem uma forma humana, uma figura, um "anagrama do corpo".
Barthes
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Prêmios Eu mereço!
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
EU TENHO AUTOCRÍTICA
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29 de abril - terça ou quinta-feira?!?
Atenção, amigos, preciso muito da ajuda de todos vocês!
A Rozângela é uma jovem que trabalha na casa da Juzinha há 8 anos. Ela tem 33 anos e uma filhinha, chamada Amanda, de 5 anos. Ela é portadora de um tipo de anemia falciforme e, por causa disso, teve descolamento de retina no olho direito. O diagnóstico foi tardio pois os médicos não conseguiram detectar imediatamente qual era o problema, enquanto isso ela foi perdendo, cada vez mais, a visão. Com esse olho (o direito) ela praticamente já não enxerga, e o outro está caminhando para o mesmo processo. Ela terá que fazer uma cirurgia hoje, dia 30 de abril de 2003, que não é feita pelo SUS, ou a situação se tornará irreversível. A outra intervenção foi realizada na quarta-feira e tudo correu bem. Como a Rozângela já está muito doente, também não consegue nenhum plano de saúde. O preço da cirurgia é R$10.000, mas conseguimos um médico amigo que fará a cirurgia por R$5.500 no Hospital Hilton Rocha. Foi feito um empréstimo e o pagamento poderá ser efetuado em três vezes. Por este motivo estamos fazendo essa campanha para conseguir pelo menos uma parte do dinheiro, mesmo que pequena. Ela sempre foi muito esforçada e trabalhadora, mas agora está praticamente inativa. Sabemos que isso acontece todos os dias, mas não tão perto assim de nós. Essa situação nos sensibilizou muito e o que nos motiva é saber que ela pode, e vai, voltar a enxergar, e que nós, juntos, fizemos parte disso. Só depende de nós! Se você puder abraçar esta causa com a gente, deposite qualquer quantia na conta da Rô e depois nos comunique. Um ou cem reais, o que importa é a sua atitude. Nós lhe seremos eternamente gratas! Faça um bem para alguém, devolva-lhe as cores do mundo! Estaremos prestando contas diariamente dos depósitos no Calcinhas, caso queira identificar-se, é só falar... e muito obrigada!
09:33 Eu adoro mapas. Aqui as distâncias parecem menores.
09:04 Minas Gerais. As Minas são muitas. Belô. Fernando Sabino fala de enigma quando fala de Minas, das Alterosas. Segundo este mineiro, sua terra é assim chamada por causa das suas mulheres, "que são meio alterosas, acabam sempre dando alteração". Em sua vasta obra ele vive em busca do mistério que se esconde atrás das montanhas e na alma dos mineiros: São João del Rei, Tiradentes, Congonhas, Sabará, Itabira, Ouro Preto, Dimantina ao cair da tarde - terra de onde saiu o mineiro Juscelino Kubistscheck para animar um pouco a Presidência da República. Minas arrasta o peso da história, carrega nos ombros seus heróis. Podemos nós até amassar o barro de que foi feito Adão, na arte popular dos artífices do Vale do Jequitinhonha. Do tempo de mineirice em Belo Horizonte, guarda aquilo que hoje eu faço, sabe que aqui o sentido da vida é: subir Bahia, descer Floresta. Mas será que basta nascer em Minas para ser mineiro? Sendo assim o sol e a lua também o são, pois nascem todos os dias em tão Belo Horizonte. Que é ser mineiro, afinal? É ter cheiro de flor, gosto de pão de queijo. O mistério de Minas é como o desafio da esfinge: decifra-me, ou devoro-te. Prefere ser devorado? Eu prefiro, pois ser mineiro pode ser não tocar neste assunto. Eu adoro, leio e recomendo Fernando Sabino. Tem a profundidade, a ingenuidade, a inteligência e a sutileza dos mineiros, que assim como um bom cafezinho, você pode degustar aos poucos, ao longo do dia ou da vida.
13:40 Gozar. Vocês já pensaram no tamanho do significado desta palavra? Ou em quantas coisas ela comporta? Você pode gozar a vida. Pode gozar da vida. Pode gozar na vida. Eu acho que optei pelas três alternativas. Adoro gozar no final. Gozar em todas as suas acepções. Gosto de sentir cada momento: com gosto, cheiro, forma, textura, som. Chorar de tanto gozar. Chorar de felicidade. Chorar de prazer. Optei por encontrar alguém que me complete, que me faça feliz, que me ame. Optei por aceitar, por aprender, por me entregar, por ser feliz! Gozei.
08:59 Chega feriado! Chega feriado! Chega feriado! Chega de feriado! Eu tenho um problema que muito me aflige. Ontem eu percebi que esse não é um problema só meu. Bem cedinho mamãe gritou do seu quarto: Juuuuuuu, venha ver isso, rápido! E o que vejo? Um homem no Globo Rural que também pensa nessas questões filosóficas imprescindíveis para a evolução transcedental do homem: por que é que os milhos só tem filas pares? Sabe aquelas carreirinhas de milho verde? As linhas? Pois é. Há anos que eu penso nisso e faço todo mundo da minha casa contar. Duvido que alguém ache um milho, unzinho sequer, que tenha uma carreirinha ímpar. Não vale contar as bifurcações, tem que ser a matriz, a linha original. Minha mãe achava que eu estava ficando louca com todas essas minhas manias, mas agora ela viu que eu não estou só. O homem já procura há mais de 17 anos por um milho que tenha as linhas ímpares e ainda não encontrou. E sabem onde ele trabalha? Em uma empresa que vende milho. Ele disse que o pai dele disse que quem encontrar essa espécie rara terá muito sorte. Sorte minha, vou continuar procurando. Não será nenhum sacrifício.
