Cecília, 24, carrega um medo velado de chegar aos 25 e comprar o primeiro creme anti-sinais. Adora assistir filmes de Almodóvar enquanto enrola mechas de cabelo com o dedo ou conversa com Alfredo, o gato. Detesta pegar o elevador com vizinhos desconhecidos, então espera o tempo que precisar pra ter certeza de ele estará vazio. Há uns vinte anos queria namorar o Kleiton, ou o Kledir. Atualmente está cansada de conversas vazias e de gente do mesmo tipo.

Terça, 21 de março

Olhe bem pra minha, digamos, capacidade criativa.
Ela não parece um pouco pálida ultimamente?

Eu tô achando...


Cecília, às 12:40 -

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Segunda, 20 de março

Final de semana?
Eu bem que fiz outros planos, mas não deu pra fugir:

Criança pra cuidar, casa pra limpar e roupa pra lavar.

E não sinto meus braços.



Cecília é que era mulher de verdaaaade...


Cecília, às 10:45 -

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Sexta, 17 de março.

Estado vegetativo durante A Vida Marinha com Steve Zissou - filme estúpido! Risadas e bobagens. Pouca paciência com a cultura do meu Rio Grande do Sul céu-sol-sul-terra-e-cor. Tiago-Jarbas: o motorista. Guinho-indiscreto: detector de odores desagradáveis alheios. Arrumação de cama pra Cinthia que tinha convulsões de tanto dar risada. Conversa-pré-adolescente até três da manhã. Brainstorming sobre possível design de um boneco inflável para uso feminino. Filosofia barata sobre letras de música dos Fungos. Laranja Mecânica - o livro. Pouca inspiração. Post.

Foi assim.

E faltam 20 minutos pra começar meu final de semana! :)


Cecília, às 12:40 -

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Quarta, 15 de março.

Festival Vintecinco - parte I

À um mês dos meus vinte e cinco anos, vinte e cinco verdades a meu respeito:

- Tenho agora os melhores amigos que já tive desde que posso me lembrar.
- Não sei “gostar mais ou menos” de coisa nenhuma. Ou gosto muito ou não gosto.
- Meu trabalho me irrita. Mas não troco a estabilidade e a tranqülidade financeira que ele me dá por nada.
- Não tenho paciência com gente ignorante. E entenda ignorante como quiser.
- Gosto de bobagens televisivas por mais vazias que sejam. É bom pra relaxar.
- Não acredito mais em analista, psicólogo, psicoterapeuta ou seja lá qual for o nome da coisa.
- Tenho TPM, e das brabas.
- A pessoa que eu mais amo no mundo é o meu irmão.
- Leio por compulsão e escrevo por prazer.
- Tenho medo de parir.
- Sou desorganizada a ponto de não conseguir achar há três dias uma coisa que com certeza está dentro do meu quarto.
- Não gosto de comida saudável.
- Definitivamente eu não sou uma pessoa fácil de se conviver.
- Tenho ciúmes dos meus objetos, livros, CDs, roupas e eticétera preferidos.
- Gosto de assistir filmes sozinha. No cinema, inclusive.
- Acho que sexo casual faz bem pra saúde.
- Gosto de boteco, cerveja gelada e diversão sem frescura.
- Só tenho meias coloridas.
- Tenho mais bolsas do que um ser humano normal precise em uma vida inteira.
- Sou capaz de me apegar tremendamente a alguém em poucas horas.
- Tenho ciúmes dos meus amigos bonitões com garotas que eu não conheço.
- Gosto da língua portuguesa falada e escrita corretamente.
- Tenho distúrbio bipolar de verdade. Não sou do tipo que diz isso só porque parece bacana ser inconstante.
- Não gosto de aniversários pela quantidade de coisas falsas que é preciso ouvir na data.
- Gosto de aniversários porque me auto-celebro.


Cecília, às 10:30 -

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Terça, 14 de março.

Fui ao cinema sozinha e encontrei comigo


Cinema vazio de tudo. Dos meus fantasmas, inclusive.

Saí de casa ontem à tarde com uma idéia fixa: assistir Crash. Não sabia onde estava passando, nem horário, nada. Mas eu queria. Desnecessário e chato entrar em detalhes sobre o filme, não ganhou o Oscar de graça e talvez você ainda não tenha visto e esteja interessado em fazê-lo.

