Cecília, 24. Palavras, muitas. Beatles a Belchior - depende do estado de espírito. Coisas estranhas. Sonhos assanhados com o Jude Law - ai, o que é ele de barba? Amigos e róque e cerveja, de preferência tudo junto. Sempre às voltas com um apartamento, um irmão e um felino doméstico. Em férias - ufa!
O mesmo desde março de dois mil e quatro morando aqui, que já esteve em outros lugares tanto tempo que nem sei direito. Aquele que você sempre (?) leu, diarinho e coisa e tal. E sim - sou muito fraca para um hiatus.
Layout feito por mim - grande novidade - em homenagem a minha total incapacidade de ficar quieta neste espaço. As imagens (eu acho que são) do GettyImages. Retorno dedicado especialmente à adoradora do senhor George, por ter me dado o empurrãzinho que faltava pra voltar da preguiça.
Coisinhas que eu quero te dizer antes de pôr a mochila nas costas e o pé na estrada, ou melhor: a mala no carro do Rafa e a bunda no banco do carona:
* Se você mora com sua família – pai, mãe, irmãos, cachorro, eletrodomésticos mil – mas está cansado, acha que é hora de ser independente, ter sua própria vida, não dar satisfações... pense bem! Lavar calças jeans à mão não é para humanos. A conclusão de hoje é: uma máquina de lavar roupa é mais importante para morar sozinho do que um teto embaixo do qual guardar a máquina. Não sinto meus braços.
* Tiresia, na mitologia grega, é ao mesmo tempo mulher e homem. Tiresia, o filme, é um daqueles que meus familiares classificariam como "que só a Cecília assiste", como se isso fosse pejorativo. O que eles querem dizer é: não passaria na Sessão da Tarde, não mesmo. Tipo Elephant, On the edge ou coisa do gênero. Voltando a Tiresia, loquei o filme e corri pra casa pra ver a história do transexual brasileiro vivendo em Paris, alternando falas sem-vergonha em francês com Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão e blá blá blá. O filme não é de todo mau, é denso, tenso. Mas se você não estiver disposto a ver cenas de nudez e sexo de uma moça linda com um pinto maior do que o seu ou do seu par (não que eu conheça, é só um comentário ilustrativo), fique bem longe. Foi demais até pra mim, ainda tô meio... ui, nem sei.
* Leu a TPM de dezembro/janeiro? Não? Então procura ler ao menos os dizeres da Lygia Fagundes Telles. Exceto por algumas opiniões diretamente relacionadas aos oitenta e tantos anos dela – que se incomoda com mulheres grávidas de barriga de fora – a entrevista é ótima! Amei essa parte: "Temos de ir às nossas cavernas, explorá-las enquanto o pensamento está poderoso ainda, e deixar de lado a futilidade. Mulheres morrem nas clínicas de lipoaspiração! Vão ler! Vão estudar! As mulheres são muito mais importantes do que pensam. Perdemos um tempo enorme com essas lojas, essas vitrines. Passo aqui perto de casa, vejo os manequins todos sem cabeça, e percebo que está certo: quem pensa muito em moda não pensa mesmo. Pra que a cabeça?" . E palmas pra ela.
* Relendo meu post anterior, percebi que aquela parte de comer a Gica e depois lamber os dedos pode dar margem pra muitas interpretações. Eu estava falando de comer do tipo pôr na boca, mastigar, engolir. Desejo que se deve àquela cara de docinho confeitado que ela tem. Mas se você, querido leitor, pensou em alguma coisa mais, digamos, caliente, sejamos honestos: esta idéia também é válida, como todo respeito a ele.
* É amanhã, senhoras e senhores! Amanhã minhas férias começam oficialmente! Então, boa viagem pra mim e segurem com força seus patuás desejando que eu não torre todo o dinheiro que precisa durar até o fim de fevereiro, hehe. Aguardem as próximas palavras, vindas de alguma lan house gaudéria.
* Já fiz e refiz as malas para a viagem da semana que vem dúzias de vezes. Mentalmente, é claro. Quero estar apresentável quando uma tia me apertar as bochechas e disser algo maravilhoso do tipo "Como ela cresceu! Já tem namorado?". Também já ensaiei em frente ao espelho vários modelos de sorrisos cretinos para dedicar à tia enquanto penso "não, imagina, mas o meu vibrador é uma tetéia!".