00:18 Surreal. No mínimo é isso o que tem sido meus últimos dias. Hoje, agora, tive tempo de começar a pensar no que e em como escrever por aqui as coisas que vi, fiz, pensei, enfim, vivi. Começo por ontem. Depois da aula de cinema sentamos no Edifício Maleta. Essa é uma contrução muito bacana, antiga, no centro, que carrega nos alicerces o peso de uma história e a história de incontáveis vidas, resumidas em várias gerações. Zona boêmia belorizontina, reduto dos intelectuais, dos catedráticos, dos amigos, dos amantes das letras e das noites, dos boêmios, dos perdidos e também dos prostituídos por alguma coisa: pelo sistema, pelos relacionamentos amorosos, pelos vícios. Berço da cultura de Belô, das suas grandes obras literárias, das suas façanhas políticas. Palco de amores sempre. Arena de grandes batalhas. Como eu poderia, e desculpem-me se assim minhas palavras fizeram, desfazer de algo do qual tanto gosto. Lugar que prezo, admiro, e onde tento captar em cada esquina, em cada bar, em cada história, em cada pessoa, em cada bebida, em cada comida um pedacinho de presente - passado - futuro. Estávamos lá: o Bruno, o Felipe e eu. Como é bom conhecer pessoas. Como é bom ver pessoas. Como é bom. Como foi bom ver que o Bala descia a rua naquele exato momento para mandar engraxar seus sapatos. Ele foi, voltou e sentou. De repente um louco, do outro lado do bar, bêbado, sozinho, começou a gesticular desesperadamente para mim. Eu falei: Gente, dá uma olhadinha naquela figurinha engraçadinha. Todo mundo olhou com a discrição típica que a circustância demanda. O senhor lá do outro lado passou a mão na sua cadeira, no seu copinho de cerveja e se sentiu convidado a juntar-se aos bons, nós. Sentou-se na mesa, olhou para mim e disse: Menina, tu fala pra caralho. Ela fala demais. Eu estava ali tentando flertar com ela e ela blá blá blá blá (de repente uma puxada de ar daquelas inspiradas bucais). Parece uma professora de língua. E como foi que ele adivinhou? Tudo bem, tenho mesmo cara de professora. Mas o que importa não é isso, o que importa é que saímos de lá e fomos ver um amigo do Bala tocar em um lugar que eu não posso (ou melhor, não devo) pronunciar aqui o nome. Lindo lugar. Belo piano. Suave música. Como foi bom! Meu grande amigo cantando. Bebemos. Sorrimos. Dançamos. Perdi a hora, me atrasei para o samba. Mas nunca é tarde para o encontro. Nunca é tarde.
Hoje, na casa da Juzinha, fiz uma viagem à França. Conheci Strasbourg e comi raclette. A Ju foi bom bar. A Pots foi pensar no que fazer com a pequena fortuna de R$15,00 que ganhou no cassino eletrônico. Eu vim para casa.
Vigie seus pensamentos, porque eles se transformarão em palavras.
Vigie suas palavras, porque elas se transformarão em atos.
Vigie seus atos, porque eles se transformarão em hábitos.
Vigie seus hábitos, porque eles se transformarão em seu caráter.
Vigie seus caráter, porque dele depende o seu destino.
Vigiai e orai. Sempre.
Encontrei em cima da minha cama. Faria muito mais sentido se eu não soubesse que é só mais um drama da minha mãe.
21:23 Eu odeio fofoquinha. Eu odeio fofoquinha real e virtualmente falando. Eu odeio ter que entender que eu não posso confiar em quem não conheço e que eu não conheço todo mundo que quero ou acho que conheço. E olha que minha mãe tem tentado me ensinar isso desde que eu era pequenininha, eu já fui pequena um dia. Falei um dia do Maravilhoso Mundo de Dany, mas acho que sou eu quem vivo no Maravilhoso Mundo de Ju. Sou muito mais do que minhas fotos publicadas por aqui ou espalhadas por coputadores mundo a fora. Muito mais. Se eu também fizesse parte de um mundo de faz de contas talvez eu fosse mais feliz! Por que foi mesmo que eu criei um blog? As vidas são todas iguais. As mentiras são todas iguais. Os homens são todos iguais. Eu não sei por que é que a gente ainda se ilude. Aliás, sei sim. É porque quando você menos espera, três anos depois, chega um postal de Cuba na sua casa, com selo e sem carimbo, escrito: I wish you. Love, Thomas. A gente se ilude porque do outro lado do Atlântico fica a Holanda. E porque os holandeses têm uma linda orquestra sinfônica de sopro que toca Wave.
Grito de Alerta
Gonzaguinha
Primeiro você me azucrina,
Me entorta a cabeça,
Me bota na boca um gosto amargo de fel.
Depois vem chorando desculpas,
Assim meio pedindo,
Querendo ganhar um bocado de mel.
Não vê que então
Eu me rasgo, engasgo, engulo,
Reflito e estendo a mão.
E assim nossa vida é um rio secando,
As pedras cortando,
E eu vou perguntando até quando.
São tantas coisinhas miúdas
Roendo, comendo,
Arrasando aos poucos o nosso ideal.
São frases perdidas num mundo
De gritos e gestos,
Num jogo de culpa que faz tanto mal.
Não quero a razão pois eu sei
O quanto estou errado,
O quanto já fiz destruir.
Só sinto no ar
O momento em que o copo está cheio
E que já não dá mais pra engolir.
Veja bem,
Nosso caso é uma porta entreaberta,
Eu busquei a palavra mais certa,
Vê se entende o meu grito de alerta.
Veja bem,
É o amor agitando meu coração,
Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não.
Veja bem,
Nosso caso é uma porta entreaberta,
Eu busquei a palavra mais certa,
Vê se entende o meu grito de alerta.
Veja bem,
É o amor agitando meu coração,
Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não.
Ou eu páro com essa minha mania de fazer duas coisas ao mesmo tempo, andar e pensar, ou eu caio qualquer dia desses (eu ia falar morro atropelada mas não gostei, prefiro cair).
09:20 Ontem minha pressão caiu. Se minha pressão caiu é porque a pressão externa devia estar muito maior do que a interna. O mundo foi me comprimindo... comprimindo... até o eu que eu tenho lá dentro de mim ficar bem pequenininho. Precisar de ar. Acho que as pessoas que não me são, ou seja, todo mundo menos eu, não conseguem entender o quanto eu sofro pelos outros. O quanto eu queria que o mundo fosse diferente. O quanto eu queria que as pessoas fossem diferentes. Fiz quase dois anos de Serviço Social, um ano e meio para ser exata. Eu achava que ia mudar o mundo e a primeira coisa que escutei foi: Se alguém de vocês aqui pensa que vai mudar o mundo, desista! Desisti do curso. Até hoje acredito que vou mudar o mundo. Sempre fui, na PUC, a melhor aluna da classe, ou seja, ganhei três plaquinhas de destaque acadêmico. Mas isso não fez de mim uma pessoa melhor. O que fez de mim a Ju que sou hoje foram as visitas aos presídios, as tardes na extinta FEBEM, a arrecadação de agasalhos e de alimentos, a inspeção do bolsa escola. E acho que ninguém faz idéia de todas as burocracias que tive de enfrentar para poder ajudar. O cruso era teórico demais para mim. Eu precisava, preciso, de ação! Ninguém me ajudou a ajudar. E ajudar também é percorrer caminhos árduos. É sentir a dor que na verdade você não sente, ou não deveria sentir. As pessoas me diziam: Não fique assim, com o tempo você se acostuma! E eu não me acostumei. Não me acostumei a aceitar as injustiças. Não me acostumei com crianças vivendo nas ruas como marginais e sendo tratados pseudo-intelectualmente de "crianças em situação de risco social". Quero levá-las, todas, para casa. Dar-lhes colo, carinho, escola, comida e atenção. Quero muitas outras coisas. Quero e não posso. Quero e não faço. Como é duro ser humano. Como é duro já terem dito para você que querer não é poder. Mesmo assim continuo sendo (palavras de minha mãe) uma menina de riso frouxo. É fácil me fazer sorrir. É simples me ver sorrindo. Andando pelas ruas. Cantando sozinha. Conversando com o meu computador. Dentro e fora da sala de aula. Antesdeontem mamãe perguntou: Ju, aonde foi parar aquela coleção imensa de bichinhos de pelúcia que você tinha? E aquela coleção horrorosa de macacos que eu odiava e você gostava tanto? Eu: Uai, mãe, embrulhei tudo no papel celofane, dei laços bem bonitos e de cores diferentes, depois distribuí nos sinais. Ah, nem todos. Alguns eu deixei na creche. Não foi preciso mais do que esta lembrança para eu sorrir de novo.