As cenas foram passando, e de repente lá estava a moça de novo cara a cara com o molestador. Eu, cara a cara com os meus fantasmas. Como assim? Assim: faz um ano e uns meses que eu fui molestada. É. Aí você pensa: ela não deveria falar sobre isso aqui, num blog! Por que não? E o que eu deveria fazer? Pagar cem paus pra deitar e falar a respeito com alguém que só vai me pedir pra esmiuçar mais, durante quarenta minutos? Preciso exorcizar essa história, e vai ser aqui mesmo!

No filme (desculpa contar, mas eu preciso) lá está a moça sendo tocada por um cretino e esperando que alguém que ela ama tome alguma providência. E o alguém não toma, pra não bagunçar a própria vida. Na minha história, aconteceu exatamente a mesma coisa. Não culpo a parte omissa – agora, no calor da confusão, fui tomada pelos piores sentimentos elevados à décima potência – mas o idiota que fez o que fez comigo eu queria mesmo ver morto. Não que fosse resolver alguma coisa, mas só pra não correr o risco de encontrá-lo em lugar algum do mundo outra vez.

Fisicamente, nada me aconteceu. Mas quem devolve os três meses em que desejei nunca mais ter um contato sexual na vida? Quem apaga os pesadelos que eu tenho até hoje? Quem me tira o desespero que sinto ao ser apenas abraçada pelas costas, vendo mãos se cruzarem ao redor da minha cintura? Quem acaba com o terror de imaginar receber um beijo na nuca? Quem?

Eu.

Porque aconteceu – e coisa ruins podem acontecer com todo mundo, todo o tempo – mas não vai mais acontecer aqui nas minhas memórias nem ao menos uma vez. Preciso passar por cima. Preciso ser maior, mais forte e seguir em frente. Por mais podre que tenha sido, por pior que pareça lembrar, não sou eu quem tem que se envergonhar e carregar migalhas dessa podridão pela vida.

A sujeira toda acabou.
Eu ainda tenho muito o que viver.


Cecília, às 08:40 -

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Segunda, 13 de março.

Então eu acordei depois de pouco mais de três horas de sono com um humor que você pode bem imaginar. Abri a janela e dei de cara com uma típica segunda-cinza joinvilense. Olhei no espelho e vi que meu cabelo não estava afim de colaborar. Vesti um modelito urubu, na tentativa de fazer com que meu chefe não perceba que estou sem uniforme. No caminho esbocei um sorriso quando imaginei estar sentindo... frio? Peraí, não pode ser! Desisti disso e cá estou para falar sobre os últimos acontecimentos. Não espere nada muito brilhante.

As 96 horas em que meu corpo resolveu parar e gritar por atenção

Ingênua, imaginei que os quatro dias que passaram seriam de amigos e risadas ou, na mais monótona das hipóteses, pés pra cima no meu lar-doce-lar. Mal sabia eu que aqui dentro deste corpinho alguém faria uma manifestação por melhores condições de trabalho. Passei por todas as prateleiras do armarinho doméstico de primeiros socorros e quando precisei dos cuidados do médico mais mal-humorado de todas as emergências em que já estive, descobri que é hora de dar uma pausa na vidinha boêmia pra tomar conta do que há por dentro deste ser pequenino, rechonchudo e colorido que sou.
Blé.

Apesar de tudo, não posso esquecer de acender uma vela para Nossa Senhora dos Telespectadores da Tevê Aberta, em agradecimento por A Feiticeira, Mission Hill e por aquele genérico mais coloridinho de Anos Incríveis, Oliver Beene – que propiciaram os momentos mais divertidos do meu feriado.


Cecília, às 09:10 -

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Quarta, 8 de março.

Uma dose dupla de devaneios na terceira pessoa, por favor.
E sem gelo.


A trilha sonora do banho era o CD pego na casa do adorável petisquinho pansexual-multi-adereços de férias. De repente tocou aquela música e... cretina coincidência! Logo veio à cabeça uma longa noite de meses atrás. Os olhos escuros da moça francesa que olhava pra ela da parede. Os olhos claros dele olhando pra ela de cima e de baixo e de um lado e do outro e do avesso e de um jeito... Deu um aperto no peito. Agora a vida andava muito agradável, sorridente e dançante, com os melhores amigos de toda sua existência, saudável sexo casual de vez em quando... nada a reclamar. Mas sabia que faltava algo para lhe tirar do sério, sacudir por dentro, alvoroçar as boas e velhas borboletas no estômago. Algo que estava naqueles momentos, agora lembrados, observados por senhorita Poulain, ao som das músicas moderninhas, molhados da chuveirada e de suor, com o calor dos corpos se tocando e o frio da madrugada de agosto, embaixo da melhor coberta da região.