* Tomada por um surto psicótico de faxina, resolvi pôr em ordem meu bom e (realmente) velho microcomputador. No meio de tanta coisa, fotos, imagens, músicas, bobagens, agá-tê-ême-éles, textos que valem a pena, textos pela metade... achei páginas e páginas de escritos do blog da Gica. Não faço a menor idéia do que isso está fazendo aqui. Lembro-me de que já quis comer a Gica com direito a me lambuzar toda e lamber os dedos pra não sobrar nada, mas acho que nunca fui assim tão obcecada. De qualquer maneira, o que ela escreve é bom de ler.
* E tomada por um surto de Edward Mãos de Tesoura, cortei os cabelos. Eu cortei, entende? – desculpe-me tesourinha Mundial, mas o mérito é todo meu. Foi uma operação um pouco tensa, dada a natureza encaracolada das minhas melenas, mas agora o mundo todo sabe que eu tenho pescoço. E quer saber de outra coisa? Eu achei uma beleza!
* Falar no vibrador ali em cima me fez lembrar de certa ocasião: no meio de uma conversa que era boba, mas era uma conversa, o solteiro-cobiçado-mór do róque local pergunta: "ô, Cecília, tu tem um vibrador?" – a propósito, eu nem tenho. Mas o que eu queria mesmo saber é: por que os moçoilos bonitos não crescem e evoluem mais rápido que a média? Seriam mais úteis.
* Tenho andado com medo de abrir meu guarda-roupa, ser engolida por ele e nunca, nunca mais conseguir sair de lá. Talvez isso signifique alguma coisa.
* O melhor do atendimento ao cliente da TIM-roubar-sem-fronteiras é que eu pude perder 27 minutos da minha vida ouvindo a mocinha do outro lado me chamar de Senhoracecília (assim, tudo junto) e tentar me explicar que aqueles vinte e cinco reais que eles me roubaram, na verdade eu recebi e gastei, mas não percebi. Porque sou muito boba, sabe? Mas tudo bem já que assim que o software de cadastro voltar a funcionar e eles conseguirem atualizar meu endereço vão me mandar um relatório detalhado dos meus gastos, que certamente me explicará como a TIM passou a mão leve em cima do meu dinheiro. Não é pelos vinte e cinco. É por me sentir sacaneada e impotente. Tô puta.
* Achei que todo mundo no mundo estivesse na praia e fui ao shopping trocar o vale-presente (estupenda criação!) que ganhei de papai no Natal. Ingênua, como eu sou ingênua. Todo mundo no mundo estava em Joinville. Naquele shopping, mais precisamente. Meu professor de Análise de Sistemas dizia que caos é equilíbrio. Diante da tarde de lojas e sacolas que vivi, prefiro permanecer desequilibrada – mas uma desequilibrada com uma linda bolsa nova e blusinhas e revistas e filmes pra assistir. Ô-bá.
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Bem, meu irmão não está no shopping, está na praia. E todo o resto do universo dos meus amigos está por aí, em férias. E é isso que acontece quando eu fico muito tempo sem falar com alguém capaz de me dar uma resposta mais complexa do que miau: o problema das idéias desconexas pulsantes fica bem mais evidente – ou ainda, eu fico quase quarenta minutos de papo com o cara da locadora (sem querer desvalorizar pequeno Alfredo, é claro, que mia sorridente cada vez que eu falo alguma coisa com ele).
Eu estava bem no meio de uma faxina de final de ano, sabe? Ou de começo, como preferir. Daquelas em que sua mãe desengaveta coisas que ninguém mais nem imagina que existam na casa, limpa, arruma e guarda de novo. Então lá estava eu, suada e suja, remexendo quinquilharias.