21:29 Hoje foi um dia quase normal. Quase me cortaram o celular (as mensagens foram interditadas), quase fiquei internada no hospital, quase não fui trabalhar, quase não volto para casa, quase pego um avião, quase paro de escrever. Aliás, se eu tivesse parado de escrever talvez tivesse sido um dia normal. Todo mundo tem parado de escrever ultimamente. Os blogs parecem namoro mal resolvido. Primeiro as pessoas se vêem, se olham, se sentem atraídas, flertam. Decidem então ficar, fazer um blog. Todo começo demanda tempo, paixão, empolgação, necessidade. O tempo vai passando e as coisas já não são como antes. A satisfação parece diferente. A vontade vira obrigação. O desejo, inércia. Tudo chega ao fim assim. Comigo não. Estou sempre e cada vez mais apaixonada. Apaixonada pelos detalhes. Pelas coisas que ainda não vi, não conheci, ainda não senti e por isso não escrevi. Sou uma apaixonada pelas emoções, pela rotina inovadora, a cultura da surpresa, as briguinhas sem razão, o choro sem motivo aparente, o brilho nos olhos e o coração disparado. Sou uma eterna apaixonada.
10:59 Meninas, estou incomunicável de novo. Meu celular está de TPM. Problema de conta, acontecem uma vez por mês. Podem continuar me ligando, me mandando mensagens que eu adoro receber (se eu não responder não é porque deixei de lhe amar, é porque não dá), mas eu escrever... só semana que vem. Sabe, depois que iniciamos esta camapanha para ajudar a Rozângela tenho tido mais empenho para fazer as coisas. Como se minha própria visão pudesse fugir de mim. Como se ela fosse todos nós. Muita gente tem me mandado e-mails, me ligado para dizer pôxa, eu queria ajudar, mas estou sem grana. Querer ajudar já é uma ajuda. Se você realmente não puder colaborar com dinheiro, mesmo que seja só um pouquinho, doe um pouco de você então. A Aninha nos doará livros para que possamos vender. Divulgue esta campanha, assim como fizeram a Ana Gonçalves, a Ana Sampaio, a Juzinha, o Cláudio, a Trise e o as Amigas. De repente alguém doará aquilo que você não pôde. Às vezes tenho pensado: talvez dar seja melhor do que receber.
JANELAS DA ALMA
Janelas que se abrem para o desconhecido. E o desconhecido nos causa medo. Olhamos através de suas frestas e não temos coragem para olhar um pouco mais além. Restringimos nossas vidas até onde o nosso olhar alcança. E como é curto, como é pequeno este espaço... Pelas frestas destas janelas, vislumbramos somente um pequeno pedaço da vida. O medo de novos conhecimentos, das modificações, o medo de que,
ao vislumbrarmos um pouco além, não consigamos mais aceitar nossas verdades, faz com que não tenhamos coragem para abrir "par em par" as janelas de nossa alma e permitir que por elas entre a luz. Nosso egoísmo, nosso comodismo, nossa estagnação mental não permitem que façamos um gesto sequer em sua direção e as escancaremos. Não permitem que as abramos totalmente e olhemos para o mundo com coragem e força, sabendo que tudo que à nossa frente se descortina provocará uma revolução interior. Sempre achamos não estar preparados.... Mas o que é não estar preparado? É passar a vida na inércia? É passar a vida à espera? É passar a vida na janela? Temos medo de que o mundo nos ataque, mas não, o mundo não nos ferirá, ele não precisa fazê-lo, pois nós mesmos nos encarregamos disso quando paramos no tempo. É só dar o primeiro passo, depois outro e mais outro. Abra os olhos. Pronto! Você já chegou até o ponto necessário para abrir-se por completo. Pelas janelas da sua alma, a luz já adentra com mais força, sem precisar infiltrar-se somente por entre as frestas. Mais um pouco e as janelas já se encontraram abertas. Com mais um pouco de coragem abrirá
também as portas de sua alma para que, então, compreenda a vida.
Beleza no olhar Marcella Brum
Dizem que os olhos são as janelas da alma. Então, se formos pensar arquitetonicamente, a pele ao redor dos olhos seria como as paredes de uma casa. E, como se sabe, rachaduras, manchas e descascados tornam a depreciação do imóvel inevitável. Com a área dos olhos acontece a mesma coisa: pés-de-galinha, marcas de expressão, bolsas e olheiras detonam o visual de qualquer ser humano. Mas, como qualquer fachada, a manutenção ou uma boa recuperação pode dar aquela valorizada no patrimônio – no caso a sua beleza.
Estou cego de tanto vê-la.
Fomos assistir "Janela da alma". É um documentário sobre a perda da visão em sentido bem amplo. Quanto ao título, acho que os olhos são as janelas da alma pelo motivo primeiro: os olhos falam do que levamos cá dentro. Ou não falam, calam. Abrem-se e se fecham: janelas.
Já pensou nisso:
1.Qual a primeira coisa que você viu hoje?
2.Você lembra da primeira coisa que viu na vida?
3.A expressão "os olhos são as janelas da alma" tem algum significado pra você?
4.Qual a imagem que mais lhe comove?