Paixão, no caso.

(e não ele)


Cecília, às 10:40 -

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Terça, 07 de março.

(...)

Irmão: Mas tu acha o Guinho bonito.
Eu: Hum... não.
Irmão: E o Tiago?
Eu: Não é questão de achar, ele é bonito.
Irmão: Ui, credo! Como tu acha ele bonito com aquela cara de mulher?
Eu: Ele só parece com a irmã dele, por isso não pode ser bonito?
Irmão: Mas vai dizer que aquele nariz não é de mulher?
Eu: Tá, tá...
Irmão: Sabe que isso tem uma explicação científica?
Eu: Isso o quê?
Irmão: Eu vi esses dias, dependendo da fase do ciclo menstrual, a mulher se interessa por homens com o rosto mais ossudo, uma cara mais de homem das cavernas, mais bruto. Na outra fase ela prefere os com jeito de mulher mesmo.
Eu: Sério?
Irmão: A-ham.

[ pausa no diálogo para pequeno flashback pessoal ]

Alguém: É só o cara desmunhecar pra segurar o cigarro que a Cecília se apaixona.
Eu: Nem é assim.
Alguém: É sim!
Eu: É?

[ fim do flashback ]

Eu: Talvez isso explique muita coisa...
Irmão: Quê?
Eu: Nada, nada... come esse macarrão antes que esfrie...



Impressionante como uma conversa à toa pode explicar toda a complexa relação entre a ingestão ininterrupta de pílulas anti-concepcionais e meu gosto peculiar por rapazes ainda mais peculiares. Ou: agora pelo menos eu tenho uma desculpa!


Cecília, às 11:40 -

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Segunda, 06 de março.

Sobre sábado à tarde:
Manter de pé uma operação "Quem? Como? Desculpe, não conheço ninguém com esse nome" é impossível pra mim. Ainda que o "desconhecido" realmente mereça – e ah! ele merece. E ainda que custe a minha dignidade, eu assumo. Melhor perder um pequeno show do Cachorro Grande do que a dignidade.

Sobre sábado à noite:
Pelamordedeus alguém me diz o que foi aquilo!!! Dancei quase até a exaustão, suei sorrindo por poros que eu nem sabia que existiam, quando uma força superior que você pode chamar do que quiser me disse: hora de dar tchau! Em tempo: desmaiei, com a pressão no pé, assim que cheguei ao meu prédio, enquanto esperava o elevador. Mas levantei, pus a roupa no lugar e subi pra casa com a sensação de missão cumprida. O propósito era me divertir até o limite e foi o que eu fiz – pena o limite ter aparecido tão cedo, hehe. No mais, a presença dos Cachorros Grandes fez rolar uma tietagem boba no começo, caras já vistas de Curitiba estavam presentes, e garotas bacanas de São Paulo também além, é claro, dos queridos locais que sempre gosto de ter por perto. Gabba e Dani fizeram o que se esperava: tocaram músicas da melhor qualidade. Enfim, uma noite e tanto, caríssimos!

Sobre o domingo:
Consegui cumprir parcialmente minha promessa-presente de não beber nada alcoólico no sábado e o almoço em família (e etc) comemorando o aniversário do meu irmão correu muito bem, obrigada. Se é que você pode considerar algumas hipocrisias e sorrisos forçados como "muito bem, obrigada". Mas tudo pela paz familiar. Tudo pelo meu melhor-irmão-do-mundo.

Sobre este layout:
Eleanor Rigby monofônico toca junto com o barulho no granizo na janela, na tarde de sábado. Mensagem de texto recebida: dá uma olhada no seu email. Só agora estou fazendo isso. Eis o email:

Em 04/03/06, Larissa Dias escreveu:
Oi, boneca!

Como cê deve imaginar, os dias não têm sido os mais fáceis, mas cansei de enlouquecer (...) então resolvi ocupar minha cabeça com algo útil. Liguei o pc e quis fazer um layout pra blog. Como não tenho mais, fiz um procê. Espero que goste e não se importe em trocar pelo que cê colocou no ar há pouco tempo. O texto da descrição é seu mesmo, só tomei a liberdade de trocar as novelas por Almodóvar, porque o mundo inteiro sabe que cê dorme à tarde e não vê Vale a pena ver de novo!