Não sei dizer se ela não percebeu que eu estava ocupada ou se achou que aquele era o momento mais apropriado pra conversar. Mas o fato é que Frida entrou, obviamente sem pedir licença. Fitou-me com aquele rosto emoldurado pelas sobrancelhas grossas de tinta escura. A garrafa que trazia deixou no chão, e começou a revirar as gavetas que eram mais minhas. Só minhas. Trouxe à superfície da memória, meio empoeirados mas muito nítidos, recados bonitos, momentos dos melhores e beijos pra mim assinados por Rivera. Naqueles tons de verde e vermelho de que eu gosto tanto, pintou na minha cara que meus verbos escondidos de amor e de desejo não estavam tão no passado quanto eu imaginava. Na boca me veio aquele gosto bom, que não é de chocolate e menta, não é de café com creme, não é de cerveja tinindo de gelada e muito menos de bala de goma cor-de-rosa. É salgado de suor e amargo de real, mas muito doce de feliz. É tão especialmente bom que chega a ser macio, ainda que macio não seja uma palavra que se aplique ao paladar. Mas quando o sorriso de satisfação virou lágrima de saudade, me achei uma boba. Uma grande bobalhona como sempre.
Gritei com Frida para que voltasse ao lugar de onde não deveria ter saído. Não queria mais ver brotando dos seus pincéis as minhas velhas coisas boas. Bastavam-me as recordações que eu não tinha onde guardar, aquelas em que acabava tropeçando o tempo todo sem querer. Não precisava amontoar também as que ela me trazia. Falei que ia pegar tudo – ela, Rivera, as lembranças – jogar no mais fundo de qualquer gaveta e esquecer. Ela riu. Pegou sua garrafa do chão, tomou um gole e cambaleou. Bêbada, me puxou pela cintura e me acariciou a nuca, depois as costas. Com voz firme, disse que eu poderia me comportar como uma mocinha se quisesse, ou como um homem rude, ou como qualquer coisa que achasse mais adequada. Só não poderia me comportar com covardia, não poderia ter medo daquilo que estava em mim por mais que eu escondesse. A aleijada era ela, disse gargalhando, e eu não precisava me apoiar em coisa alguma pra justificar minhas saudades. Não tinha culpa por qualquer recordação. Não viera pra me trazer nada. Ao contrário, eu é que a puxara pelo braço pra perto, pra poder ter também a presença de Rivera. Não o dela, claro, mas aquele que me assinava os dizeres e que ainda me fazia palpitar o peito.
Top top top os mais mais de doismilecinco na Ceciliolândia
Faltando pouco mais de cinqüenta horas para o encerramento deste ano, vou tentar fazer um top 10 das coisas, pessoas e acontecimentos mais bacanas dos últimos trezentos e sessenta e tantos dias - digo tentar porque todas as minhas listas de dez acabam tendo nove ou onze ou quatrocentos e setenta e dois itens.
1. Quinto andar do setemeiaum daquela rua ali do centro Disparado, a melhor coisa de 2005 foi ter voltado a morar com meu irmão. Dividimos um lugar bacana, damos muitas risadas, somos felizes pra chuchu e tentamos levar bem nossas vidinhas de gente grande.
2. Saldo positivo Sim! O ano está acabando e eu posso me orgulhar de ter conseguido, depois de muito tempo, encerrá-lo em paz com as minhas contas e meu saldo bancário. Ninguém nada em bufunfa por aqui, não senhor, mas tudo correu na mais perfeita ordem e assim seguirá - pelo menos eu espero!!
3. Ninguém pode me acusar de não ter tentado! Pela primeira vez em vinte e quatro primaveras eu pensei ter achado o amor da minha vida. É, a tal da tampa da panela, sabe? E não fugi disso. Não deu bem certo no final das contas, mas tudo bem, parte-se pra outra. Pelo menos ninguém vai poder dizer que eu não tentei.
4. O casamento do meu melhor amigo - sem aquele noivo bonitão, porque nada é assim tão perfeito Você há de concordar comigo que não é todo ano que dois dos seus amigos mais queridos tornam-se um respeitável pai(emprestado) de família e uma senhora casada. Nice+Rafa em janeiro, Dani+Juliana em julho (ou agosto?). Ela em Porto Alegre com seu amor de uma vida inteira, ele em Curitiba com a moça que ficou guardada só pra ele por tanto tempo e eu aqui no meio - geograficamente, é claro - saudosa e feliz por todos.
5. Sempre é tempo pra voltar atrás E não me arrependo de ter reconsiderado uma porção de opiniões e reatado minha amizade com pequena Cinthia, minha eterna companheira de aventuras!