5.Qual a imagem que mais lhe irrita? by juju
21:11 A campanha da Rô continua aqui em cima, e vai continuar ainda por algum tempo. Todos os dias vou colocá-la no post atual, para que os velhos e novos amigos, reais ou virtuais, possam ajudar. Ninguém será privado desta boa ação! Gostaria de aproveitar e agradecer ao Bala pela prontidão e instantâneo interesse. Outros agradecimentos que eu gostaria de ter feito e ainda não fiz: Guto, obrigada pelo convite para ver o pôr do sol. Ultimamente ando precisando de vê-lo nascer. Beto, obrigada pelo carinho e atenção que me dispensou nesta Páscoa. Mesmo com nossos desencontros é bom saber que tenho um ovo guardado com você. Quem sabe no ano que vem? Junto com meu presente de Natal e aniversário, lembra? André, obrigada pela importante presença, gostosa mesmo na ausência. Juzinha, obrigada pela oportunidade que me deu de ajudar alguém. Obrigada pela oprtunidade de descobrirmos quem temos dentro da gente. Pots, obrigada por amedrontar meus medos. Lê, obrigada pela companhia constante e provas de amizade eterna. Querou, obrigada por tomar, mesmo que passivamente, a decisão de ser feliz. Este é um dos maiores presentes que poderia me dar. Fred, obrigada por me dar tantas oportunidades de escolha e por tantas vezes escolher por mim quando não consigo. Obrigada por ter me escolhido! Obrigada também a você que não teve seu nome publicado aqui mas certamente o tem na minha lista de agradecimentos pessoais a Deus. Obrigada a todos vocês por existirem na minha vida hoje, amanhã e para sempre... Minha próxima campanha será para ajudar minha mãe a conhecer outro país e ficar por lá pelo menos um mês, para descansar. Considerando-se a brincadeira, ia ser bom se ela quisesse realmente se mudar. Ou eu.
A Rua
Cassiano Ricardo
Bem sei que muitas vezes,
o único remédioé adiar tudo.
É adiar a sede, a fome, a viagem,
a dívida, o divertimento,
o pedido de emprego, ou a própria alegria.
A esperança é também uma forma
de contínuo adiamento.
Sei que é preciso prestigiar a esperança,
numa sala de espera.
Mas sei também que espera significa luta
e não, apenas,
esperança sentada.
Não abdicação diante da vida.
A esperança
nunca é a forma burguesa,
sentada e tranqüila da espera.
Nunca é a figura de mulher
do quadro antigo.
Sentada, dando milho aos pombos.
09:46 Hoje acordei com vontade de amar. Não só amar com os corpos, suados, juntos, caídos, embolados, misturados, ofegantes, nus. Amar com a mente, o espírito, o desejo, o pensamento, o olhar. Amar você como sempre ou nunca nos amamos antes. Como se fosse a primeira ou a última vez. Como se sentíssemos a mesma coisa. Como se fosse impossível ser diferente. Como se começasse todos os dias.
Poema da amante
Adalgisa Néri
Eu te amo
Antes e depois de todos os acontecimentos
Na profunda imensidade do vazio
E a cada lágrima dos meus pensamentos.
Eu te amo
Em todos os ventos que cantam,
Em todas as sombras que choram,
Na extensão infinita do tempo
Até a região onde os silêncios moram.
Eu te amo
Em todas as transformações da vida,
Em todos os caminhos do medo,
Na angústia da vontade perdida
E na dor que se veste em segredo.
Eu te amo
Em tudo que estás presente,
No olhar dos astros que te alcançam
Em tudo que ainda estás ausente.
Eu te amo
Desde a criação das águas,
desde a idéia do fogo
E antes do primeiro riso e da primeira mágoa.
Eu te amo perdidamente
Desde a grande nebulosa
Até depois que o universo cair sobre mim
Suavemente.
Comente: Amada amante.21 de abril - segunda com cara de domingo
12:55 Dia de Tiradentes. Dia das apologias à liberdade. Dia de escutarmos estórias. Dia de acreditarmos nelas ou não. Dia de ainda estar sozinha.
"As coisas mais simples, mais realmente simples, que nada pode tornar semi-simples, torna-as complexas o eu vivê-las. Dar a alguém os bons-dias por vezes intimida-me. Seca-se-me a voz, como se houvesse uma audácia estranha em ter essas palavras em voz alta. É uma espécie de pudor de existir - não tem outro nome! A análise constante das nossas sensações cria um modo novo de sentir, que parece artificial a quem analise só com a inteligência, que não
com a própria sensação. Toda a vida fui fútil metafisicamente, sério a brincar. Nada fiz a sério, por mais que quisesse. Divertiu-se em mim comigo um Destino'malin'. Ter emoções de chita, ou de seda, ou de brocado! Ter emoções descritíveis assim! Ter emoções descritíveis! Sobe por mim na alma um arrependimento que é de Deus por tudo, uma paixão surda de lágrimas pela condenação dos sonhos na carne dos que os sonharam... E odeio sem ódio todos os poetas que escreveram versos, todos os idealistas que fizeram ver o seu ideal, todos os que
conseguiram o que queriam. Vagueio indefinidamente nas ruas sossegadas, ando até cansar o corpo em acordo com a alma, dói-me até aquele extremo da dor conhecida que tem um gozo em sentir-se, uma compaixão materna por si-mesma, que é
musicada e indefinível. Dormir! Adormecer! Sossegar! Ser uma consciência abstracta de respirar sossegadamente, sem mundo, sem astros, sem alma - mar morto de emoção refletindo uma ausência de estrelas! O peso de sentir! O peso de ter que senir! ... a hiperacuidade não sei se das sensações, se da só expressão delas, ou se, mais propriamente, da inteligência que está entre uma e
outra e forma do propósito de exprimir a emoção fictícia que existe só para ser expressa. (Talvez não seja mais em mim que a máquina de revelar que não sou.)" Fernando Pessoa
Livro do Desassossego
Desassossego da Nanda para mim.
Comente: Desassossego.20 de abril - domingo de Páscoa
20:56 Existe uma diferença muito grande entre ser e se sentir. Entre dar aulas e se sentir uma professora, entre ter um filho e se sentir mãe, entre ter pais e se sentir filho, entre estar namorando e se sentir namorada, entre ser amiga e ter amiga, entre amar e se sentir amada, entre ser convidada e se sentir incluída, entre fazer amor e transar, entre ter fome e querer comer. A linha que divide essas disparidades pode ser tão tênue quanto profunda. Algumas coisas eu tenho, mas não me sinto. E vice versa.
14:28 A palavra.
A ascensão de Jesus Lc 24.50,51; at 1.6-11
O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado foi recebi no céu e assentou-se à destra de Deus. E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.