Beijos, Lari.


Agora, agradecimentos telefônicos em dia, eu ainda fico pensando no que leva alguém a ignorar seus problemas e se ocupar fazendo algo pra mim. Essa dúvida toda deve ser porque eu sou um bocado egoísta, mas isso já é outra história. E é claro que eu gostei.



Anotação mental 1:
Deveria ser ponto facultativo um dia depois da cerimônia de entrega do Oscar [ sono absurdo mode on ].
Anotação mental 2:
Pintar as unhas de vermelho é bom para o moral.


Cecília, às 08:20 -

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Quinta, 02 de março.

Balanço pós-carnaval, pela ordem:

- Um filme incrivelmente bom: Mistérios da carne. Não dá pra acreditar que um filme fale de pedofilia e garotos molestados e consiga ser até bonito. Mas é. Sério. É bom, sensível – e forte, bem forte. Agora, se você tiver algum problema com tarados nojentos do tipo que merece morrer atravessado por um cabo de vassoura, não assista. Vai mexer com você até as entranhas.
- Uma noite de diversão em casa de Vivi e Rômulo.
- Uma porção de mensagens de celular sem sentido (Cecília plus créditos no celular plus cerveja ou similar, sempre dá nisso).
- Um bolo no Guinho e família – sorte deles, eu estava intragável.
- Um filme nauseante: Irreversível. Hardcore demais pra mim. Não gostei. Violento, confuso, e a maneira como as imagens se apresentam me dá a sensação de pesadelo.
- Um bolo na Nice – eu te amo, mas praias de São Chico em pleno carnaval não dá!
- Uma semi-orgia gastronômica com camarão (nham nham).
- Um ensaio Fungi com 75% da banda.
- Uma noite róque-carnavalesca-Kubanacan-trash.
- Um roxo no joelho, outro na perna e uma dor estranha no tornezelo devido a um escorregão em qualquer coisa (que eu prefiro acreditar que era água) que estava por todo chão do elevador quando eu cheguei em casa numa madrugada.
- Um bolo no meu pai (acho que fui deserdada).
- Um filme fraaaaco: E sua mãe também. Mesmo com o Gael no elenco, a história é sem graça, fede a testosterona-teen e tem guris pelados-murchos em demasia – embora guris pelados-rijos não fossem melhorar em nada a qualidade do filme.
- Uma sacaneada por parte da moça da locadora, que me prometeu reservar Carne trêmula mas locou pra outra pessoa.
- Um plano não cumprido em sua totalidade – o de dormir pra chuchu.
- Uma noite de quarta-feira enrolando pra ir pra cama, como se isso fosse estender o feriado.
- Tantas cervejas que eu até perdi a conta.
- Tantas risadas que eu até perdi a conta.
- Tanta vontade de não voltar ao trabalho hoje que eu nem sei expressar, hehe!


Cambiando el tema... Eme-esse-enidiotices

O babaca (que eu aceitei pensando ser outra pessoa) pergunta:
Como você é na cama?
E eu respondo:
Com edredon e ventilador se estiver quente. Edredon e cobertor se estiver frio. Atualmente, abraçada na almofada do Laranja Mecânica no começo da noite, porque ela é gelada. Geralmente deitada na diagonal e sempre com um pé pra fora. Quando eu pego no sono me mexo como se fosse aula de aeróbica e quando acordo tenho uma aparência que lembra a Medusa. Tá bom assim?

Ele não disse mais nada, não sei por quê...

Ah! e só mais duas coisinhas:
É sábado, depois de amanhã, tá quase-quase:
Celso Blues Boy, Cachorro Grande, Reino Fungi e mais (acho que são) doze bandas locais – É Rock! Festival, em comemoração ao aniversário da Joinvilândia, que é dia 09.
É sábado, depois de amanhã, depois do É Rock!, tá quase-quase:
A Noite do Chá Dançante, quando balançaremos os esqueletos ao som de pérolas eleitas por Gabba e meu amigo-queridão Danimod. Quem chegar por último é a mulher do padre. E vai ser a mulher do padre do lado de fora da festa, porque o lugar não é lá muito espaçoso.


Cecília, às 08:30 -

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