6. Família, ê! Família, ah! Pode-se dizer que apesar de todos os acontecimentos não agradáveis que rolaram nos primeiros meses do ano, 2005 termina com um saldo positivo em meu relacionamento com papai e mamãe. Temos agido como pessoas adultas que se gostam e respeitam e ajudam mas que (finalmente!!) não se metem mais uns na vida dos outros - o que também vale pra mim, que sempre dei uma de mãe dos meus pais.
7. Do virtual pro real Por algum tempo elas foram apenas fotos e caracteres, e já me pareciam ótimas. Hoje são de carne e osso e, ao vivo, ainda melhores! Pude conhecer Yeda, Juliana e Gica e espero revê-las com mais freqüência ano que vem.
8. Gente boa nunca é demais - muito prazer! Começou por acaso, numa conversa bêbada e de repente eu estava em Jaraguá do Sul conhecendo uma porção de gente nova da melhor qualidade: Bob, Joyce, Neto, Vini, Adri, Nadia e por aí a fora. São mais nomes pra lista de em-2006-eu-quero-mais!
9. Pra não emburrecer Voltei à faculdade em 2005. Deixei a faculdade em 2005. Mas termino o calendário com a certeza de que, seja lá o que for, alguma coisa eu vou estudar ano que vem. Este cérebro não pode parar! Ah, não mesmo!
10. É festaaaaa! Com certeza esse foi um dos anos em que mais me diverti desde que me conheço por gente. Foram festinhas em Curitiba, Jaraguá, aqui em Joinville mesmo. Incontáveis shows dos queridos Fungos e também Lopez, Bondage, Renato e Seus Blue Caps pra inveja de papai e a primeira ida ao lendário Curupira Rock Club, entre tantas outras coisas... infinitas risadas em mesas de botecos e casas de pessoas bacanas. Bom, muito bom!
Porque aqui, aqui é o meu lugar... ou: é, não resisti nem trinta dias
É, cá estou. E a impressão que tenho é de que há tanta coisa pra dizer que eu nem sei por onde começar. Tô meio atrapalhada, engasgada, nem sei.
Vejamos...
A idéia inicial era que esse hiatus durasse até o fim das minhas férias, lá pelos últimos dias de janeiro. Mas de repente me peguei montando frases mentalmente, depois parágrafos... textos inteiros eu não conseguia lembrar, então eles começaram a ir pro papel. Meus e-mails estavam enoooormes e até em recados do Orkut eu perdia o controle. Foi quando escrevi o texto pra edição vinte e nove do Zine Vanilli que me dei conta: o blog precisava voltar. O estímulo que faltava veio de senhorita Sanford. Daí saí correndo atrás de um layout novo e pronto! Estamos de volta aos bons (?) e velhos blá blá blás...
Ontem à noite todos os caminhos levaram à ceia de Natal em casa de papai. Ainda posso ouvir os gritinhos da minha irmã pequena ao rasgar seus pacotes. E nessa época do ano, inevitável, vêm os balanços, os pensamentos sobre os trezentos e tantos dias que já passaram, essas coisas. Posso dizer que tanto eu como muitos queridos crescemos nesse ano que logo, logo termina. Uns casaram e foram ser felizes para sempre. Outros pararam de abusar do corpo em nome da diversão e estão dando um trato na saúde. Outros passaram por momentos bem difíceis mas ergueram a cabeça e seguiram em frente em busca dos seus objetivos e da sua felicidade. Uns se decepcionaram com pessoas e agora sabem dar valor a quem realmente merece... Esta mocinha que vos escreve, por sua vez, além das coisas positivas como ter conhecido uma porção de gente bacana e se aproximado mais de outras pessoas igualmente especiais, realizou um sonho antigo: sete anos depois, eu e meu irmão juntamos de novo nossas tralhas embaixo do mesmo teto. Moramos juntos e meu maninho mais novo, obviamente, toma conta de mim.
Pro próximo calendário, tenhos sonhos e planos, é claro - ainda que não saia por aí fazendo alarde sobre isso. Desejar coisas boas nunca fez mal a ninguém, não é mesmo? E é só o que posso fazer: desejar que o ano que já chega seja bom pra todos nós. Cada um do seu jeito, com suas aspirações, suas realizações, seus momentos pra guardar pra sempre.
Sejamos felizes, senhoras e senhores!
Não porque é o ano bom, mas porque é o correto.