A ascensão de Jesus Mc 16.19,20
Então, os levou pra Betânia e, erguendo as mãos, os abençoou. Aconteceu que, enquanto os abençoava, ia-se retirando deles, sendo levados para o céu. Então, eles, adorando-o, voltaram para Jerusalém, tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus.
A ressurreição de Jesus Mt 28.1-8; Mc 16.1-8; Lc 24.1-12
No primeiro dia da semana, Maria madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra estava revolvida. Então, correu e foi ver com Simão Pedro e com outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. Saiu, pois, Pedro e outro discípulo e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedroe chegou primeiro; e, abaixando-se, viu os lençois de linho; todavia, não entrou. Então, Simão Pedro, seguindo-o, chegou e entrou. Ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar à parte. Então, entrou também um outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Pois ainda não tinham compreendido a escritura que era necessário ressucitar-lo dentre os mortos. E voltaram os discípulos outra vez para casa.
13:09 Eu sei, já faz tempo que não escrevo por aqui. A guerra acabou (?!?), o povo sumiu, e agora, José? Às vezes fico me perguntando, até quando? Até quando o homem aguenta guardar para si seus sentimentos? Até quando ele suporta nos ombros o peso do mundo? Agora você marcha, José, para onde? E por que não escrevi? Não escrevo por aqui desde o dia em que me deparei, na Praça da Liberdade, com um homem. Não era um homem comum, não era um homem qualquer, era um homem que tinha as duas pernas atrofiadas, os braços compridos, um rosto, uma boca, um nariz, dois olhos, duas orelhas e um coração. Ele desceu do ônibus e me detive em sua figura por vários instantes. Com as dificuldades habituais ele desceu. Ninguém o ajudou. Ninguém sequer se ofereceu. Todos olhavam. Inclusive eu. A praça não estava cheia nem vazia, não era um dia qualquer. Ele então seguiu seu percurso, se arrastando pelo chão: as calças rasgadas teimavam em sair-lhe do corpo e ele insistia em apanhá-la com os braços que também lhe serviam de pernas e sustentação. Eu insistia em observá-lo. Depois disso comecei a pensar que escrevo demais e faço de menos. Falo demais e faço de menos. Penso demais e faço de menos. Vivemos demais e não sei se merecemos. Alguém merece? Pensei nas mazelas deixadas pela guerra de cada um, pelo sofrimento de todo dia, pelo simples nascimento quando não se deveria. Pensei naqueles que são crucificados por nós, julgados por todos, assassinados por alguns. Aqueles que carregam sua cruz, aquelas que perdem seus filhos. Nas ruas, para as ruas, para a sociedade, para o crime, para os outros. Perder é sempre ruim, não é competir o que importa. Na verdade não sei o que eu queria escrever. Hoje é domingo de Páscoa. Renascimento. Vida. Mas não vejo onde. Aonde? Eu queria poder dizer algo divertido. Eu queria poder querer esquecer tudo isso. ficar "sozinha" na Páscoa não é uma das melhores coisas da vida. Ter amigas na Páscoa é uma das melhores coisas da vida. E só consigo pensar em onde eu estaria agora se eu tivesse muito dinheiro... certamente na Praça da Liberdade, ou em uma rua qualquer, num dia como esse, que não é um qualquer, distribuindo ovos para pessoas com duas pernas, dois braços, um rosto, uma boca, um nariz, dois olhos, duas orelhas e um coração.
José
Carlos Drummond Andrade
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Mas hoje deveria ser um dia feliz, e, portanto, o será. Lembremos dos últimos dias, sejamos docemente pornográficos. Tudo bem, o que vou escrever agora não tem nada a ver com isso, mas tive que escrevê-lo.
Casa da Pots. Sexta-feira. Paulina perdida no meio da bagunça do seu próprio quarto, acho que ela não se achou até hoje. Eu, sentada no computador, lendo o . De quem é este blog? Do Cláudio. Cláudio? Que Cláudio? O Cláudio, ué. O Cláudio??? Como assim do Cláudio? Peraí, que Cláudio? O Cláudio? Não, é do Cláudio. Alguém que eu não quero dizer quem é também se chama Cláudio. Não é o cfhsbc.
Vinte e seis dias da guerra contra o Iraque. The end?
Já repararam como as pessoas não falam mais da guerra? Se acostumaram. Como as pessoas não falavam do massacre no Carandiru há 11 anos? Tinham se acostumado. Como ninguém se lembra da chacina da Candelária? Ninguém se lembra. As pessoas se esquecem das pessoas. O povo tem memória curta. O povo tem ação pequena. O povo tem desejos mesquinhos. O povo quer comprar um carro novo. O povo não liga se morrer de fome, desde que a televisão esteja ligada na Globo ou no SBT. Plim plim!
Coloco aqui, agora, uma poesia da Trise, que me soube traduzir tão bem, mesmo sem querer, em poucas palavras.
Me abri...
Te contei meus segredos
Agora você sabe que não
há mistérios
Agora você sabe que eu existo.
Desista.
Desista agora.
Desista da mulher comum que
não esperava encontrar.
Não tem glamour.
Fuja.
Fuja porque você vai me desejar
Fuja enquanto é tempo
Você pode se apaixonar.
Fuja porque eu posso te fazer feliz.
Vinte e cinco dias da guerra contra o Iraque. The beginig?
10:16 Santa semana esta! Se eu fizer tudo mesmo o que quero, o que planejo, como raramente acontece ou tem acontecido, vou ficar muito feliz! Não sei de quem é esse texto, mas agora é meu. Seu também...
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco, você levou para conhecer a sua mãe e ela foi de blusa transparente. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina o Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então? Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste.
Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele escuta Egberto Gismonti e Sivuca. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha.
Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas.
Por que você ama este cara?
Não pergunte para mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen (blergth), dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu
fettucine aposto, é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim.Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é...
Atendendo aos pedidos, continuo a série que eu não deveria continuar para não romper com a tradição das coisas sem começo, meio e fim na minha vida: lugares que eu ainda quero conhecer!
Porto Alegre
Salvador (Já conheço mas quero conhecer de novo com o Cláudio)
Só, por enquanto.
13:54 Adoro fazer séries que nunca comecei, não continuarei e, por isso mesmo, não terminarei. Da série lugares que eu ainda quero conhecer:
Curitiba
Vinte e quatro dias da guerra contra o Iraque. Fall.
09:43 Para mim, de todos os poemas de Fernando Pessoa, aliás, de tudo o que qualquer poeta já tenha escrito, isto é o mais sincero, o mais belo, verdadeiro e atual. A falência do prazer e do amor. Poema dramático do primeiro Fausto, para ser precisa, é o terceiro tema. Poema loooooongo mas que aqui transcrevo uma parte:
XXI
— Amo como o amor ama.
Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.
Que queres que te diga mais que te amo,
Se o que quero dizer-te é que te amo?
....................................
Quando te falo, dói-me que respondas
Ao que te digo e não ao meu amor.
....................................
Ah! não perguntes nada; antes me fala
De tal maneira, que, se eu fora surda,
Te ouvisse todo com o coração.
Se te vejo não sei quem sou: eu amo.
Se me faltas [...]
... Mas tu fazes, amor, por me faltares
Mesmo estando comigo, pois perguntas —
Quando é amar que deves. Se não amas,
Mostra-te indiferente, ou não me queiras,
Mas tu és como nunca ninguém foi,
Pois procuras o amor pra não amar,
E, se me buscas, é como se eu só fosse
Alguém pra te falar de quem tu amas.
....................................
Quando te vi amei-te já muito antes:
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci pra ti antes de haver o mundo.
Não há cousa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida fora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela tu futuro.
....................................
E eu soube-o só depois, quando te vi,
E tive para mim melhor sentido,
E o meu passado foi como uma 'strada
Iluminada pela frente, quando
O carro com lanternas vira a curva
Do caminho e já a noite é toda humana.
....................................
Quando eu era pequena, sinto que eu
Amava-te já longe, mas de longe...
....................................
Amor, diz qualquer cousa que eu te sinta!
— Compreendo-te tanto que não sinto,
Oh coração exterior ao meu!
Fatalidade, filha do destino
E das leis que há no fundo deste mundo!
Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto
De o sentir...?
11:26 Eu sei que amo. Eu sei que gosto. E esse amar, esse gostar, me faz bem. Me faz estar de bem. Não sei se sou amada, não sei se me querem como eu quero. Não sei se existe a mesma vontade de estar junto, de se fazer o amor, de se deixar levar. Isso sim muitas vezes me tortura. Me tortura a distância, me tortura a ausência, me tortura a falta. Me tortura mais do que tudo o não saber. O não estar. O não ter.
10:54 Ontem eu tinha uma festa para ir. Tinha. A minha semana não foi das melhores, na verdade foi como todas as outras: acordar cedo, dormir tarde, trabalhar muito, aparecer por aqui de vez em quando, corrigir provas, ver dever, curso de cinema. Minha sexta-feira não foi das melhores. Acordei cedo, fiz planejamento, passei por aqui, fui para a aula de cinema, cuidei da iluminação do curta (assistente, tudo bem), calor o dia inteiro. Mas eu tinha festa à noite. Eu tinha festa há uma semana. Da Praça da Estação até minha casa à pé fui traçando conjecturas. Peguei a tinta. Peguei um taxi. Fui para a casa da Juzinha. Recebi um telefonema: coisa boa! Pintei o cabelo. Fiz escova. Fiz chapa. Coloquei chá de camomila nos olhos. Em casa vestido passado sobre a cama. Sapatos de strass fora da caixa. Brincos, pulseira e colar separados. Enfeite de cabelo. Recebi outro telefonema: coisa ruim. Fiz um telefonema. Pronta para maquiar, pronta para sair, louca para ir à festa, aquela na qual não fui. Fui para casa. Guardei o vestido, os sapatos, brincos, colar, pulseiras e me deitei na cama. Quando cosegui dormir, dormi muito bem. Acho que o que me atrapalhou foi não ter escutado sequer um que pena, ou talvez você vai fazer falta. Tudo muito diplomático, instantâneo, resolvido. A culpa deve ter sido minha. Só pode ter sido. Foi.
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância
Seus olhos, meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
Eu estava pensando aqui em casa, nesta manhã de um sábado nublado, analisando fatos pessoais e coletivos, sempre verídicos: será que as pessoas, quando não gostam mais da gente, tentam fazer com que não gostemos mais delas também para que o fim se torne mais fácil para as duas partes? Assim ninguém leva a culpa e pode-se terminar, tranquilamente, aquilo que, efetivamente, jamais começou.
Vinte e dois dias da guerra contra o Iraque. Alone.
08:27 Ultimamente ando muito musical. Sou de lua. Sou de épocas. Não tenho vontade de escrever sobre mim por aqui, às vezes. Não sei se quero que leiam o que sinto, nem sei se quero que saibam como estou. Às vezes dói ser eu dentro de mim. Queria fazer coisas diferentes. Agir diferente. Ter coragem de entrar num avião. Ter coragem de mudar coisas que não dependem só de mim. Mudar todas essas coisas. Convivo com a incerteza de ter alguém e com a certeza de ser deste alguém. Paroxismo de gostar. Relaxo em se entregar. Às vezes penso em desistir, não vejo muito por que lutar. Lutar com as palavras é a luta mais vã?!? Não... lutar com os sentimentos é a luta mais vã. Os sentimentos alheios fogem de todas as lutas. Falar sobre eles é gastar latim e desperdiçadas filosofias. Tentar entendê-los é gastar meus próprios sentimentos. Hoje preferi poupá-los.
Querou, lembra disso?
Wave Tom Jobim
Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossivel ser feliz sozinho
O resto é marÉ tudo que não sei contar
São coisas lindas
Que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz
É impossivel ser feliz sozinho
Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver.
Ontem, depois da aula da tarde, fizemos uma reunião VIP na Galeteria do Shopping Jardim. Renato, Cássia, foi bom para vocês também?
22:10 Bombas contra as universidades. Fogo nos ônibus e nos carros. Granada nos shoppings. Tiroteio em todas as ruas. E o Rio de Janeiro continua lindo...
Hoje saí de casa às seis da manhã (Todo dia ela faz tudo sempre igual / me acorda às seis horas da manhã / me sorri um sorriso...) e já estou grogue de sono depois de 9 aulas e duas reuniões (Acooooooooorda!), só me falta agora sonhar com meus alunos (...que eram crianças e que comiam luz...).
Tudo bem, o Chico é muito mais eu, mas voltando para casa escutei Capital Inicial no carro, no trânsito, e me achei muito mais isto. Hoje. Tudo bem que as condições anormais de temperatura e pressão contribuiram. A baranguice também é um estado de espírito, assim como TPM e boa vontade.
você é tão acostumada a sempre ter razão / você é tão articulada quando fala não pede atenção / o poder de dominar é tentador eu já não sinto nada sou todo torpor / tão certo quanto o calor do fogo, tão certo quanto o calor do fogo / já não tenho escolha participo do seu jogo, participo do seu jogo / não consigo dizer se é bom ou mau assim como o ar me parece vital / onde quer que eu vá o que quer que eu faça sem você, não tem graça / você sempre surpreende e eu tento entender / você nunca se arrepende você gosta sente até prazer / mas se você me perguntar eu digo sim eu continuo / porque a chuva não cai só sobre mim vejo os outros todos estão tentando / tão certo quanto o calor do fogo, é tão certo quanto o calor do fogo / já não tenho escolha participo do seu jogo, participo do seu jogo / não consigo dizer se é bom ou mau assim como o ar me parece vital / onde quer que eu vá o que quer que eu faça sem você, não tem graça
13:26 Se cuidássemos bem de nossas crianças, certamente aprederíamos a cuidar bem de nossos idosos.
Falam que eu sou o futuro;
cuidem do meu presente.
Falam que sou a esperança da paz;
não me conduzam à guerra.
Falam que sou a promessa do bem;
não me ensinem a maldade.
Falam que sou a luz dos teus olhos;
não me empurrem no abismo.
Não quero somente alimento e vestimenta;
dêem-me clareza e entendimento.
Além da festa do seu carinho,
quero amor e educação.
Além dos brinquedos,
peço-lhes bons exemplos e boa palavras.
Sou alguém que bate à porta solicitando a humildade, o devotamento e o perdão.
Ensinem-me um trabalho justo, compdeçam-se de mim e orientem-me para que eu seja bom.
Corrijam-me no tempo certo, ainda que eu sofra, ainda que soframos todos.
Ajudem-me hoje para que amanhã eu não os faça chorar. Aristeu de Oliveira
13:07 Já descobri o que eu tinha, tenho: TPM seguida de TDM. E nós, mineiros que somos.
Dezenove dias da guerra contra o Iraque. Power.
02:15 Ainda sem conseguir dormir. De vez em quando tudo o que eu queria era ganhar um beijo de boa noite ou de bom dia. De vez em quando tudo o que eu queria era fazer amor no meio da noite ou no meio do dia. De vez em quando o que eu mais queria era poder te beijar. Bem no meio da boca. Não importa a hora e nem o dia.
17:56 Acho que tive uma recaída este fim de semana: A terapias complementares fornecem inúmeros recursos auxiliares no tratamento do PÂNICO: técnicas de relaxamento, exercícios de controle respiratório, massagens terapêuticas, meditação e Terapia com Florais e Aromaterapia, dentre outras. E para auxiliá-los com os óleos essenciais, aqui vai a sugestão: 2 gotas de óleo essencial de vetivér (para dar suporte, chão), 4 gotas de óleo essencial de ylang-ylang (para trabalhar a respiração) e 5 gotas de óleo essencial de lavanda (para propiciar tranqüilidade e relaxamento necessários), diluídos em 30 ml de veículo carreador (50% de álcool de cereais + 50% de água para sprays, água para rechauds com velinha, óleo vegetal para aplicação no corpo).
Se quiser fazer com que Deus dê boas gargalhadas, conte a ELE seus planos.
Dezessete dias de guerra contra o Iraque. Survive.
08:23 Às vezes eu acho que sinto demais. Sinto falta. Sinto medo. Sinto vontade. Sinto desejo. Tenho muito medo de ficar sozinha em casa. Pode parecer bobagem que em Belo Horizonte, no sétimo andar de um prédio com porteiro, alguém bem crescidinha tenha medo de ficar sozinha em casa, mesmo que as portas estejam todas fechadas. Mesmo que as portas estejam todas trancadas. Acho que minhas portas é que estão abertas demais. Tenho medo também de errar outra vez. De deixar escancaradas janelas que deveriam estar fechadas. De descerrar as persianas. De deixar à mostra o vidro transparente que sou. Acho que todo mundo gosta de estar sozinho em casa. Eu odeio. Odeio quando meus pais viajam. Odeio a simples possibilidade. Minha irmã é a primeira a sumir, só volta para casa no domingo. Meu irmão também. E fico eu, aqui, sozinha. Eu, que tantas vezes pareço autosuficiente, tenho medo até do escuro nessas horas. Sem ninguém para conversar. Sem ninguém para me colocar no colo. Sem ninguém para acordar comigo. Sem ninguém para me levar para tomar café, almoçar ou jantar fora. Sem ninguém. Às vezes as pessoas fazem parte da nossa vida. Às vezes não fazemos parte da vida delas. Às vezes.
I Will Survive
GLORIA GAYNOR
First I was afraid
I was petrified
Kept thinking I could never live
without you by my side
But I spent so many nights
thinking how you did me wrong
I grew strong
I learned how to carry on
and so you're back
from outer space
I just walked in to find you here
with that sad look upon your face
I should have changed my stupid lock
I should have made you leave your key
If I had known for just one second
you'd be back to bother me
Go on now go walk out the door
just turn around now
'cause you're not welcome anymore
weren't you the one who tried to hurt me with goodbye
you think I'd crumble
you think I'd lay down and die
Oh no, not I
I will survive
as long as i know how to love
I know I will stay alive
I've got all my life to live
I've got all my love to give
and I'll survive
I will survive
It took all the strength I had
not to fall apart
kept trying hard to mend
the pieces of my broken heart
and I spent oh so many nights
just feeling sorry for myself
I used to cry
Now I hold my head up high
and you see me
somebody new
I'm not that chained up little person
still in love with you
and so you felt like dropping in
and just expect me to be free
now I'm saving all my loving
for someone who's loving me
Ontem o samba estava vazio. Mas acho que o grande vazio, mesmo, estava dentro de mim... todas as vezes que vou ao samba ouço as músicas e fico tentando lembrá-las depois para registrá-las aqui. Sou sempre traída pela minha memória. Amanhã, vai ser outro dia...
19:26 Hoje eu fui levar meu Bonsai para o CTI. Ele estava triste, amarelando, secando. Ele estava quase morrendo. Quando o viu, o jardineiro disse que ele tem 80% de chance de morrer. Eu acredito nos 20%. Quando cheguei em casa eu chorei. Sei que existem milhares de melhores motivos para se chorar hoje em dia. Milhares de motivos para eu chorar. Mas esta vida também é uma causa nobre. Agora tocou o telefone. Tenho dois motivos para chorar.
Acharam uma faca na cama da minha cachorrinha: a Frô. Desconfio que ela estivesse querendo suicidar. Devia estar cansada desta vida de cachorro que leva. Ou deste mundo cão.
08:00"O orçamento nacional deve ser equilibrado.
As dívidas públicaas podem ser reduzidas.
A arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada.
Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a nação não quiser ir à falência.
As pessoas devem novamente aprender a trabalhar em vez de viverem por conta do governo." Marcus Tulius Cícero
ROMA, 55 a.C.
Nem sei mais quantos dias a guerra tem, ou quantos dias ela ainda terá. Midle.
Às vezes eu me sinto sozinha, frágil, desprotegida... tudo isso junto. Às vezes eu acordo me odiando em contrapartida aos dias que me amo. Essas vezes sempre duram mais. Esses dias sempre demoram para acabar. Hoje acordei bem e fiquei sem voz. Completamente sem voz. Como é ruim ser muda por um dia. Muda por algumas horas. Muda por algum tempo. Além da fala, parece que ninguém mais te escuta. É como estar incomunicável entre celulares, aparelhos telefônicos e computadores. Eu querendo dizer dos dias que vivo por antecedência e das dores que já tenho para amanhã. Eu querendo viver as festas do dia de hoje e comemorar cada encontro. Eu querendo celebrar. Eu realmente queria que alguém me quisesse assim: muda, telepática, que de tão irreal passasse a ser o sonho mais verdadeiro. Que de tão verdadeiro passe a ser completo. Que tão completo passasse a ser felicidade. Que de tão palpável passasse a ser real. Que de tão real tudo não passasse, nunca, de um sonho.
Só pro meu prazer
Heróis da Resistência 1987
não fala nada, deixa tudo assim ruim
eu não me importo
se nós não estamos bem assim
é tudo real, as minhas mentiras
e assim não me faz mal
assim não me faz mal não
noite e dia se completam
o nosso amor e ódio eterno
e te imagino
eu te conserto
eu faço a cena que eu quiser...
eu tiro a roupa pra você
minha maior fixação de amor
eu te recriei
só pro meu prazer
só pro meu prazer
não me vem agora
com essas insinuações
os seus defeitos
ou de algum medo normal
será que você, não é nada que eu penso?
também se não for
não me faz mal
não me faz mal não
Será que eu só penso nisso? Naquilo? Se ao menos o Paulo Coelho fosse sexy, e eu estaria lendo o seu livro agora... aquele ser assexuado por onze gerações. Onze séculos. Ainda quer descobrir o sexo dos anjos. Faltou testosterona. Faltou libido. Não consigo lê-lo nem em onze anos, que dirá dos seus Onze minutos.
Chega às livrarias, em 2 de abril, a 11ª seta de Paulo Coelho, Onze Minutos. São 256 páginas com o relato das agruras de uma prostituta brasileira, Maria, em Genebra, na Suíça. Segundo Paulo Coelho, trata do “sentido sagrado do sexo”. O título é inspirado numa obra do americano Irwing Wallace, Os Sete Minutos, texto sobre a censura nos anos 70 do século passado. Os sete minutos, para Wallace, eram a duração de uma relação sexual. “Achei que Wallace foi muito conservador em relação ao tempo, e resolvi ampliá-lo”, diz o brasileiro em entrevista.
A Grande Farsa. Cópia. Claro. Mais uma. Se ele faz chover quando quer, por que não coloca fogo nele mesmo, para ver se chuva não apaga. EUABOMINOPAULOCOELHO.
19:55 O que você faria se ficasse trancada (com cadeados) na faculdade de Letras com o professor mais charmoso no Universo, heim Barbara?
Hoje eu pensei muito no Nicholas Cage. Sabe, a cara dele de charlatão não me convence de que ele não é tão bom quanto eu imagino. Peça para eu escolher um ator, e já vem ele. Peça para eu escolher um galã, só dá ele outra vez. Peça para eu escolher o homem perfeito (estou analisando aqui a categoria dos impalpáveis) e vou escolhe-lo novamente. E vendo mais uma vez Asas da liberdade percebi o quanto ele se parece com o Breno, meu antigo colega de colégio. Mas se parece mesmo, principalmente o cabelo, que ele penteva para frente... digo o Nicholas, não o Breno. Por onde será que ele anda agora? Digo o Breno, não o Nicholas. Às vezes bate uma saudade de coisas que não sei mais. Dos futuros do passado que ignoro. Dos telefones que não tenho. Dos presentes dos quais não participo. Me sinto sozinha no meio das minhas lembranças e das inumeráveis possibilidades que não mais existem. Tudo isso para dizer que sou fã, incondicional, do Nicholas Kim Coppola.
Décimo segundo dia da guerra contra o Iraque. Lies.
06:51 Se pensarmos bem o mundo inteiro é uma grande mentira. Nós somos as maiores farsas. Parecemos ser aquilo que nos convem, em cada situação, para cada pessoa. Somos um e somos muitos. As pessoas nos enganam sempre. Não sentem o que dizem, não dizem o que sentem. Não sentem. Não dizem. E num mundo às vessas o errado é ser direito. Seu pecado é ser sincero. A verdade é ultrajante. Se digo tudo o que quero. Se sou o que exatamente penso. Se muitas vezes saio fora do meu controle porque não consigo ser como eu queria (deveria), peço desculpas a você. Eu sou eu. E eu, simplesmente sou.
Metade de mim acordou hoje. A outra metade continua na cama. Se não morreu ainda, sei que não demorará. Resolveu, assim como o resto do mundo, amanhecer muito gripada. Só de protesto.
Um pouco mais de sol... e eu era brasa Um pouco mais de azul... e eu era além Mário de Sá Carneiro
Por que Conto de Réis?
Um belo dia, há quatro anos, eu fui conhecer uma cidade, uma bela cidade, que se chama Tiradentes. Lá eu me encontrei. Encontrei o meu lugar. Mas não é qualquer lugar, é o lugar: Conto de Réis. Além de quê, quanto você acha que valem os meus contos de réis?
Eu recomendo! A hora da estrela de Clarice Lispector; Amadora de Ana Ferreira; Afrodite de Isabel Allende; Clube dos anjos de Veríssimo; Nome falso de Roberto Piglia; Os 100 melhores contos de crime e mistério e de humor da literatura universal organização de Flávio Moreira da Costa.
Entre os livros da minha biblioteca (estou vendo-os)
Há algum que já nunca abrirei.
Limites, Jorge Luis Borges
PARA UMA MENINA COMO UMA FLOR by poetinha
Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado. E porque você é uma menina como uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo pra cima, como uma santa moderna, e anda lento, a fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina como uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo. E porque você é uma menina como uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos no primeiro dia da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você fica nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina como uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro. E sendo você uma menina como uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina como uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, “Minha namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você se por acao não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois. E já que você é uma menina como uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purtinha entre as marias-sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei, como tristes estátua ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina como uma flor.
Sempre acreditei que fosse uma menina como uma flor e não uma menina com uma flor, por isso, e pela beleza dessa imagem, mantive aqui a minha contribuição.